Enchentes em Santa Catarina: Uma saída socialista para combater seus efeitos trágicos

PSTU Floripa

Vários municípios do estado de Santa Catarina sofrem neste momento com os efeitos das fortes chuvas. As regiões mais afetadas são a Grande Florianópolis e também o Norte e o Vale do estado. Tivemos o registro de duas mortes até este momento, uma em Balneário Camboriu, outra em Florianópolis, no bairro Itacorubi. Um homem foi levado pelas correntezas no Morro do Quilombo, em Florianópolis, e permanece desaparecido até o momento. Somente em Florianópolis temos 1.230 desalojados e outros 150 desabrigados, segundo informações divulgadas pela Defesa Civil até o fim da tarde desse dia 11.

Vários bairros na Grande Florianópolis nesse momento passam por situações de emergência, com pessoas perdendo o pouco que conseguiram acumular durante uma vida inteira e tendo suas vidas ameaçadas pelas enchentes e deslizamentos, a exemplo dos bairros de Ratones, Rio Tavares, Monte Verde e Rio Vermelho,  na capital,  ou Brejaru, Frei Damião e Caminho Novo, na Palhoça. Nesse momento fica mais nítida ainda a deficiência de toda infraestrutura dessas cidades, a começar pelo transporte público que já é bem precário e piora muito ao operar com menos da metade de seu fluxo normal. Há também a falta de trabalhadores e equipamentos na prefeitura e no governo do estado para realizar as ações de combate aos efeitos da enchente, sendo preciso alugar sem licitação tratores e retroescavadeiras; uma malha elétrica ultrapassada que não resiste a fortes chuvas, deixando muitos lugares sem luz, além do enorme sucateamento dos serviços e das empresas públicas (como Comcap, Casan e Celesc) que poderiam ter um papel bem mais ativo.

As reais causas da catástrofe
Nessas situações, mais do que nunca é possível perceber a serviço de quem estão os governos municipais, estadual e federal. Podemos perceber que o motivo real dessas enchentes causarem tantas perdas materiais e humanas, justamente para os setores mais pobres, de periferia e para a população trabalhadora e negra, é o descaso dos governos que é permanente. A ajuda é muito pouca nessas horas. Mas não só por isso. A prevenção a essas catástrofes praticamente inexiste, embora, infelizmente, sejam recorrentes as grandes enchentes em nosso estado, a exemplo das ocorridas em julho de 1983, em dezembro de 1995, em novembro de 2008 e em janeiro de 2011. Mesmo com todo esse histórico, os políticos, nesse momento, se dizem surpresos, culpando a “natureza” pelas perdas.

Para piorar, quando tomam alguma atitude, os governos se limitam a trazer os desalojados para ginásios e galpões sem o mínimo de dignidade para as famílias, aumentando o sofrimento. Prefeitos, governadores, e, às vezes, até presidentes, tomam medidas demagógicas e midiáticas de vestir casacos ou coletes da defesa civil ou dos bombeiros e sobrevoar áreas de helicópteros. Mas de fato mitigar os problemas dos atingidos que é bom nada fazem de efetivo. Outras autoridades fazem o mesmo. O comando da base área em Florianópolis, por exemplo, ao invés de se colocar à disposição da população, ao contrário, cria todo tipo de dificuldade para que a população possa ter passagem por dentro da base, que nesse momento é, para muitos, o único caminho para suas residências no sul da ilha.

Quando olhamos o orçamento das prefeituras percebemos o quanto não é prioridade o atendimento da população nesses momentos e nem a realização de ações e obras preventivas. Segundo a Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2018 da prefeitura de Florianópolis, comandada por Gean Loueiro (PMDB), está previsto o gasto de R$ 28,9 milhões com dívida pública, enquanto o Fundo Municipal de Emergência e Defesa Civil receberá apenas R$ 3,23 milhões. Segundo a Lei Orçamentária Anual para 2018 da Prefeitura de Palhoça, comandada por Camilo Martins (PSD), está previsto o gasto de R$ 12 milhões com dívida pública, enquanto com segurança pública, que inclui, dentre vários outros gastos, os realizados com defesa civil, a verba destinada será de apenas R$ 10,7 milhões para este ano todo.

Assim é a realidade nas demais prefeituras, no governo Colombo (PSD) ou no governo Temer (PMDB). Colocam em primeiro plano o pagamento das dívidas aos banqueiros, as renúncias fiscais aos grandes empresários e vários outros tipos de privilégios para os ricos e poderosos.

É preciso de fato ter um Plano de Emergência (e para o longo prazo) contra catástrofes
Nesses momentos, conseguimos perceber não só a irresponsabilidade e a ganância dos ricos e poderosos, mas também toda solidariedade do povo trabalhador e pobre para combater os efeitos da enchente. São várias demonstrações de esforço coletivo para tentar barrar o avanço das águas e de solidariedade para tentar salvar vidas e bens materiais tão duramente acumulados, inclusive, o homem que morreu no bairro Itacorubi estava tentando conter os efeitos da enchente na omissão do estado.

Enquanto houver capitalismo as demandas da população pobre e trabalhadora nunca serão prioridades. O PSTU se solidariza nesse momento com todas as vítimas. Apresentamos aqui um programa para garantir uma real ajuda para todos aqueles que foram atingidos e de combate aos efeitos das enchentes. A classe trabalhadora e o povo da periferia já vêm pagando com desemprego, arrocho salarial, retirada de direitos e com o aumento da violência o custo da crise econômica e da corrupção criada por governos e patrões. Agora não poderá ser mais ainda sacrificada. Defendemos:

– Imóveis hoje destinados à especulação imobiliária (aqueles que se incluem como propriedade de especuladores com 5 ou mais imóveis) devem ser destinados emergencialmente para o abrigo das famílias e pessoas desabrigadas e desalojadas com a enchente;

– É necessário suspender imediatamente o pagamento da dívida pública na prefeitura e no governo do estado para garantir mais verbas para o combate aos efeitos das enchentes e para o auxílio aos atingidos;

– É fundamental nesse momento a formação de comitês por bairro e populares para controlar e coordenar as ajudas aos atingidos. Não podemos confiar nesses governos corruptos que não vão deixar de serem corruptos nessas horas;

– As pessoas que perderam tudo ou quase tudo nas enchentes vão precisar de apoio para se reerguer na vida. É importante exigir estabilidade no emprego para elas, que fiquem isentas da cobrança de impostos e taxas públicas pelo menos num período de 2 anos e que tenham a reconstrução de suas casas subsidiadas pelo poder público;

– É fundamental parar de pagar a dívida pública, cobrar os impostos dos grandes devedores e parar com as renúncias ficais e com os subsídios dados aos grandes capitalistas para que tenhamos verbas para um plano de obras que inclua obras de infraestrutura e saneamento ambiental, moradia popular, drenagem e desassoreamento de rios e córregos, garanta sistemas de alerta nas cidades e forneça treinamento para a população para agir nessas situações.

Publicado originalmente no blog do PSTU Florianópolis

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