Editora Sundermann faz 10 anos

Em uma década, editora lançou 65 títulos, entre clássicos do marxismo e obras inéditas

Em 2013, a Editora Sundermann comemora dez anos. Mas as comemorações vão para além dos anos constituídos enquanto editora. Comemoramos, sobretudo, o projeto político-editorial solidificado até este momento. O PSTU impulsionou a criação de sua editora para, dessa forma, continuar e aprofundar uma política de formação e comunicação, com iniciativas como a revista Marxismo Vivo, o Instituto Latino-Americano de Estudos Socioeconômicos (ILAESE), o Arquivo Leon Trotsky e o próprio jornal Opinião Socialista.

A demanda foi maior que a esperada e, assim, o trabalho seguiu fortalecido nesses dez anos. Já publicamos mais de 65 títulos, somos a única editora a publicar as obras de Nahuel Moreno e a que mais publicou Trotsky no Brasil.

Publicamos obras importantes, entre as quais destacamos: “História da Revolução Russa”, “Revolução Traída”, “Programa de Transição” e “A teoria da Revolução Permanente”, de Trotsky. Uma verdadeira proeza no mercado editorial da esquerda no país. Em relação a Moreno: “O partido e a revolução”, “Os governos de frente popular na história” e “A ditadura revolucionária do proletariado”, além dos clássicos como o “Manifesto Comunista”, de Marx, e de Lenin, “O Estado e a Revolução – A revolução proletária e o renegado Kautsky” e “Últimos escritos e diário das secretárias”.

Desde o início de nosso trabalho, também tivemos a preocupação de pautar o tema de opressões. O livro “O gênero nos une, a classe nos divide”, de Cecilia Toledo, já teve quatro edições. O livro de Hiro Okita, “Homossexualidade, da opressão à libertação” é um documento de 1981 que já combatia a homofobia e sua intrínseca relação com o sistema capitalista ainda no período ditatorial.

Não nos calamos frente aos ataques das privatizações. Temos em nossa linha editorial textos sobre a Vale do Rio Doce, a Embraer e a Petrobrás. Refletimos sobre a situação precária da educação pública nos ensinos básico e superior.

Publicamos sobre o papel dos sindicatos e sobre o combate à burocratização. Aprofundamos o debate econômico no período de crise financeira. Lançamos obras que debatem a causa Palestina, como o clássico “História oculta do sionismo”, de Ralph Schoenman, entre outros títulos que pautam o socialismo e a revolução proletária. Mas, acreditamos que esse histórico é só o começo.

O papel estratégico da Editora no Partido Revolucionário
A prática política é indissolúvel da teoria revolucionária. O partido revolucionário não é um grupo de intelectuais que se debruça abstratamente sobre a teoria marxista, mas também não é um mero agrupamento de pessoas que lutam bravamente pelas conquistas econômicas e imediatas da classe trabalhadora e da população explorada. É sobretudo um instrumento de luta pelo poder.

Não se pode vencer o inimigo sem conhecê-lo, ou seja, não se pode lutar contra a burguesia sem conhecer a fundo como ela exerce seu poder econômico e político, tarefa para a qual o marxismo se mostrou, até hoje, o instrumento mais capaz.
A burguesia se organiza mundialmente em torno de governos imperialistas, blocos econômicos e agências internacionais, além de sobreviver graças às forças armadas de cada um dos países que controla e de governos subservientes dos países periféricos do capitalismo. A toda essa força, devemos opor uma organização internacional, forte e que reúna em suas fileiras o melhor da vanguarda proletária mundial.

Um exército de revolucionários munidos das ferramentas necessárias e que vá para ação disposto a disputar os corações e mentes das massas trabalhadoras. Uma dessas ferramentas é, sem dúvida, a teoria, que nos permite entender a realidade em que atuamos, suas contradições e a correlação de força entre as classes, para as quais devemos dar respostas científicas, caso queiramos acertar nossas políticas.

Entendemos que o papel da Editora não se resume a publicar e vender livros. Nossa linha editorial é uma arma ideológica para disputarmos a consciência das massas, elevarmos nossos níveis teórico e político e, assim, fortalecer o partido.
No dia a dia, é preciso, cada vez mais, nos dedicarmos às leituras teóricas, pois escutar com atenção debates, falas políticas e discussões acaloradas sem entender as polêmicas a fundo faz com que as dúvidas passem despercebidas e os questionamentos teóricos fiquem para outra hora.

Diariamente, somos bombardeados com a ideologia burguesa e reformista, ataques políticos são feitos e, às vezes, os entendemos de maneira superficial. Ao não nos dedicarmos à leitura teórica e ao estudo diário, colocamos em risco o próprio marxismo, que sofre com o revisionismo e distorções teóricas para justificar grandes traições à classe trabalhadora.

Ao nos fortalecermos teoricamente, nos fortalecemos enquanto militantes, melhoramos nossa agitação, propaganda e avançamos na solidificação do nosso programa revolucionário. Nossos objetivos vão além de melhorias nas universidades e na relação trabalhador/patrão. Almejamos uma transformação econômica e social. Para construir o partido, não podemos ter uma relação artesanal com a teoria ou nos perdemos frente as nossas táticas e estratégias.

Outros livros virão…
Queremos avançar na publicação dos clássicos e explorar mais, editorialmente, a literatura como uma ferramenta contra-hegemônica.

Em dezembro de 2012, lançamos um novo selo editorial, Outra Margem, juntamente com o primeiro título: Ventania do Infinito. O selo nos possibilitará uma aproximação com diferentes públicos que veem o sistema capitalista da mesma forma nefasta, mas que traduzem essa realidade poeticamente, de forma romanceada e literária.

Em comemoração ao aniversário da Editora Sundermann, estão previstos os seguintes lançamentos: “A biografia de Marx”, de Franz Mehring; “Coletânea de textos de 1917”, de Lenin; “A história do trotskismo norte-americano”, James Cannon e “O partido bolchevique”, de Broué.

Post author Jorge Breogan e Martha Piloto, do Conselho Editorial da Editora Sundermann
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