E agora, Dilma?

Pinheirinho, vinte dias depois…Já se passaram quase três semanas desde a brutal desocupação do Pinheirinho pela polícia enviada pelo PSDB de Alckmin e Cury. Não existe nenhuma solução política para o caso e o impasse continua.

O PSDB apostou na combinação de uma repressão violenta com uma operação de mídia para transformar a ação da polícia em “pacífica”, e criminalizar os moradores associando-os ao narcotráfico. Com isso Alckmin e o prefeito tucano Cury aplicariam seu plano de entregar a área para a especulação imobiliária, e engordariam sua caixinha eleitoral com as doações de Naji Nahas. Além disso, derrotariam um exemplo de insubordinação, a maior ocupação de terras urbanas do país.

Para isso, contaram com a justiça brasileira, que permite o escândalo de uma determinação estadual prevalecer sobre a justiça federal, e ficar tudo por isso mesmo. A mesma justiça que libertou o bandido milionário Naji Nahas, determinou que 2 mil polícias massacrassem os moradores do Pinheirinho.

Um emocionante movimento de apoio ao Pinheirinho
Não contavam, porém, com a repercussão nacional e internacional da resistência dos moradores do Pinheirinho. Houve uma reação emocionante no Brasil e no mundo. Uma campanha de massas contra a monstruosidade social e policial que está se cometendo em São José dos Campos (SP). Algo que não se via há muitos anos, mobilizando unitariamente sindicatos, entidades estudantis e populares, artistas e intelectuais.

Aos poucos a farsa da operação “pacífica” da polícia veio abaixo. As denúncias dos moradores sobre a violência policial foram documentadas em inúmeros vídeos, e correram o mundo. Depois de mais de dez dias conseguimos encontrar o senhor negro que aparece sendo espancado pela polícia em um dos vídeos. Está na UTI de um hospital com traumatismo craniano. Duas moças prestaram depoimentos relatando abusos sexuais de policiais da Rota, que as estupraram em um carro de polícia, e ameaçaram empalar um jovem com um cabo de vassoura. Enquanto isso, a juíza Márcia Loureiro declarava cinicamente que a ação da polícia foi “admirável”.

Foram realizados atos em praticamente todas as capitais do país. Da mesma forma, houve manifestações em dezenas de outros países. Em São José dos Campos se realizou o maior ato da cidade em 20 anos, só superado pelas mobilizações Fora Collor de 1992. Está ocorrendo um desgaste político forte do PSDB, muito maior do que eles imaginavam.

O impasse atual
A vida dos moradores desalojados virou um inferno, como se pode ver nas reportagens das paginas seguintes desta edição. Fazer as coisas básicas da vida se transformou em um martírio para quem tinha uma vida estruturada em um bairro organizado como o Pinheirinho.

Os jornais e redes de TV, que foram obrigados a noticiar o Pinheirinho no início, pela comoção nacional que existia, tiraram o tema da pauta. Tentam fazer desaparecer o tema, que segue incomodando.

O PSDB de Alckmin e Cury, percebendo o desgaste, apresentou um plano de habitação em São José que promete construir 1.100 apartamentos em 18 meses com prioridade para os moradores do Pinheirinho e uma bolsa aluguel de R$ 500 reais por seis meses. Os moradores do Pinheirinho, no entanto, não conseguem alugar nada por R$ 500 na cidade, além de não ter nenhuma garantia de que as promessas de apartamentos se cumpram. É apenas uma jogada do PSDB para escapar do desgaste já bastante evidente.
Mas o Pinheirinho segue vivo. O movimento popular permanece organizado e atuante com os moradores, assegurando a campanha de solidariedade. E continua vivo no país, com a continuidade da onda de apoio, mesmo fora da mídia.

Dilma: repúdio real ou cumplicidade?
Dilma classificou como uma “barbárie” a ação do PSDB no Pinheirinho. Inúmeras declarações nesse sentido foram dadas por parlamentares e dirigentes do PT. No entanto, até agora nada foi feito. Já se passaram quase três semanas da desocupação.
O PT age, até agora, como se não ocupasse o governo federal e detivesse o poder de Estado. Dilma pode usar o instrumento jurídico da desapropriação por interesse social das terras do Pinheirinho. Basta querer fazê-lo. Se desapropriar o terreno, mostrará uma diferença real com o PSDB.

Em casos como esse, não existe meio termo. Alckmin e Cury agiram a favor de Naji Nahas. Ou Dilma age a favor dos moradores, desapropriando o terreno, ou terminará como cúmplice do PSDB. A omissão do governo federal pode acabar tendo o mesmo efeito objetivo da “barbárie” do PSDB. Uns assumem a repressão, outros deixam fazer. O desgaste que já atinge Alckmin e Cury vai terminar por chegar até Dilma.
O movimento do Pinheirinho vai continuar em defesa da moradia. Com a palavra, o governo Dilma.