Greve de bancários enfrenta repressão em seu primeiro dia

Dirceu Travesso é agredido e preso na porta da Nossa Caixa, em São PauloDiante da intransigência dos banqueiros em negociar as reivindicações dos bancários, a categoria decidiu nas assembléias de todo o país entrar em greve por tempo indeterminado a partir de 6 de outubro. O indicativo de greve já fora aprovado na semana anterior e os bancários fizeram uma paralisação de alerta no final de setembro.

Já no primeiro dia de greve, os bancários se depararam com a repressão policial. Em São Paulo, o governo colocou a polícia militar a serviço dos banqueiros, montando um forte esquema na frente dos principais bancos. Ainda não há informes sobre o índice de adesão neste primeiro dia.

Dirceu Travesso é agredido e preso
Um dos ativistas que foi alvo da repressão foi Dirceu Travesso, membro da Oposição Bancária e militante do PSTU. Dirceu foi abordado pela polícia quando segurava uma faixa e conversava com bancários em frente à agência da Nossa Caixa, na Rua XV de novembro, no Centro de São Paulo, por volta das 8 horas da manhã.

Sem nenhum motivo legal, os policiais derrubaram Dirceu, bateram nele, o algemaram e levaram para a delegacia, onde ele ficou detido por mais de quatro horas. Já na delegacia, a polícia o manteve algemado por mais de uma hora, alegando perda da chave das algemas. Dirceu foi liberado depois do meio-dia.

O motivo alegado para toda essa truculência foi desacato à autoridade. Na verdade, Dirceu foi preso sem nenhum motivo legal, apenas por realizar um trabalho de convencimento. Foi preso porque a força policial do estado está a serviço dos banqueiros e da elite.

A greve teve início com um duplo desafio: enfrentar a repressão da polícia que o governo colocou para defender os banqueiros; e enfrentar uma greve mal organizada pelas direções governistas. Apesar disso, a categoria demonstrou grande disposição de se mobilizar, assim como em 2004, quando os bancários realizaram uma forte greve nacional que durou mais de um mês. Para vencer os obstáculos acima, é preciso que os bancários se organizem pela base e fortaleçam a mobilização, passando por cima dos entraves das direções.

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