Diplomação de Cleber é marcada por protesto contra prisão de operários de Belo Monte

Cleber Rabelo exibe cartaz junto com diploma de vereador

Cleber Rabelo (PSTU) recebe diploma de vereador e protesta contra prisão de operários em Belo Monte

A cerimônia de diplomação dos candidatos eleitos em Belém tinha tudo para seguir normalmente na noite desse 18 de dezembro. Cerca de 800 pessoas reunidas no Hangar esperavam a celebração do Hino da República, a fala da presidente da junta apuradora da capital, juíza Drª Maria das Graças Alfaia Fonseca e, em seguida, a entrega dos diplomas ao prefeito, à vice-prefeita, e aos 35 vereadores eleitos. E assim teria seguido, se não fosse o mandato operário e socialista do vereador eleito pelo PSTU, Cleber Rabelo.

Ao ser diplomado, Cleber mostrou não apenas o diploma de vereador, mas também uma faixa que exigia a libertação dos cinco operários presos na greve de Belo Monte, em Altamira (PA). Neste momento, a militância do PSTU, também presente na cerimônia, entendeu o recado e levantou abrindo outra faixa e gritando: “Liberdade aos presos políticos de Belo Monte”; fato que chamou a atenção dos demais candidatos e de seus convidados.

Ainda durante a cerimônia, Cleber pressionou os vereadores eleitos a assinarem um abaixo-assinado exigindo a libertação dos operários que estão encarcerados há mais de 30 dias, por razões políticas e sem provas. Dos 35 vereadores eleitos, 17 assinaram, além de um vereador eleito no município de Ananindeua (região metropolitana de Belém) e um Deputado Estadual, dentre eles: Cleber Rabelo (PSTU); Dr. Chiquinho (PSOL); Dr. Elenilson (PTdoB); Marinor Brito (PSOL); Fernando Carneiro (PSOL); Raul Batista (PRB); Wandick Lima (PP); Nemias Valetim (PSDB); Paulo Queiroz (PSDB); Thiago Araújo (PPS); Prof. Elias (PPS); Sandra Batista (PCdoB); Moa Moraes (PCdoB); Orlando Reis (PSD); Dinely (PSC); Scaff (PMDB) Igor Normando (PHS); Neto Vicente (PP – Ananindeua); Dep. Estadual Carlos Bordalo (PT).

De acordo com Cleber, este ato é apenas uma mostra de como será seu mandato na Câmara de Vereadores de Belém. “Temos quatro anos de um mandato operário e socialista pela frente e ele vai ser um pouco disso que foi hoje: um ponto de apoio para a luta dos trabalhadores. Se depender de nós, a câmara de vereadores não terá mais sossego!” , afirmou.

Para Dion Monteiro, ativista do Comitê Xingu Vivo Para Sempre, o mandato de Cleber pode ser muito importante para denunciar casos de injustiça, como esse e para reforçar a luta dos trabalhadores nas ruas. “É tarefa de todo militante revolucionário denunciar, em todos os campos, a criminalização que esses cinco operários estão sofrendo: presos injustamente, sem provas. Por isso, ter um vereador revolucionário no parlamento pra fazer essa luta com certeza pode reforçar a luta dos trabalhadores nas ruas, que é nosso principal campo de ação!” , disse.

Liberdade imediata dos operários de Belo Monte
Os cinco operários presos são acusados de formação de quadrilha, dano ao patrimônio e incêndio criminoso após a revolta de cerca de doze mil trabalhadores do Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM), que deflagraram uma greve contra os baixos salários e as péssimas condições de trabalho a que estão submetidos. Até hoje, porém, nenhuma prova justificou a detenção dos trabalhadores, nem e o laudo do corpo de bombeiros de Altamira, que concluiu não haver como apontar responsáveis pelo incêndio.

Cleber, que é também é integrante da Comissão da CSP-Conlutas – Central Sindical Popular que visitou os operários presos em Altamira no último dia 12 reafirmou que essas prisões são irregulares e reforçou o compromisso de seu mandato. “Os problemas no interior dos canteiros são de cunho trabalhista! O que vemos nos Canteiros de Belo Monte é um regime de semi-escravidão, onde os operários são superexplorados e mal remunerados. Além disso, a falta de segurança que os operários estão submetidos já causou diversas mortes. E é aí que vai estar o meu mandato: na defesa pela libertação dos operários presos, no apoio à luta e as reivindicações dos trabalhadores e na constante denuncia da criminalização dos movimentos sociais”, concluiu.