Depoimento | Sobre a visibilidade trans

Pagu, do Rebeldia-SP

Janeiro é o mês da visibilidade trans. Num momento como esse, em que o Brasil é campeão de assassinatos de pessoas trans, em que vereadoras estão sofrendo tentativas de agressão e morte,  em que Bolsonaro e Mourão tem uma política LGBTfóbica e genocida, em que trabalhadores e trabalhadoras transexuais e travestis estão na maioria em subemprego ou na prostituição, precisamos lutar pela visibilidade todos os dias! E mesmo com toda essa situação difícil, não saímos da luta, não baixamos nossa cabeça e lutamos para que possamos ser o que a gente quer, que tenhamos uma vida digna sem opressão e exploração.

Eu nem sei bem como começar a falar o quão importante é este dia. Como todas as outras coisas que a gente pode, a transição foi idealizada de diversas maneiras até eu chegar aqui. Passei por uma destransição por ouvir de gente sem caráter que eu vestia essa luta como quem veste uma camiseta de banda sem saber cantar (pasmem, uma dessas pessoas é uma mulher trans também)! Mas hoje eu entendo que eu me dava sinais de quem eu sou há anos.

Não tenho que me enfiar dentro das caixinhas da binariedade, não preciso performar masculinidade e muito menos estar nos parâmetros das dicotomias que a sociedade nos impõe. EU SOU homem com T maiúsculo!

Meu corpo é político, é luta, poesia.  Dentre uma poesia de corpo e alma (ou pelo menos a que achava que fosse) de um amor para o outro, uma luta atrelada à outra e consciência política, meu corpo também é festa, é calmaria. Somos mais que nossas genitálias, mais que nossas lutas,  mais que números no topo da lista de corpos mortos e marginalizadas e com certeza, mais do que vocês pensam.