Dirigentes sindicais sofrem ameaça de morte na Colômbia

Sindicalistas colombianos militantes do PST, estão sendo ameaçados de morte. O partido está realizando uma grande campanha denunciando as ameaças. O assassinato de sindicalistas no país é uma triste rotina. Por isso, a única maneira de defender os companhEm 31 de agosto e 1º de setembro últimos, chegaram panfletos de ameaça de morte contra os companheiros Jairo Del Rio e Deivis Blanco, presidente e vice-presidente, respectivamente, do Sindicato dos Trabalhadores de Tubos do Caribe (Sintratucar), da multinacional Tenaris. Imediatamente, a direção sindical desencadeou uma ampla campanha de denúncia desta situação às organizações de trabalhadores e democráticas do país e em nível internacional, unindo esta atividade a tarefas de mobilização constante dos trabalhadores em comícios nas portas de fábrica e expressando sua disposição a paralisar as atividades trabalhistas frente a qualquer atentado contra os companheiros.

Adicionalmente, adiantaram-se as ações legais, sem alimentar ilusões, pois é conhecido o comportamento cúmplice ou a negligência, em muitos casos, por parte das autoridades estatais diante destas ameaças a dirigentes operários e populares. A campanha recebeu uma resposta inicial, de apoio e solidariedade, que destacamos. Sendo impossível detalhar a listagem completa de organizações e personalidades que se pronunciaram à empresa e ao governo nacional, destacamos as primeiras que chegaram:

  • Portugal: João Pascoal, coordenador da Comissão Nacional de Trabalhadores do Banco Santander de Portugal
  • Canadá: Todd Frayn, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos (United Steelworkers Local 9548)
  • Brasil: Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas)
  • Peru: Rony Cueto (Secretário Geral dos Mineiros Contratados da Shougang), José Sandoval Elías (Secretário de Defesa da Confederação Geral dos Trabalhadores do Peru)

    Impõe-se aprofundar a campanha, apresentar este fato a todas as reuniões, assembleias operárias ou populares que ocorrerem, ganhar o mais amplo sentimento de rejeição e repúdio a estes métodos de perseguição ao movimento operário, e organizar e levar a cabo todas as ações de mobilização possíveis, pois de sua dimensão, permanência e continuidade dependerá que a patronal e os agentes diretos e intelectuais das ameaças desistam de seus propósitos e se encontrem soluções às demandas apresentadas pelos trabalhadores.

    Rechaço do PST às ameaças de morte
    A seguir, extratos da carta aberta enviada pela Direção Nacional do PST diante das ameaças de morte aos companheiros do Sintratucar em Cartagena:

    “Até onde nos consta, todas as atividades desenvolvidas pela direção sindical do Sintratucar em defesa dos direitos dos trabalhadores se deram no marco dos direitos constitucionais e legais, reconhecidos nos tratados internacionais ratificados pela Colômbia. No entanto, é de público conhecimento, a nível nacional e internacional, que a resposta de uma grande maioria do empresariado colombiano e das multinacionais com filiais no país, às lutas dos trabalhadores e organizações sindicais por seus direitos, tem sido o assassinato, a intimidação, as ameaças contra os ativistas e suas famílias. Utilizando-se para isto de bandos paramilitares, e de matadores de aluguel contratados direta ou indiretamente, para que levem a cabo a terrível ação que tem acabado nos últimos anos com a vida de milhares de dirigentes sindicais. Como prova do anterior temos as declarações dos principais chefes do paramilitarismo, e as condenações e investigações em instâncias nacionais e internacionais a várias multinacionais.

    Pelo conhecimento direto que temos do conflito trabalhista que atualmente existe na empresa que o senhor gerencia, podemos assinalar a atitude empresarial como absolutamente intransigente e repressiva. Isso é demonstrado com contundência pela demissão de trabalhadores como retaliação pela construção de uma organização sindical. A mesma intransigência demonstrou-se na negociação da pauta de reivindicações, impossível de resolver em negociações diretas, apesar das modestas exigências dos trabalhadores e da organização sindical. Da mesma forma temos as ações que atentam contra os direitos dos trabalhadores, realizadas por seus servidores de alto escalão, que não têm sido rechaçadas pela direção da empresa que o senhor preside. Por isso, não duvidamos em assinalar que, neste sentido, sua empresa não se diferencia em nada do que há de mais reacionário e retrógrado no empresariado colombiano.

    Nas notas de ameaça, assinala-se como ‘guerrilheiros´ os dirigentes sindicais. Tal acusação contra todo dirigente que a partir dos setores operários e populares se atreve a protestar, organizar as suas comunidades para a defesa de seus direitos ou opinar diferente, se converteu na justificativa para todos os tipos de ações criminosas, nas quais se envolveram os próprios agentes do Estado, a quem supostamente corresponderia garantir sua segurança.

    Jairo Del Rio é membro do Partido Socialista dos Trabalhadores da Colômbia. Nossa organização tem mais de 30 anos de existência e amplo reconhecimento nacional e internacional. Não preconizamos nem respaldamos métodos de luta dos trabalhadores para a defesa de seus direitos, diferentes dos que eles mesmos, em suas assembléias, decidam democraticamente. Tais métodos nada têm que ver com as ações da guerrilha. Por isso rechaçamos que estes dirigentes sindicais sejam taxados como ‘guerrilheiros´. Este termo é utilizado neste país, por parte dos interessados em impedir o legítimo exercício da oposição política e a atuação das organizações sindicais, como justificativa para condenar à morte todos os opositores e lutadores sindicais e sociais.

    Diante das ameaças de morte aos companheiros e às suas famílias, o senhor, como representante legal da empresa, está obrigado a demonstrar com fatos públicos e categóricos que nada tem que a ver com isso, para ajudar assim a – pelo menos – frear a ameaça que hoje pende sobre a vida dos diretores sindicais. Tais fatos públicos e categóricos significam, no mínimo e para começar, facilitar todos os meios necessários para a defesa dos companheiros, aceitando as reivindicações que a direção sindical lhe formulou. Ao não fazê-lo, não duvidaremos em denunciar a multinacional Tenaris e a sua filial na Colômbia, pela responsabilidade política nas atuais ameaças contra a vida dos diretores de Sintratucar e por qualquer ação criminosa que os autores dos materiais das ameaças, encorajados pelo silêncio cúmplice ou negligência da empresa, chegarem a executar. Sobre as responsabilidades penais serão as autoridades correspondentes quem deverão determiná-las.”