Seminário em Campinas faz avançar o debate sobre reorganização

Mais de 100 pessoas participaram do seminário
Fernando Piva / Adunicamp

Realizado no auditório da Adunicamp e contando com a participação de 115 ativistas representando 28 entidades, movimentos e oposições, o Seminário de Reorganização da Região de Campinas foi um momento de grandes debates estratégicos para os rumos da construção de uma nova central. As principais polêmicas se deram em torno à participação das entidades estudantis e dos movimentos de opressão na nova central, assim como a forma organizativa da direção.

Participaram da mesa de debates a Conlutas, através de Luís Carlos Prates, o Mancha, do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, e José Vitório Zago, do Andes-SN. A Intersindical esteve representada por Arley, do Sindicato dos Químicos Unificado, e Tonhão, do Sindicato dos Metalúrgicos. Guilherme Boulos também participou, representando o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST).

Depois da exposição da mesa sobre conjuntura e a natureza da nova central, o debate do plenário foi considerado por todos os participantes como de alto nível. Foram expostas as polêmicas políticas e estratégicas, mas reiterando sempre o clima de unidade e de vitória por estarmos realizando um seminário tão representativo.

O tema das opressões foi abordado pela maioria das intervenções do plenário. A afirmação da classe trabalhadora e, principalmente, do operariado industrial como o setor estratégico para a construção da central, enfatizou que o capital tem feito a fragmentação e a divisão da classe através das terceirizações e que tem afastado do movimento sindical os setores mais explorados e oprimidos da classe como as mulheres, os negros e os homossexuais.

Nas palavras da companheira Laura Castro, petroleira da Replan, “a central tem que unificar organicamente aquilo que o capital tem sistematicamente dividido e que os sindicatos não souberam responder até agora, ou seja, os movimentos de opressão devem participar para garantir a unidade da classe que não é só composta por homens, brancos e heterossexuais”.

O seminário teve grande presença dos estudantes e de entidades do movimento estudantil, como os DCEs da Unicamp e da PUC e os centros acadêmicos CACH e CAP. Nas palavras finais de Mancha, “os estudantes contribuíram muito neste seminário, imaginem se eles não pudessem ter participado?”. Renata França, do CACH, reafirmou que “temos de ganhar o movimento estudantil para a luta da classe trabalhadora e isso só será possível se estivermos numa mesma organização fortalecendo a aliança operário-estudantil”.

Os companheiros da Intersindical continuam se posicionando por uma central de trabalhadores, que não abarcaria entidades estudantis e de opressões, mas abarcaria entidades do movimento popular, como o MTST. Nas palavras de Arley, “começamos este debate defendendo uma central do mundo do trabalho, hoje avançamos para uma formulação de central de trabalhadores (agregando o movimento popular), estamos em um movimento de elaboração e abertos ao debate”.

O MTST também se posicionou contrário à participação dos estudantes na central, mas disseram que “não serão o fiel da balança nesta decisão”, segundo afirmou Natália.

Em relação à forma organizativa da direção, a polêmica também permaneceu. Porém Arley disse que o que está escrito no documento da Intersindical não pode ser interpretado como uma proposta de direção por correntes e que também estão abertos à forma como vamos montar a direção.

A fala final do seminário, feita por Zago, ilustrou a estratégia que queremos construir: “tenho 35 anos de militância, já militei como secundarista, universitário, professor e hoje estou aposentado, mas continuo militando no sindicato da minha categoria. Infelizmente, não pude fazer tudo isso militando na mesma central e quero que meus netos, sejam como estudantes, trabalhadores ou aposentados e na luta contra a as opressões possam fazer isso na mesma central, até que possamos destruir de vez o capital e que esta nova central seja instrumento de construção do socialismo”

O seminário terminou com todos os participantes cantando os versos da Internacional e confiantes de que tinham realizado um grande passo ao acúmulo das principais discussões.