A Gerdau ataca movimento sindical da mineração

A alta dos preços da tonelada de minério de ferro e os anos de crescimento econômico levaram muitas siderúrgicas a investir na extração mineral. Esse movimento, que chamou a atenção dos economistas, faz parte dos esforços das empresas metalúrgicas em reduzir seus custos de produção e fugir parcialmente da dependência da Vale do Rio Doce.

A CSN, por exemplo, está orçando em mais de R$9 bilhões a expansão da Mina Casa de Pedra, em Congonhas (MG) e outros investimentos na região de Inconfidentes. A Gerdau, por sua parte, adquiriu a Mina Miguel Burnier para alimentar sua usina na cidade de Ouro Branco.

A entrada da grande siderúrgica na mineração foi marcada por uma batalha política e jurídica entre ela e o Sindicato Metabase Inconfidentes, representante dos mineiros da região e filiado à Conlutas. A política da Gerdau era impor ao sindicato o mesmo acordo coletivo firmado com o Sindicato dos Metalúrgicos de Ouro Branco (Força Sindical) que, entre outros problemas, previa a instauração do banco de horas e o turno ininterrupto de oito horas.

Como a Gerdau não conseguia convencer os trabalhadores a aprovarem sua proposta, a empresa alegou intransigência do sindicato. Formou uma comissão de trabalhadores supostamente eleita dentro da fábrica e firmou o acordo coletivo sem o sindicato. Apesar dessa manobra estar em flagrante contradição com a legislação trabalhista, a Gerdau ganhou o direito a fazer valer o seu acordo em decisão de primeira instância da Justiça do Trabalho.

A luta judicial e política contra a Gerdau continua. Mas não surpreende aos lutadores mineiros que a empresa consiga mobilizar em seu favor os políticos tradicionais e o executivo. Nesses tempos de eleição testemunhamos mais uma vez os gordos financiamentos que a Gerdau faz para candidatos de todos os matizes.

Por isso, causou surpresa na região a notícia de que Luciana Genro, personagem identificada desde sempre com a luta dos movimentos sociais, tenha aceitado dinheiro da Gerdau para financiar sua campanha à prefeitura de Porto Alegre. Esse dinheiro foi extraído com o suor dos mineiros de Miguel Burnier, dos metalúrgicos de Ouro Branco e outros trabalhadores duramente explorados em todo o mundo.

A grande multinacional tem amor ao dinheiro e não o joga no lixo. Ela sabe muito bem o quanto é lucrativo investir em candidatos nos anos eleitorais. Todo esse investimento será cobrado com juros dos candidatos eleitos. E quem pagará a fatura será o povo pobre mais uma vez.

  • Não ao banco de horas!
  • Não ao turno de oito horas!
  • Por um acordo coletivo firmado entre empresa e sindicato e aprovado pelos trabalhadores!
  • Trabalhadores, não votem nos candidatos da Gerdau!

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