Entrevista: “Existe uma revolta muito grande entre os aposentados”

Nesse 29 de janeiro, a Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap) realizou seu Encontro Nacional na cidade de Aparecida do Norte (SP). O Encontro transformou-se em um grande ato por reajuste nas aposentadorias e contra a política do governo Lula para os aposentados. O Opinião Socialista conversou com Benedito Marcílio, ex-dirigente histórico do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e atual dirigente da Confederação que representa hoje cerca de 23 milhões de aposentados e pensionistas

Opinião Socialista – Como foi a manifestação durante o Encontro da Cobap?
Benedito Marcílio – Realizamos uma passeata pelas ruas de Aparecida, seguida de uma sessão solene e um ato ecumênico. No ato, lançamos a “Carta de Aparecida”, cujo primeiro ponto é a reivindicação de reajuste para as aposentadorias no mesmo índice que for concedido ao salário mínimo, inclusive àquelas que excederem o mínimo. Além de que o reajuste seja dado em abril, conforme prevê o Estatuto do Idoso.

OS – Como o senhor avalia a política do governo Lula para os aposentados?
Marcílio – Até o momento, é uma enorme decepção. Existe uma revolta muito grande entre os aposentados. Nem mesmo o Estatuto do Idoso, que o governo mesmo fez, ele segue. Lula se recusa até mesmo a receber os dirigentes dos aposentados. Ele nunca ouviu a Cobap, que representa cerca de 23 milhões de aposentados. Enviamos seis ofícios e nada do governo nos receber. Nossa palavra de ordem em 2006 é “queremos falar com o governo na pessoa do presidente Lula”.

OS – Qual o próximo passo da Cobap na luta pela valorização do mínimo e das aposentadorias?
Marcílio – Estamos convidando toda a sociedade para uma grande manifestação em Brasília no dia 8 de março. Vamos fazer uma passeata e invadir o Congresso Nacional, pois não é somente Lula o culpado por essa situação, os deputados e senadores também têm grande parcela de responsabilidade. Vamos convidar a todos, especialmente as organizações de mulheres, pois esse é o Dia Internacional das Mulheres, a se manifestar em Brasília pelo reajuste dos benefícios. Esse presidente que está aí saiu do chão de fábrica, mas nada fez pelos aposentados. Continua o mesmo e até pior que os seus antecessores. Muitos que andavam por aí com a estrelinha do PT pendurada estão humilhados e revoltados.

OS – O que o senhor acha do novo mínimo do governo Lula?
Marcílio – Outra vergonha nacional. Deveríamos pegar esse salário mínimo e pagar o presidente e os deputados pra vermos como fica. Eles não pagam nem manicure com isso. Além de uma vergonha, é inconstitucional, pois não atende o que prevê a Constituição: as necessidades básicas de uma família.
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