Chacinas nas periferias de Belém: Tragédias anunciadas

PSTU-PA

Final de tarde deste domingo (19) e a capital paraense, Belém, vive a sua maior chacina, pelo menos na última década. Isto a menos de um mês do pronunciamento do governador Hélder Barbalho (MDB) que, segundo seu levantamento, estava reduzindo a criminalidade no Estado do Pará, com a intervenção da Força Nacional.

Foram 11 pessoas executadas e 1 baleada num bar no bairro do Guamá, dentre os mortos 6 mulheres e 5 homens. Segundo o Jornal da Record TV, foram 41 mortes nesta mesma noite. Os dados assustadores não são revelados para mascarar a falta de política de segurança do Estado.

O governador Hélder, que vive na antessala do presidente Bolsonaro, solicitou as forças nacionais para o Pará com a promessa de combater a criminalidade, uma falácia como tudo no seu governo. O que houve foi o aumento da violência nas periferias de Belém, com vários assassinatos neste ano que são abafados pela imprensa burguesa controlada em parte pelo MDB.

Porém, cotidianamente familiares e amigos das vítimas vêm denunciando esses assassinatos na periferia. Somente neste início de ano já ocorreram 2 protestos, um no bairro da Pedreira e outro na Terra Firme, onde os familiares acusam o envolvimento de policiais militares nos crimes.

A motivação para a chacina pode ter sido uma represália contra a morte de 3 PM’s na semana passada. Tornou-se banal o assassinato de policiais e, em seguida, chacinas nas periferias. A justificativa daquele local ser ponto de venda de entorpecentes é como uma tutela para a ação criminosa.

Fica evidente que a intervenção federal da Força Nacional é um fracasso e está longe de resolver o problema da violência. Ao contrário, aprofunda e provoca mais mortes para o povo pobre e negro. A Polícia Militar é sustentáculo do atual modelo de segurança pública e das milícias. Serve apenas aos interesses dos grandes capitalistas para manter sua dominação sobre os trabalhadores pobres e assim impedir uma explosão social. Por isso a PM precisa acabar e ser desmilitarizada.

Segundo o Atlas da Violência 2018 – Políticas Públicas e Retratos dos Municípios Brasileiros, Belém é considerada a capital mais violenta do país, com 77 mortes por cada grupo de 100 mil habitantes.

As contradições do Estado do Pará são enormes. Com um PIB de R$ 130,9 bilhões em 2017 e uma renda per capita maior de R$ 16 mil é um estado rico, porém a população não usufrui desta riqueza, pelo contrário. Belém é a 4° cidade com maior quantidade de pessoas morando em favela: 758.524 pessoas ou 54,5% da população. Fora o déficit habitacional que só em Belém é de 101.835 moradias.

A ganância do lucro impõe uma degradação cada vez maior para população paraense que vem sofrendo com a falta de emprego. Só no estado já são 12,3% desempregados, não existe nenhum plano de obras públicas. O saneamento do Pará é um dos piores com índices pífios de 1,5%, as escolas estão caindo na cabeça dos alunos, e a promessa de campanha de pagamento do piso dos professores foi só na campanha. A saúde pública cada vez mais caótica, sem leito, medicamentos, enquanto as OS (Organizações Sociais) ganham dinheiro pra administrar os hospitais públicos.

Como se não bastasse esse grau de piora nos serviços públicos e o achatamento dos salários, quando eles existem há o aumento nas tarifas de energia elétrica, gás, combustíveis, passagens de ônibus, etc.

Os governos capitalistas de Bolsonaro (PSL), Helder (MDB) e Zenaldo (PSDB) não conseguem resolver a crise e jogam toda desgraça na costa do trabalhador. No entanto, a classe trabalhadora e o povo pobre da periferia têm se levantado para dizer “não” ao extermínio dos jovens negros da periferia. Não à retirada de direitos! Não ao reajuste das tarifas! Não à reforma da Previdência! Não aos cortes na educação! Pela desmilitarização das PM! Por um plano de obras públicas! Por um governo socialista dos trabalhadores apoiado em conselhos populares!