Em meio à crise da Frente Popular em Recife, PSTU reafirma um programa para os trabalhadores

Na capital do Pernambuco, PT lança candidato biônico e PSOL rompe Frente de EsquerdaRecife (PE) passa por um momento crítico em seu cenário político. Um mar de crise parece estar rondando o palco das eleições municipais. A direita tradicional não consegue fechar suas alianças e apontar um candidato para disputar a prefeitura da capital pernambucana. Ao mesmo tempo, a Frente Popular ainda não terminou sua orquestra de incertezas diante da novela do Partido dos Trabalhadores (PT).

O que deixa evidente com essa realidade é que não há disputa de projeto político para a cidade. A direita e a frente popular já demonstraram – pelas suas trajetórias nas administrações públicas – que tem o mesmo objetivo: garantir crescimento econômico com base na forte exploração, repressão e opressão sob os trabalhadores.

Em paralelo a isso, a frente de esquerda, chamada pelo PSTU para unir os lutadores e lutadoras de Recife, corre o risco de não sair. Ou pior, a direção estadual e municipal do PSOL não entendeu a necessidade e importância da coligação e, por meio de práticas desonestas, acabou com a possibilidade de formar um chapa com o PCB e o PSTU nessas eleições em Recife.

Diante dessa realidade, o PSTU reafirma a pré-candidatura de Jair Pedro como alternativa para os trabalhadores, mas ainda insiste na construção de um Frente de Esquerda Classista com o PCB: Uma frente de oposição de esquerda que denuncie os governos de Dilma Roussef (PT), Eduardo Campos (PSB) e João da Costa (PT); vinculada à luta dos trabalhadores; sem qualquer relação ou apoio financeiro de setores patronais, ou com partidos de aluguel e da direita tradicional.

O partido quer apresentar um programa político que responda aos problemas enfrentados pelos trabalhadores da cidade, mas sem vender a ilusão de que é possível, nessa sociedade, melhorar as condições de vida apenas com uma “administração boa e honesta” da prefeitura.

Humberto Costa, o candidato biônico seguirá o projeto dos ricos
As prévias do PT de Recife não foram democráticas. Os candidatos envolvidos (João da Costa e Maurício Rands) e o tipo de guerra entre eles só deixou evidente que não havia uma disputa de projetos para governar a cidade. O que houve foi uma batalha pelo comando do aparato da prefeitura com seus milhares de cargos comissionados. Tudo para garantir o domínio dos contratos milionários com empreiteiras e prestadoras de serviço terceirizado, das verbas do PAC e de tantos outros recursos federais que nunca são investidos em benefício do povo.

Não bastou o lamentável espetáculo dessas prévias com guerra de liminares e as agressões físicas: Os militantes petistas e os trabalhadores da cidade – que ainda tem referência nesse partido – são obrigados a assistir a uma intervenção política. Agora o candidato do PT para concorrer as eleições em Recife é Humberto Costa, que cumpre um papel vergonhoso de candidato biônico. Com isso, ele abre caminho para Joaquim Francisco (ex-PFL, ex-DEM e hoje PSB), conhecida e odiada figura da direita tradicional do estado e dos tempos da ditadura militar. Com a saída de Humberto, Joaquim assume o Senado.

É evidente que o PT mudou. Tudo é decidido por caciques em negociatas das quais os filiados sequer tomam conhecimento. Seguindo à risca a cartilha das velhas oligarquias da direita tradicional (DEM/ex-PFL, PMDB, PSDB e tantas outras siglas de aluguel), o PT sustenta-se com dinheiro de grandes empresário (muitos deles acusados de corrupção), de parlamentares (muitos deles envolvidos em escândalos) e de relações questionáveis com o Estado.

Quando Humberto Costa foi Ministro da Saúde, no governo Lula, surgiu o episódio da “Máfia dos Vampiros”. Um escândalo que envolvia o tráfico de influência sobre as licitações para a compra de medicamentos adquiridos pelo Ministério da Saúde. Não se provou o envolvimento direto de Humberto com o esquema, mas ficou provado que empresas privadas de saúde tinham muita influência sob o governo e definiam os rumos das políticas do ministério.

Humberto Costa vem para dar continuidade às práticas da velha direita (Mendonça do DEM, Henry do PMDB, Jungman do PPS) com um projeto político de governar para os ricos e contra os trabalhadores. Nesse esquema, há todo tipo de incentivos para empresários e para os trabalhadores, e além de fechar os olhos para a exploração, esses governos reservam a truculência e a repressão. Assim tem sido com os governos Eduardo Campos (PSB) e João da Costa (PT) nas mobilizações estudantis contra o aumento das passagens, na luta dos camelôs pelo direito de comercializarem nas ruas de Recife e nas lutas dos operários de Suape.

Frente de Esquerda:
Ruptura do PSOL não destrói planos do PSTU

Desde o inicio do ano o PSTU vem alertando sobre a necessidade da formação da Frente de Esquerda em Recife. A direção do partido de tudo tem feito para que ela se consolide, ao contrário do que tem mostrado a direção estadual e o comitê municipal do PSOL.

