O Brasil atingiu nesta quinta-feira, 29, a trágica marca de 400 mil mortes pela pandemia, em números sabidamente subnotificados. O real número desse genocídio é bem maior. Em apenas quatro meses, o país superou o número de vítimas de todo o ano de 2020. São trabalhadores, pais, mães, famílias inteiras que, para Bolsonaro, não passam de “CPF’s cancelados”.

São quase 80 mil mortos apenas no mês de abril, numa média diária que se aproxima de 3 mil. Apesar da indicação de desaceleração no número de internações e mortes, apontando para um platô altíssimo que deixa o país no epicentro da pandemia, não há perspectiva de arrefecimento da crise sanitária. Pelo contrário, a reabertura precoce das atividades e o início do inverno podem precipitar a 3ª onda que, na previsão de especialistas, é questão de tempo a chegar por aqui. Ainda mais por conta da vacinação que se arrasta, tendo sido imunizado, até agora, com as duas doses da vacina, apenas 7% da população.

Um genocídio perpetrado de forma intencional pelo governo Bolsonaro, como provou levantamento do Instituto Conectas/USP. E que, se não for impedido, prosseguirá. Apesar de acuado e cada vez mais desgastado, Bolsonaro não aponta qualquer mudança em sua política negacionista, muito pelo contrário. No recente anúncio do corte no Orçamento para incluir as emendas parlamentares usadas como uma das moedas de troca para o apoio do centrão ao governo, a Saúde perdeu R$ 2,2 bilhões.

Entre os cortes da Saúde incluem-se R$ 200 milhões para o desenvolvimento da vacina da USP, anunciada pelo governo horas após a divulgação da vacina do Instituto Butantan. Isso é mais que os R$ 250 milhões previstos no final do ano passado pelo Ministério da Saúde para incluir o “Kit-Covid” na rede de farmácias populares país afora.

Enquanto isso nos estados e municípios se relaxam as insuficientes medidas de isolamento social, mesmo com a esmagadora maioria das regiões ainda com UTI’s em estado crítico, com uma ocupação acima dos 80%.

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Crise social

Junto com o desastre sanitário, o país segue com o aprofundamento do desemprego, a miséria e a fome. Dados divulgados pelo IBGE neste dia 30 mostram a maior taxa de desemprego desde 2012 no trimestre encerrado em fevereiro, de 14,4%. Lembrando que o critério utilizado para o desemprego pelo IBGE é das pessoas que buscavam trabalho no momento, não contabilizando, por exemplo, trabalhadores precarizados ou informais. O número de desalentados, por sua vez, as pessoas que já desistiram de buscar trabalho, também é recorde, com 6 milhões, um crescimento de 26,8% em relação ao mesmo período de 2020.

Situação que não tende a se reverter com o arremedo de auxílio que o governo começou a liberar no início de abril, com o valor médio de R$ 250 que não cobre metade de uma cesta básica. Por outro lado, se tem a inflação dos alimentos e o rendimento médio que caiu 2,5% em relação ao trimestre anterior, com a massa de rendimento real despencando 7,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

Se o quadro de mortes se assemelha ao de uma guerra, com impacto até na expectativa de vida da população brasileira, a situação não é diferente em relação à situação social, com o aprofundamento da fome. Levantamento da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) mostra que, ao final de 2020, quase 20 milhões de brasileiros passavam fome. Nada menos que 116 milhões tinham uma alimentação insuficiente às suas necessidades, mais que a metade de toda a população do país. Isso no país que ocupa o segundo lugar na produção de alimentos do mundo.

Fora Bolsonaro e Mourão

Vacina para todos já, auxílio-emergencial e lockdown

O caos sanitário e social não é provocado pelo novo coronavírus, para o qual já se tem vacina. É produto direto desse governo genocida que prefere mandar os trabalhadores e a população pobre à morte a ir contra os interesses dos banqueiros, grandes empresários, além das suas próprias ambições eleitorais. É urgente arrancar de lá Bolsonaro e a sua corja, exigir vacina para todos com a quebra das patentes dos grandes laboratórios, lockdown nacional com auxílio de R$ 600 (que deveria ser de pelo menos um salário mínimo), estabilidade no emprego sem redução de salários e direitos e ajuda ao pequeno negócio, com crédito e cancelamento das dívidas.

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