Entrevista com Zé Maria: “Demos a largada em direção ao Conat”

No dia 18 de outubro realizou-se em Brasília a reunião da Conlutas. Além da discussão sobre a situação nacional e as principais campanhas que deverão ser impulsionadas no próximo período, discutiu-se também os preparativos do Congresso Nacional de Trabalhadores (Conat) que ocorrerá de 28 de abril a 10 de maio de 2006, em São Paulo (capital). Entrevistamos o companheiro Zé Maria, membro da Coordenação Nacional e da direção da Federação Democrática de Metalúrgicos de Minas Gerais, que
falou um pouco sobre a organização do Conat

Opinião Socialista: Quais os principais temas tratados nessa reunião a respeito da preparação do Conat?
Zé Maria – Terminamos de definir os critérios para eleição de delegados, pois alguns ítens haviam ficado em aberto no II Encontro Nacional de agosto. Os critérios para os delegados dos movimentos sociais e da juventude serão os mesmos utilizados pelos sindicatos. Cada entidade terá 5 delegados mais 1 delegado para cada 500 trabalhadores da base e 1 para fração de 250. As oposições terão 2 delegados, mais 1 para cada 500 e 1 para fração de 250, mas sua base de representação será o percentual de votos obtido na última eleição aplicado sobre o número total de trabalhadores da categoria. Os delegados serão eleitos em assembléia com quórum de três vezes o número de delegados. Caso não se alcance o quórum, mesmo assim se poderá eleger delegados, mas com um número correspondente a um terço dos presentes na assembléia. A íntegra dos critérios pode ser encontrada no site da Conlutas. Quanto às datas, as assembléias de eleição de delegados deverão ocorrer entre 10 de março e 16 de abril, enquanto as inscrições, que correspondem a um pré-credenciamento, começam já no dia 2 de março e vão até 18 de abril.

Em sua opinião, como fazer essa discussão levando em conta o calendário que vai daqui até a eleição dos delegados?
Zé Maria – O fundamental é que cada sindicato, movimento social e organização de juventude leve o debate para a sua base. A organização que estamos construindo terá tanto mais legitimidade e força quanto mais sustentada em discussões na base forem as suas resoluções. Principalmente as resoluções desse Congresso de fundação que, obviamente, discutirá questões fundamentais, como programa, princípios, estatutos. Feito esse debate, será importante que haja uma socialização da discussão. Além de discutir nas entidades em cada estado ou região, à luz da realidade de cada um, é importante que se organizem encontros, seminários, envolvendo todas as entidades que participam da Conlutas. Para isso, a Coordenação deverá fazer uma primeira sistematização de propostas debatidas na base até final de novembro deste ano e disponibilizá-la para auxiliar o debate nas atividades regionais.

Como estão as discussões? Elas já começaram?
Zé Maria – As discussões estão se iniciando e ainda há muita desigualdade. Em algumas entidades elas estão mais avançadas, mas em outras a discussão na base ainda nem começou. Isso tem que ser superado. É preciso um esforço consciente nesse sentido, por parte dos dirigentes das entidades e das coordenações estaduais da Conlutas. Além disso, devemos também ampliar a participação no Conat, buscando entidades que ainda não fazem parte da Conlutas para se somarem a esse esforço para construir uma alternativa para as lutas dos trabalhadores brasileiros.

A Federação Democrática dos Metalúrgicos de Minas está elaborando uma proposta de estatuto como uma contribuição para as discussões. Na sua opinião, quais as principais novidades nesta proposta?
Zé Maria – Nossa idéia é construir uma nova organização, superior às que existiram até agora. Há, neste sentido, várias novidades na proposta que a Federação está disponibilizando para discussão. A primeira é que a nova organização deve agrupar todos os seguimentos da classe trabalhadora. Pretende, portanto, agrupar além dos sindicatos, os movimentos sociais e populares e também organizações da juventude, estudantil e não estudantil. A segunda é que estamos propondo uma nova estrutura de direção, sob controle muito mais estrito das entidades de base da Conlutas. Não haveria direção eleita em Congresso, nem mandato fixo de dirigentes. A Coordenação Nacional dessa nova organização seria composta por representantes de todas as entidades e movimentos que fazem parte da Conlutas, que poderão tanto manter seus representantes como trocá-los a cada reunião. Os Congressos estariam voltados mais para o debate político, a definição de plataforma e planos de ação.

Mais algum recado?
Zé Maria – Podemos dizer que a partir dessa reunião demos a largada em direção ao Conat. Agora, a tarefa de todos é ir ao Congresso, que pode ser um momento histórico da classe trabalhadora brasileira.

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