Metalúrgicos de Campinas e São José dos Campos realizam paralisação

Metalúrgicos de Campinas e São José dos Campos, interior de São Paulo, cruzaram os braços nesse dia 3 de setembro. Os trabalhadores, em campanha salarial unificada, rejeitaram a proposta rebaixada de reajuste salarial apresentada pelas montadoras na última rodada de negociação.

Em São José dos Campos, aproximadamente 5 mil trabalhadores da General Motors cruzaram os braços e participaram da assembléia realizada na início da manhã. Na região de Campinas, os trabalhadores das montadoras também pararam. Foram três mil e quinhentos trabalhadores da Honda, mil e novecentos metalúrgicos da Toyota e oitocentos da Mercedes Benz.

Na última rodada de negociação, o Sinfavea (sindicato patronal) e os sindicatos das montadoras apresentaram a proposta de reajuste de apenas 1,25% de aumento real e o piso de R$ 1.190. Já os metalúrgicos reivindicam reajuste salarial de 18,83% e piso salarial de R$ 1.450, além de reposição automática sempre que a inflação chegar a 3%.

“A proposta da patronal é totalmente insuficiente, por isso os trabalhadores realizaram a paralisação”, afirma Luiz Carlos Prates, o Mancha, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, filiado à Conlutas. O sindicato de Campinas é filiado à Intersindical. O reajuste proposto pela patronal contrasta com o aumento da produção das montadoras no último período de demanda aquecida. A produção cresceu de 25% a 30%.

Sem acordo, uma nova rodada de negociação ocorre no dia 4, quinta-feira. Essas paralisações foram as primeiras da escalada de greve iniciada pela campanha salarial unificada dos metalúrgicos de São José dos Campos, Campinas, Santos e Limeira.

Os metalúrgicos do Paraná, cuja data-base também ocorre em setembro, também estão paralisados. O movimento teve início no dia 1º de setembro.

CUT na contra-mão
Enquanto os sindicatos da base da Conlutas e Intersindical mobilizam os trabalhadores, nos sindicatos da CUT a história é outra. No ABC, por exemplo, maior base metalúrgica da CUT, não ocorreu nenhuma mobilização. Já em Taubaté, o sindicato cutista realizou apenas uma paralisação de uma hora. Na GM de São Caetano, base houve só paralisação de duas horas.

Como se isso não bastasse, a CUT, além de reivindicações rebaixadas, é contra o gatilho salarial. Em acordo com a Fiesp a central prometeu não levantar essa bandeira em suas campanhas salariais.