O ano começou com a popularidade de Bolsonaro despencando, trazendo de volta a pauta do impeachment e alavancando panelaços, carreatas e até ações presenciais. “Fora Bolsonaro e Mourão!” voltou para sacudir o equilíbrio instável que o governo tinha conseguido ao capitalizar o auxílio emergencial e ao emplacar sua narrativa contrária ao lockdown, ajudado pelas quarentenas fakes dos governadores.

O presidente genocida continuou sua pregação a favor da disseminação da pandemia promovendo aglomeração, fazendo questão de não usar máscara, desdenhando das vacinas e espalhando fake news. Mas a campanha antivacina não pegou como ele queria. Por um lado, banqueiros e grandes empresários, que pouco se importam se as pessoas morrem e pressionam contra o lockdown para a economia não parar, querem acumular capital e passaram a defender a vacinação.

Já a população, os trabalhadores, os desempregados, a juventude e os pequenos empresários também querem vacina. Porém o governo está muito atrasado, após ter distribuído cloroquina e permitido tragédias como a de Manaus. Diante do descalabro geral e vendo a derrota de Trump nos Estados Unidos, um setor da própria classe dominante passou a considerar a possibilidade de impeachment.

Já o governo, sem dó e nem piedade, primeiro cortou pela metade e depois terminou de vez com qualquer auxílio emergencial, jogando milhões na miséria. Como se não bastasse, uma empresa enorme como a Ford fechou as portas no Brasil após 100 anos de subsídios e mamatas, jogando 5 mil trabalhadores na rua. Tudo isso em meio a uma enorme carestia de vida.

O início da vacinação, por obra do Instituto Butantan, apesar e contra Bolsonaro e Pazuello, abriu uma janela de esperança para a população, e a indignação contra Bolsonaro cresceu.

Nos braços do centrão

Ao eleger seus candidatos no Congresso, Bolsonaro impede por ora a tramitação de qualquer pedido de impeachment ou CPI contra seu governo. Foi, então, uma vitória política de Bolsonaro, mas principalmente dos deputados e dos partidos do centrão.

Não que o candidato de Rodrigo Maia, apoiado de forma vergonhosa pelo PT e pelo PCdoB e quase apoiado pelo PSOL, fosse botar para andar algum dos mais de 60 pedidos de impeachment que mofam na gaveta. Pelo contrário, Maia sequer foi capaz de instalar uma CPI para investigar a responsabilidade do governo sobre Manaus e a condução da pandemia. Nesse sentido, Bolsonaro é mais refém do centrão do que de Maia. De imediato, contudo, o governo ganhou um fôlego para seguir sufocando o Brasil.

Em especial, ganhou o apoio da maioria da burguesia contra um impeachment agora, apostando que o governo, com apoio do Congresso, vai entregar parte das suas exigências: parar de ser contra as vacinas e principalmente entregar reformas que continuem jogando a crise nas costas dos trabalhadores, do povo pobre e dos pequenos empresários. É por isso que Bolsonaro agora mente dizendo nunca ter sido contra as vacinas.

Ocorre que a dura realidade é que a vacinação está lenta demais e a pandemia completamente descontrolada. O país corre o risco de se tornar uma imensa Manaus e chegar rapidamente aos 300 mil mortos.

A campanha pelo “Fora Bolsonaro e Mourão” precisa crescer e ganhar as ruas

A campanha para botar pra Fora Bolsonaro e Mourão; por vacinação para todos já com a quebra das patentes; e pela volta do auxílio emergencial de R$ 600; precisa crescer e se ampliar. Da mesma maneira, é necessário lutar contra a carestia, pela soberania do país contra a entrega da Petrobras, dos Correios, da Eletrobrás, do Banco do Brasil etc. Bolsonaro e esse governo militarizado e associado ao centrão estão arrebentando e acelerando de vez a entrega do Brasil, além de destruir a Amazônia e o meio ambiente.

Esse é o caminho para botar abaixo esse governo. Nesse sentido, a estratégia de jogar tudo para as eleições de 2022, priorizar a ação parlamentar e a aliança com a classe dominante e seus partidos para administrar o Estado ou a defesa de “frente ampla” com setores burgueses para governar o Brasil de acordo com os interesses dos banqueiros e grandes empresários é um desastre duplo.

Esse caminho não joga a energia necessária na mobilização, para entrar num jogo de administração da ordem, favorecendo o governo a recuperar o fôlego. Quem defende frente ampla com programa nos limites do sistema de fato abre mão de mudar o Brasil para valer. Esse caminho já vimos, e o Brasil continua o mesmo país desigual de sempre, no qual a maioria do seu povo sequer tem acesso à moradia e ao saneamento.

Um projeto socialista

Para garantir soberania alimentar, sanitária e econômica; para garantir vacina, emprego, salários decentes, auxílio emergencial, reforma agrária, defesa do meio ambiente, defesa dos indígenas e dos quilombolas; pôr fim à violência contra mulheres, negros e LGBTs; impedir todo autoritarismo; e fazer com que os ricos paguem pela crise; devemos lutar por outra sociedade, na qual o objetivo não seja o lucro e a acumulação de capital por um punhado de bilionários, e sim emprego, salário, terra, teto, educação, saúde e soberania.

Para mudar o país de verdade, precisamos que os trabalhadores, a juventude e o povo pobre da cidade e do campo tomem nas suas mãos o nosso destino. Precisamos de um governo socialista dos trabalhadores, que governe em conselhos populares.

A hora é de fazer avançar a luta aqui embaixo. Unidade para lutar!

Nessa mobilização, vamos construir uma alternativa socialista e revolucionária.

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Para garantir Vacina para todos é preciso botar pra fora Bolsonaro, Mourão e Pazuello!