Editorial: A ousadia de querer mudar o mundo

O PSTU vai apresentar candidatos conhecidos por suas lutas

Sabemos que não é por eleições que vai se mudar o país. Mas sabemos também como é importante utilizar a tribuna eleitoral para defender essas mudançasA injustiça social que nos cerca é brutal. A burguesia e a alta classe média andam de helicóptero enquanto os trabalhadores gastam de 3 a 4 horas para ir e vir do trabalho em ônibus superlotados. Os ricos são atendidos em hospitais excelentes, os pobres morrem nas filas dos hospitais públicos sem atendimento. Os filhos da burguesia estudam em colégios caríssimos e muito bons, as crianças pobres não têm creches.

Todos sabem dessas injustiças. Elas não podem ser negadas. Mas podem ser disfarçadas. Podem ser atribuídas a que os pobres são culpados porque não “se esforçaram o suficiente”, ou porque são “preguiçosos”. Ou ainda, pode-se escapar da discussão com a desculpa de que “sempre foi assim”.

Os governos do PT fazem isso. Dizem que “afinal” as coisas estão melhorando, porque eram piores com os governos da direita. E é verdade que a direita (PSDB, DEM) sempre dirigiu o país a serviço dos interesses das grandes empresas.

Os trabalhadores em sua maioria acreditam que não são as grandes multinacionais e bancos que dirigem o país, porque o PT chegou ao governo, e compôs um governo dos trabalhadores. Infelizmente não é assim, as grandes empresas nunca lucraram tanto como com o PT. E isso é o motivo pelo qual as injustiças sociais seguem tão presentes na realidade brasileira. Lula e Dilma se apoiaram no crescimento econômico dos últimos anos para dar a impressão aos trabalhadores que o crescimento se devia a seus governos.

Em todos esses anos de governos petistas foi imposto um grande engano aos trabalhadores e jovens. Acreditaram que era possível ir mudando a vida aos poucos através dos governos petistas. O crescimento econômico alimentou essa ilusão. As injustiças sociais continuaram existindo. Mas quem sabe elas ao podiam ir diminuindo, diminuindo até desaparecerem. Afinal Lula estava no governo. Afinal Dilma era a continuadora de Lula.

Mas…os tempos estão mudando
A crise econômica internacional ainda não chegou ao país como uma recessão. Mas já afeta a economia através de uma desaceleração forçada. E é possível que uma nova recessão atinja o país, em um ritmo que nenhum economista sério pode precisar. Com isso as injustiças, sempre presentes, ficam mais visíveis e revoltantes.

A corrupção atinge abertamente o DEM do senador Demóstenes, o PSDB do governador Marconi Perillo. Mas também envolve o governador Agnello Queiroz do PT. Toda a cúpula do PT está diretamente envolvida no escândalo de corrupção com o mensalão.

O programa habitacional do PSDB pode ser simbolizado no Pinheirinho: desalojar nove mil pessoas com repressão violenta para entregar as terras a um só “dono”, o milionário Naji Nahas.

O mais importante programa para educação do PT , o Reuni, é o móvel da maior greve das universidades dos últimos anos, que está parando os professores e os estudantes em todo o país.

Nas eleições de São Paulo, Serra do PSDB do Pinheirinho enfrenta Haddad, ex-ministro da educação do PT. Isso vai se repetir em todo o país, em maior ou menor forma: dois blocos majoritários engalfinhados na luta pelo poder, mas com um programa muito semelhante. Vão tentar convencer mais uma vez a todos que basta votar neles para os problemas desapareçam. E as injustiças vão ficar cada vez maiores.

É hora de mudança
Os trabalhadores e jovens no Brasil começam a ir para a luta. Grandes greves da construção pesada (Jirau, Belo Monte, Comperj, estádios da copa) e civil ( Fortaleza) abalaram as obras no país. Greves do transporte como a do metrô, que parou São Paulo. A juventude universitária nas ruas protagoniza a maior greve estudantil dos últimos anos. O funcionalismo público se articula para uma greve unificada nacional, com os professores na vanguarda.

No segundo semestre existem as campanhas salariais dos setores mais pesados dos trabalhadores como os metalúrgicos, petroleiros, bancários, etc, que podem gerar novas greves de importância.

Na Europa, a crise mostra a dureza dos ataques do capital cortando salários, aposentadorias, empregos. E recoloca em discussão o socialismo. É hora de trazer esta postura para o Brasil. O PSTU vai lançar candidaturas socialistas em todo o país.

O PSTU vai apresentar candidatos que são conhecidos em suas cidades por serem dirigentes sindicais, estudantis e populares. E vai utilizar seu tempo de TV para apoiar as greves que estiverem acontecendo. Vamos mostrar como é possível enfrentar gravíssimos problemas sociais como educação, saúde e transporte desde que enfrentemos o domínio das grandes empresas. Vamos defender o programa socialista, aplicado aos problemas concretos da vida das pessoas. Sabemos que não é por eleições que vai se mudar o país. Mas sabemos também como é importante utilizar a tribuna eleitoral para defender essas mudanças.

O PSTU vai ousar. Vai defender que é preciso mudar o mundo. E conta com seu apoio para esse desafio.