Marcha das Vadias de Maringá é exemplo de luta contra a opressão das mulheres

MML teve participação decisiva na marcha

Nesse dia 10 de junho cerca de 400 marcharam contra o machismo na 1ª Marcha das Vadias de Maringá (PR). O Movimento Mulheres em Luta (MML) fez parte da organização e esteve presente em todas as atividades de preparação da marchaAssim como na 1ª Parada Gay da cidade realizada no dia 20 de maio, fez-se bonita a presença e a participação do bloco do MML, CSP-Conlutas, ANEL e PSTU com bandeiras, faixas, palavras de ordem, camisetas e panfletos denunciando a violência contra as mulheres e reacendendo o tema das opressões na sociedade maringaense, já que segundo dados da Delegacia da Mulher, somente no primeiro trimestre deste ano 257 inquéritos foram abertos para apurar casos de agressões contra mulheres na cidade, uma média de 85 casos por mês. Uma triste realidade que as maringaenses compartilham com milhares de brasileiras no país afora.

No ritmo do maracatu e sob o lema “Se ser livre é ser vadia, então somos todas vadias”, palavras de ordem como “a nossa luta é todo dia, somos mulheres e não mercadoria” ou então “Ô, Dilma presta atenção o machismo também está na educação” ecoaram pela cidade questionando a culpabilização das mulheres que sofrem violência e exigindo do governo Dilma mais recursos para aplicação e ampliação da Lei Maria da Penha.

Embora disseminada em todas as classes sociais, sabemos que são as mulheres trabalhadoras e pobres as que mais sofrem com a violência. São essas mulheres que, por necessidade, saem de casa de madrugada para trabalhar ou estudar ou voltam muito tarde do trabalho ou da escola e que são obrigadas a passar por ruas escuras e permanecer em pontos de ônibus mal iluminados expostas ao risco de violência física e sexual. São essas mulheres que são obrigadas a utilizar um transporte público de péssima qualidade para ir trabalhar ou estudar. Além disso, são as mulheres trabalhadoras que mais sofrem com a falta de amparo social do Estado nos casos de violência, porque apesar de uma conquista das mulheres a aplicação da Lei Maria da Penha esbarra na falta de recursos públicos que garantam o atendimento especializado que esses casos requerem.

A lei 11.340/2006, mais conhecida como “Lei Maria da Penha” tornou-se um instrumento importante para ajudar milhares de mulheres que sofrem com a violência: prevê o atendimento policial especializado nas Delegacias da Mulher, a criação de Juizados e Vara Especiais de atendimento aos casos de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e a criação de Casas Abrigo, entre outras medidas. No entanto, a lei não vem sendo aplicada na íntegra, pois o amparo jurídico e social que esse tipo de violência demanda e a punição dos agressores ainda são muito pouco em relação ao problema social que a violência contra a mulher representa.

O governo federal ao invés de responder a isso com mais investimento, reduz os recursos da Secretaria de Políticas para as Mulheres, além disso, corta verbas do orçamento em áreas sociais fragilizando ainda mais a situação das mulheres trabalhadoras, o corte de 55 bilhões no orçamento público federal deste ano afetou principalmente a Educação, Saúde e Assistência Social, todas com influência direta na vida das trabalhadoras brasileiras.

Por esses e tantos outros motivos que em Maringá, homens e mulheres marcharam juntos contra a violência às mulheres, o machismo e por mais recursos para as políticas públicas para as mulheres. E continuaremos a marchar: nesse dia 13 o MML realiza uma atividade cultural com a exibição do filme “Mulheres Perfeitas” seguido de um debate acerca da opressão da mulher no capitalismo e a importância da organização das mulheres. Além disso, a organização da Marcha, da qual fazemos parte, deverá promover no próximo semestre um ciclo de debates sobre a questão da mulher sobre várias perspectivas, como saúde, violência, aborto, entre outras.

– Pelo Fim da Violência contra a mulher! Aplicação e Ampliação da Lei Maria da Penha! Punição dos Agressores, construção de casas-abrigo!

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