Governador da Bahia, Rui Costa (PT), defende cobrança de mensalidades nas universidades públicas

Paulo Fróes/Governo da Bahia

Seguindo a mesma política de arrocho de Bolsonaro, o petista meteu a tesoura nas verbas da educação superior e cortou os salários dos professores das universidades estaduais que estão em greve desde o dia 4 de abril

Vander Bispo (Uneb, Salvador), Guto Aragão (Uneb, Alagoinhas), Taylan Santana (pós-graduação Uneb, Santo Antônio de Jesus) e Milena Oliveira (Uefs, Feira de Santana)

Cinco dias após milhões de estudantes, professores e trabalhadores de outras categorias ocuparem as ruas do país contra os cortes na educação anunciados por Bolsonaro, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), em entrevistas com jornalistas, disse que cobrança de mensalidades em universidades públicas não deve ser tabu, com a desculpa de que “não necessariamente o que é bom para a universidade é bom para a sociedade”.

Assim como Bolsonaro, Rui Costa meteu a tesoura nas verbas da educação superior. Entre 2017 e 2018, deixou de aplicar R$ 110 milhões — diferença entre o valor orçado e o empenhado — nas quatro universidades estaduais baianas. Os professores e técnicos destas universidades estão sem reajustes salariais desde 2015. Agora, estão com os salários cortados, por retaliação do governador petista contra a greve das estaduais que teve início no dia 4 de abril. Como agravante, o governador ainda atacou a autonomia universitária, ao suspender a nomeação de Evandro do Nascimento (reitor) e Amali Mussi (vice-reitora), legitimamente eleitos pela comunidade acadêmica da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), em uma clara perseguição ao então reitor diante de sua mais do que justa declaração ao comparar a política de Rui Costa na Bahia com a de Bolsonaro.

Em sintonia com a política econômica de Bolsonaro, Rui Costa apresenta a privatização das universidades como solução dos problemas. Aliás, privatizar é o que Rui Costa sabe fazer muito bem. O petista vem entregando as empresas e o patrimônio baiano de mão beijadas à iniciativa privada. Inclusive, vem aplicando um plano neoliberal mais radical que a velha oligarquia que já governou o Estado.

Hoje, a cervejaria Itaipava controla a Arena Fonte Nova e o Mercado do Rio Vermelho. Todos os hospitais regionais são geridos por organizações não governamentais. O metrô é controlado pela CCR. Todas as rodovias estaduais e federais da Região Metropolitana de Salvador são pedagiadas. Rui Costa é tão descarado, que em uma das peças publicitárias faz questão em dizer que o seu governo é o governo da Parceria Público Privado (PPP). Mas na verdade, trata-se da parceria entre o governo e os grandes empresários contra o conjunto da classe trabalhadora e os seus filhos.

Em sua lógica privatizante, Rui Costa coloca a educação superior como uma mercadoria. Quem tem dinheiro paga, quem não tem fica fora da universidade. É o desmonte da universidade pública, especialmente no seu direito mais essencial – a universalidade de uma educação superior gratuita e de qualidade para todos. Este é o modo petista de governar, em nada se difere da direita. Quando está no poder joga o peso da crise nas costas dos trabalhadores e da juventude. No Piauí, Wellington Dias, também do PT, também aplica uma política de ajuste fiscal que ataca a universidade estadual (UESPI). Na Bahia, não apenas Rui Costa, mas desde o governo Wagner (2006-2014), as universidades públicas são alvos de constantes arrochos orçamentários, e a educação básica apresenta um dos piores índices de qualidade devido o sucateamento das escolas e os ataques aos trabalhadores da educação.

Repudiamos a política do governador Rui Costa e chamamos os professores, técnicos e estudantes das universidades estaduais a seguirem firmes na greve. É importante que as demais categorias de trabalhadores cubram de solidariedade a greve e se mantenham na linha de frente contra toda e qualquer ameaça a gratuidade da educação pública. Desde o PSTU, nos somamos a luta das universidades estaduais, e demais trabalhadores baianos, pois será na ação direta, em luta, que vamos barrar os ataques de Bolsonaro e Rui Costa.

– Educação não é mercadoria. É um direito de todos e dever do Estado!

– Bolsonaro e Rui Costa: tirem suas mãos sujas da educação pública!

– Construir o 30/05 como forte dia de luta em defesa da educação pública!

– 14 de junho é Greve Geral! Vamos parar o Brasil contra a reforma da Previdência!