Eleições internas expressam crise do PT

O boletim prévio sobre as eleições internas do PT, divulgado pelo partido às 20 horas do dia 19 de setembro, aponta um resultado que expressa bem a crise na qual o partido está afundado. A ausência de Lula, tentando salvar sua própria pele, é sintomática.

Os resultados parciais indicam que, pela primeira vez, haverá um segundo turno para decidir quem dirigirá o PT no próximo período e que essa próxima direção será instável, pois nenhuma das correntes terá mais que 50% dos membros do Diretório Nacional.

A primeira prévia da apuração indicou Ricardo Berzoini, do Campo Majoritário, com 42,8% dos votos válidos. Em segundo lugar está Valter Pomar, da Articulação de Esquerda, com 17%. Em terceiro, está Plínio de Arruda Sampaio, da corrente Ação Popular Socialista, com 13,4%. Maria do Rosário, do Movimento PT, tem 12% dos votos apurados. Raul Pont, da Democracia Socialista, tem 12,7%. Markus Sokol, da corrente O Trabalho, possui 1,4% e Luís Gonzaga da Silva, o Gegê, do grupo Movimentos Populares, 0,6%. O resultado definitivo deve sair ainda nesta semana.

Mais do mesmo
Entretanto, apesar do Campo Majoritário perder seus votos para as outras chapas, não há nenhum indício de que a política do partido terá grandes alterações. Grande parte dos votos que foram para Valter Pomar, por exemplo, foi conseguida pelos apoiadores da ex-prefeita Marta Suplicy em São Paulo, que eram base do Campo Majoritário.

Um grande exemplo de como o partido não mudou é o próprio processo eleitoral. Enquanto os petistas alardeiam para a mídia que o quorum foi superado, que as eleições do partido tiveram grande participação da base militante, diversas denúncias também são divulgadas sobre irregularidades no processo. O voto de cabresto foi a regra, com dirigentes regionais buscando pessoalmente os filiados em casa para votar e pagando por eles a contribuição anual devida ao partido. Muitos que estavam sendo levados pelas vans do partido sequer sabiam quem eram os candidatos. Alguns ficaram surpresos de saber que são filiados ao PT. Com esse operativo, não era difícil atingir o quorum…

Tarso Genro, atual presidente do PT, afirmou que as denúncias de irregularidades não vão interferir no processo. “Meia dúzia de recursos não vão desconstituir essa enorme vitória do PT de realizar uma eleição com essa dimensão no momento que estamos vivendo“, disse Tarso.

Pleito fúnebre
A previsão dos petistas é que a chapa de Berzoini, que em 2001 saiu das urnas com 52%, fique com 45% do Diretório Nacional e que a nova direção tome posse logo após o segundo turno, e não em novembro, como era previsto.

Mas o resultado é a menor conclusão dessa história. As eleições e os métodos do processo são somente uma gota d´água na crise petista desencadeada pelos escândalos de corrupção encabeçados pelo partido. O PT morreu como direção das massas. É agora um partido como os outros, uma máfia de cargos, cujo objetivo é a disputa pelo aparato do regime democrático burguês. As eleições internas apenas estão decidindo quem é que vai carregar o defunto.