Foto FUP

CSP-Conlutas

Os sindicatos de petroleiros em todo o país deram início na quinta-feira (20) às assembleias para decidir os rumos da greve nacional da categoria. Liderados pela FUP (Federação única dos Petroleiros – CUT), que defendeu o desmonte da paralisação, a maioria aprovou a suspensão temporária do movimento à espera da audiência de conciliação com o TST (Tribunal Superior do Trabalho), marcada para esta sexta (21).

De maneira equivocada, uma parcela da FNP (Federação Nacional dos Petroleiros) também indicou o fim da paralisação que chegou ao 20° dia ontem. Assim, bases importantes como no Rio de Janeiro, Norte Fluminense, São Paulo, Litoral Paulista, entre outras, começaram a retomar os trabalhos. Bases em Minas Gerais e Manaus ainda não retornaram.

As assembleias foram bastante polarizadas. É a maior greve da categoria desde 1995, tendo mobilizado mais de 20 mil petroleiros em 121 unidades do sistema Petrobrás em todo o país. Foi essa força que encostou a empresa e o governo Bolsonaro na parede e levou à decisão da Justiça, que suspendeu temporariamente as demissões na Fafen de Araucária (PR). Mas esse adiamento não é definitivo e vai depender do julgamento no TST marcado para 9 de março.

O coletivo “Petroleiros Socialistas”, filiado à CSP-Conlutas, que participou da reunião da Coordenação Nacional no último final de semana, apontou a linha de manutenção da greve e o avanço da mobilização.

No momento em que nossa greve ganha visibilidade e seguia crescendo diariamente, o caminho é intensificar ainda mais a mobilização, aumentar o impacto na produção e mostrarmos nossa força ao inimigo, obrigando o governo e a gestão de Castello Branco a negociar o fim de todos os ataques“, defende Stefhanie Merino, petroleira da RBPC (Cubatão).

O indicativo da FUP-CUT de suspender a greve imediatamente – e apostar na mediação do ministro do TST Ives Gandra – é criminoso. Não é hora de recuar. Precisamos nos manter fortes e unidos, pois não temos nenhuma garantia que os trabalhadores serão readmitidos, que os grevistas não serão punidos por lutar e que os ataques e o processo de privatização serão revertidos“, avaliou.

Maicon Manoel Correa, diretor de base do Sindipetro-LP, também do coletivo Petroleiros Socialistas, destacou: “Não temos ilusão de que na conciliação com o TST a Justiça estará do nosso lado e irá defender os empregos, direitos e a Petrobras 100% estatal a serviço do povo brasileiro”.

No mesmo dia em que a greve foi suspensa a empresa reafirmou que pretende concluir a venda de 8 das suas 13 refinarias até o final deste ano. O lucro recorde de mais de R$ 40 bilhões, também anunciado, é resultado das demissões e desmonte da empresa. O governo está determinado a concretizar a entrega total da estatal ao mercado privado internacional. Aliás, as punições e advertências já começaram a ser feitas pela empresa“, disse.

Segundo o dirigente, os trabalhadores precisam se preparar para retomar a mobilização a qualquer momento se a empresa mantiver os ataques e não avançar na negociação.

Se a reunião de conciliação não resultar no atendimento da pauta dos trabalhadores, o caminho é retomar a greve com mais força. Fiquemos em alerta. Somente uma Greve Geral poderá derrotar os ataques e o processo de privatização imposto por Bolsonaro, Guedes e Castello Branco. Devemos nos apoiar na força da categoria e chamar à unificação com trabalhadores de outros setores que também estão em luta e sob ataques do governo“, defendeu.

Uma greve em defesa do Brasil

A greve nacional petroleira enfrentou a truculência, a repressão e postura totalmente antissindical e contra a organização dos trabalhadores por parte da empresa e do governo Bolsonaro. Os trabalhadores foram assediados, sofreram ameaças de demissões, colocados em cárcere privado, receberam telegramas em casa, advertidos.

Teve ainda um forte boicote dos grandes meios de comunicação que ignoraram uma das maiores greves da categoria durante todo o tempo. Ainda assim, os petroleiros colocaram em debate a gravidade dos ataques e das consequências do processo de privatização que vem sendo colocado em curso pelos acionistas da Petrobras e pelo governo.

Essa política privatista é que está por trás dos altos preços dos combustíveis e gás de cozinha no país, de milhares de demissões e do desmonte de um dos maiores patrimônios do povo brasileiro. Tudo para entregar a Petrobras para multinacionais estrangeiras, em um grave ataque à soberana nacional.

A CSP-Conlutas afirma todo apoio aos petroleiros e petroleiras!

. Pelo cancelamento definitivo das demissões da FAFEN-PR;

. Barrar a venda das refinarias e demais unidades a consequentes demissões em massa;

. Para garantir a venda de combustíveis e gás de cozinha mais baratos;

. Pelo cumprimento do Acordo Coletivo e garantia de direitos;

. Defender os grevistas contra descontos e sanções;

. Impedir a asfixia financeira dos sindicatos;

. Unificar as demais categorias e construir a Greve Geral