É exemplo disso o próprio lançamento da pré-candidatura de Noélia Brito à prefeitura do Recife, com a presença de Heloísa Helena e de outros partidos de oposição de esquerda no estado (PCB, Partido Pirata) em março deste ano. Eles não convidaram o PSTU para o evento, numa clara postura de exclusão para uma possível coligação nas próximas eleições.

Acreditando que este não era o sentimento dos lutadores e socialistas sérios da cidade, o PSTU continuou chamando a formação de uma Frente de Esquerda. No lançamento do pré-candidato Jair Pedro, em abril, o PSTU convidou oficialmente o PSOL e o PCB para a atividade. Os dois partidos compareceram.

Infelizmente, pouco tempo depois a direção municipal e estadual do PSOL decidiu retirar a candidatura de Noélia Brito utilizando-se de calúnias contra a sua própria militante. O PSTU por sua vez percebeu que, através de suas posturas, Noélia Brito como pré-candidata do PSOL possui as condições necessárias para encabeçar uma frente eleitoral na cidade. Isso porque mostrou uma inflexível oposição aos governos de Frente Popular bem como uma disposição militante de defender o que pensa sem se submeter a interesses escusos e negociatas eleitorais.

Em carta aberta ao PSOL, o PSTU chegou a abdicar da pré-candidatura de Jair Pedro e aceitar ser vice de uma chapa com Noélia Brito do PSOL. Isso porque acredita que uma frente encabeçada por Noélia, tendo Jair como vice, não deixaria espaço para qualquer compromisso eleitoreiro que envolvesse o PT, os partidos da direita tradicional ou mesmo os setores do fundamentalismo religioso que se reúnem em torno de Marina Silva e do projeto da chamada “nova política”.

O PSTU também foi atacado pela direção do PSOL, sendo acusado de querer intervir na autonomia do partido, mas o que fez na verdade foi expressar uma opinião sincera e aberta com o objetivo de consolidar a coligação. A direção do PSOL quis na verdade foi responsabilizar o PSTU pela crise que eles mesmos criaram.

Diante dessa situação, o PSTU afirma que se a Frente de Esquerda com o PSOL não saiu em Recife, toda responsabilidade cabe aos dirigentes do PSOL estadual e municipal. O que a companheira Noélia Brito e vários militantes do PSOL pensam sobre essa decisão já é de conhecimento público. Não se sabe exatamente quais são os interesses que estão por trás desses zigue-zagues da direção estadual do PSOL.

Mas o PSTU continua fazendo chamado ao PCB no Recife para compor uma frente. Uma frente que denuncie os governos do PT e a Frente Popular não só no Recife, mas também na região metropolitana e no interior do estado, pois o PT do mensalão e dos candidatos biônicos é o mesmo em todo lugar, inclusive na presidência. Nada se resolverá sem a luta direta dos trabalhadores, sem campanhas nacionais e estaduais que questionem o modelo econômico levado pelos governos de Dilma, Eduardo, João da Costa. Nada de importante se resolverá sem a luta pelo socialismo.

Dia 27 de junho é a convenção municipal do PSTU, que vai referendar a candidatura de Jair Pedro a prefeito de Recife e firmar um programa dos trabalhadores para a cidade. Participe!

Por uma prefeitura socialista para os trabalhadores

  • Se Pernambuco e o Recife cresceram, os trabalhadores querem sua parte.
  • Recife para os trabalhadores.
  • Verbas públicas só para investimentos públicos.
  • Exigimos um plano estadual de obras públicas para a construção de casas populares.
  • Taxação progressiva de acordo com a renda, extensão da propriedade rural e número de imóveis.
  • Todo apoio às lutas dos sem-teto e sem-terra.
  • Contra a criminalização dos movimentos sociais.
  • Ampliação dos serviços públicos de saúde e educação em Recife.
  • Plano de obras públicas que construa mais escolas, hospitais, postos de saúde, laboratórios estatais para a produção de medicamentos na cidade.
  • Defendemos dobrar a verba destinada à saúde e à educação na cidade.
  • Acesso gratuito à cultura para a juventude pobre.
  • Pela redução nas passagens de ônibus.
  • Passe livre para estudantes e trabalhadores desempregados.
  • Estatização dos transportes públicos no estado sob o controle dos trabalhadores.
  • Por uma política de empregos para as mulheres trabalhadoras, especialmente para as mulheres jovens na cidade.
  • Plano de obras que garanta a construção de creches, lavanderias e restaurantes públicos para liberar a trabalhadora do estado das tarefas domésticas.
  • Licença maternidade de seis meses, obrigatória e garantida pelo estado.
  • Criação de um programa de assistência integral à saúde da mulher na cidade.
  • Punição mais rigorosa para todos os crimes de racismo e homofobia, com pena de prisão.

    PSTU-Recife