UNE e UBES tentam acordão para deter luta contra aumento da tarifa em Salvador

Estudantes foram às ruas assim que souberam no aumentoNa última sexta-feira, 16/09, os trabalhadores e estudantes de Salvador foram surpreendidos pelo reajuste das tarifas dos ônibus. A tarifa que não sofria reajuste desde 2003, por causa das jornadas de lutas dos estudantes que ficou conhecida como a Revolta do Buzu, teve seu aumento liberado pela Justiça. A liminar que prevê ao sindicato das empresas de transporte (Setps) aumentar a tarifa garante um reajuste de 46,79% o que significa que a tarifa atual, que custa R$ 1,50 passará para R$ 2,20.

As traições da UNE e UBES anteciparam as mobilizações
Assim que a notícia do aumento chegou às escolas, ainda na sexta-feira, uma série de manifestações espontâneas ganharam as ruas. Uma passeata em especial mostrou rapidamente de que lado estariam as entidades chapa-branca. Em um ato construído pela UNE e pela UBES, com a presença de seus presidentes, o clima de revolta e indignação foi substituído pelo mesmo cheiro de pizza que toma conta do Congresso Nacional. Ao terminar o ato, onde era proibido falar em passe-livre, a UNE, a UBES, a juventude do PT, do PCdoB/UJS e do PMDB (todos esses partidos compõem o governo municipal) se reuniram com a prefeitura e com as empresas de transporte para chegarem a um ´´acordo“.

O acordão da UNE e UBES
No final do sábado, 17, foi anunciado o acordo: a tarifa estaria congelada por 30 dias, até que um conselho composto pela prefeitura, pelos pelegos da UNE/UBES, pelos empresários e por ‘representantes da sociedade civil organizada´ chegassem a um consenso sobre o aumento da tarifa. A traição da UNE/UBES tinha um objetivo claro: desmobilizar os estudantes.

Estudantes na rua, a luta continua!
Ao contrário do que esperavam os pelegos da UNE/UBES, na segunda-feira, 19/09, os estudantes saíram às ruas em dezenas de manifestações por toda a cidade. Em uma dessas manifestações a Conlute esteve presente, junto com os estudantes do Cefet e de Grêmios de escolas estaduais, denunciando o acordão, exigindo o passe-livre e gritando em alto e bom som: a UNE/UBES não falam em nosso nome. Com palavra de ordem do tipo: ´´Chega, chega, chega de mutreta. Ou dá o passe-livre ou pulamos a roleta“ e ´´Esse aumento não pago não. Porque meu pai não recebeu o mensalão“, os estudantes pararam a Lapa, uma das maiores estações de transbordo e mostraram disposição e combatividade para passarem por cima das direções traidoras e arrancar da burguesia o passe-livre. A Conlute, junto com os Grêmios, estará puxando outros atos, assembléias e debates nas escolas. A luta continua!