Eleições nos EUA: uma nova cara para a direita republicana

“Uma dama que é uma líder”, disse o analista William Kristol à revista semanal Weekly Standard. “Eu acionaria esta alavanca”, declarou James Dobson, da ONG Focus on the Family. “Ter escolhido Sarah Palin pode entrar para a história política como uma tirada genial de John McCain”, previu David Brody, da rede de TV cristã Christian Broadcasting Network´s.

Após meses lamentando a escolha de seu partido e até mesmo ameaçando não participar da eleição, líderes da direita republicana ficaram nas nuvens com a escolha de John McCain para candidata a vice-presidente dos EUA, a governadora do Alasca, Sarah Palin.

A escolha evidenciou a influência que a direita cristã ainda tem no Partido Republicano, apesar de McCain, que é visto como perigosamente “liberal” pelos conservadores, vencendo a nominação presidencial. “Os dois grupos de delegados que estão mais energizados por Palin”, escreveu Jonathan Martin no jornal de Washington Politico, “coincidiram de ser os autênticos pilares gêmeos do Partido Republicano: ativistas antiaborto e entusiastas da emenda constitucional pró-armas”.

Ao mesmo tempo, a mídia instantaneamente fez a interpretação convencional de que Palin – como a primeira mulher candidata a vice-presidente dos Republicanos e apenas a segunda em todos os tempos nos dois maiores partidos – ajudaria McCain a ganhar os votos das mulheres descontentes com os Democratas porque Hillary Clinton perdeu a nominação para Barack Obama.

Mas há um problema nesta lógica: Palin é uma extremista da direita cristã e não foi isso o que motivou qualquer pessoa a votar em Hillary Clinton.

Palin se opõe ao direito das mulheres ao aborto, mesmo em casos de estupro e incesto, o que a coloca além de McCain. Ela é mãe de cinco crianças, a mais nova um menino de quatro meses nascido depois de Palin saber pelos exames que o feto tinha síndrome de Down.

Palin quer que a fraude criacionista da direita cristã seja ensinada nas escolas. Ela tem uma injusta reputação de ser moderada quanto aos direitos dos gays – vetou uma lei que teria negado benefícios iguais para parceiros do mesmo sexo que fossem funcionários públicos, mas apenas, de acordo com a imprensa, porque a legislação teria sido derrubada nas cortes. Como McCain, ela se opõe aos direitos iguais de casamento.

Palin parece ter ganhado destaque no Partido Republicano no Alasca como apoiadora do racista republicano Patrick Buchanan e das campanhas do grupo conservador América Frist para a nominação presidencial dos Republicanos nos anos 90. Palin “foi uma ativista em 1996, como seu marido”, contou Buchanan a Chris Matthews, da emissora MSNBC. “Ela é uma garota terrível, uma reformista rebelde”.