Prefeitos assumem e esquecem promessas de campanha

Nas eleições foram feitas inúmeras promessas de melhorias para a população. Com o início dos mandatos municipais, vem a olho nu o contraste entre as promessas de campanha e as primeiras medidas dos prefeitos. O ano começa com declarações dos novos prefeitos de que não poderão cumprir suas promessas por falta de recursos. O argumento são os caixas vazios das prefeituras e dívidas impagáveis com a União.
Na capital paulista, segundo o próprio ex-prefeito Gilberto Kassab, as prestações anuais da dívida pública passam dos R$ 4 bilhões, algo como 13% da receita. Já a dívida total soma mais de R$ 50 bilhões.

A dívida dos municípios com a União é um enorme escoadouro para onde vão os recursos que, por fim, servem ao pagamento da dívida pública com os grandes agiotas internacionais. Reflexo imediato disso é o aprofundamento da precarização dos serviços públicos prestados pelos municípios, como Saúde e Educação.

Haddad: Arco de alianças contraria expectativas
Na maior cidade do país, o candidato do PT foi eleito com base em uma enorme expectativa, fruto do rechaço da população à política higienista de Kassab. É a expressão do desgaste da política de criminalização da pobreza e da miséria, que Kassab impôs em parceria com o governo Alckmin, que incluem o genocídio da juventude negra, as remoções forçadas e os incêndios criminosos nas favelas.

As alianças que o PT construiu para governar vão no sentido contrário das mudanças esperadas. Além do PT, PCdoB, PMDB, PSB, PP, PV, PTB, PHS, PR e PRB ,o governo agora conta com o apoio da bancada do PSD e também com a simpatia do DEM. Isso significa um arco de aliança com Russomano, Kassab e com o corrupto procurado internacionalmente, Paulo Maluf.

Haddad tem que romper com o PP
Cinquenta e sete milhões de reais é a quantia que, segundo a Corte de Jersey, Paulo Maluf tem que devolver aos cofres públicos de São Paulo. O prefeito eleito Haddad tem a obrigação de garantir que a sentença seja cumprida.Ou seja, confiscar os bens de Maluf e garantir que sejam ressarcidos os valores para a população de São Paulo. E que Maluf seja preso.

Infelizmente, Haddad tem feito o oposto. Ao mesmo tempo em que corta o Orçamento da prefeitura em 12%, afetando a Saúde e a Educação, Haddad, para retribuir o apoio de Paulo Maluf à sua campanha, não só ignora a sentença como presenteia o PP (partido de Maluf) com a Secretaria de Habitação, uma das mais importantes e cobiçadas pastas de seu governo.

Não às remoções e regulamentação das áreas ocupadas
Entregando a pasta da Habitação nas mãos de Maluf, Haddad vai na contra-mão de qualquer solução para o problema da moradia em São Paulo. Será difícil até mesmo cumprir sua promessa de campanha de garantir a construção de 55 mil moradias (que já era insuficiente) já que atualmente a cidade conta com 800 mil famílias em situação de risco. A especulação imobiliária e a explosão dos preços fazem com que cerca de 450 mil pessoas vivam, hoje, em favelas e cortiços. E enquanto isso, a cidade conta com, no mínimo, 400 mil imóveis vazios.

Devemos exigir que Haddad retire a pasta da Habitação do PP de Maluf e que suspenda imediatamente as remoções e reintegrações de posse das áreas ocupadas. Devemos exigir, também, a regulamentação e verbas públicas para garantir moradia decente para população pobre e trabalhadora!

Passagem vai aumentar em São Paulo
Uma das promessas de Haddad foi o Bilhete Único mensal, que custaria R$ 140, já em 2013. A promessa buscava apontar um barateamento do preço das caríssimas passagens de ônibus e Metrô em São Paulo. No entanto, além de não garantir a medida, a prefeitura deve autorizar um novo aumento nas tarifas de ônibus, em junho. Já o metrô vai subir em abril. Ou seja, além de não ter o tão aguardado bilhete, os trabalhadores e a juventude terão que gastar ainda mais de sua renda com transporte.
Devemos nos mobilizar e exigir que Haddad não aumente o transporte público e congele as passagens já!

Construção imediata de creches para todas as crianças
Outro problema que castiga a população, principalmente as mulheres, é a falta de creches. Haddad prometeu o fim da fila nas creches e mais aulas. Disse até, em uma entrevista à TV, que desapropriaria terrenos para construir mais creches. No entanto, nada foi feito até agora fazendo com que 145 mil crianças permaneçam esperando nas filas por creches.

Nos poucos dias em que está à frente da prefeitura, Haddad já mostrou que não é possível governar para todos.

Post author Ana Luiza, ex-candidata à prefeitura de São Paulo pelo PSTU
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