A decisão no último dia 21 do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o fim da validade do  ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) dos Correios ainda este ano está fazendo com que a greve dos trabalhadores se fortaleça.

O STF aprovou a liminar impetrada pela direção da empresa que pretende acabar com 70 das 79 cláusulas do ACT, extinguindo direitos essenciais e históricos dos funcionários. O acordo, fechado no ano passado, teria validade por dois anos, mas a direção da empresa entrou na Justiça para reduzir o prazo para um ano. O pedido foi aceito pelo ministro Dias Toffolli e o plenário julgou o mérito da ação por 10 votos a 0.

A Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares) divulgou nota lamentando o resultado do julgamento. “A decisão é um ataque aos direitos dos trabalhadores e fere a Constituição Federal e autonomia entre os tribunais. A pauta não é competência do STF e interfere em uma decisão de um Tribunal Superior que rege as relações trabalhistas”, denunciou.

Em decorrência desse profundo ataque do governo Bolsonaro, da empresa e do Supremo, a greve da categoria ganha força em todo o país. Rio de Janeiro e São Paulo já aprovaram a continuidade, que deve ser seguida em todos os estados.

Segundo o dirigente da Fentect Geraldinho Rodrigues, da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, esta semana que entra é decisiva para ampliar a greve. “Nós avaliamos que não haverá retrocesso na paralisação, os trabalhadores de base que estavam esperando o resultado da votação da liminar agora afirmam que vão aderir. Essa semana tantos os sindicatos de todos os estados e as duas federações da categoria pretendem intensificar a mobilização para dar maior visibilidade à luta contra redução de direitos e privatização da empresa”, disse.

Até sexta-feira (21) cerca de 70 mil trabalhadores, a maioria de setores operacionais e de atendimento, já estava parada na greve deflagrada na terça (17), pelos 36 sindicatos estaduais da categoria.

A disposição dos trabalhadores é a manutenção da paralisação por tempo indeterminado até que a direção dos Correios volte atrás nos duros ataques que quer impor aos trabalhadores.

O ataque ao Acordo Coletivo dos trabalhadores se soma também à política genocida e de descaso com a pandemia adotada pela direção dos Correios e aos planos de privatização da estatal. Sem equipamentos de proteção individual adequados, a categoria é uma das mais atingidas pela Covid-19 e cerca de 120 trabalhadores já morreram.

A situação dos trabalhadores dos Correios é muito semelhante a de outras categorias como petroleiros, trabalhadores da Eletrobrás, da Casa da Moeda e outras que estão nos planos entreguistas de Bolsonaro. Em todos os casos, o cenário é o mesmo: retirada de direitos para preparar as empresas para entregá-las ao setor privado. Privatizações que vão significar a demissão de milhares de trabalhadores e piora na prestação de serviços e cobrança de tarifas à população.

A CSP-Conlutas esta lado a lado à luta dos trabalhadores da ECT e contra as privatizações.

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