Da ocupação militar a privatização

Muita coisa mudou desde 1988. Nos anos 90 o sindicalismo de parceria da Força Sindical assume sindicato dos metalúrgicos por 12 anos deixando um saldo drástico para a cidade e para a organização dos trabalhadores da região. Em 1993 a CSN é privatizada por US$ 1.495 milhões. Durante a década de 1990, mais de 30 mil trabalhadores foram demitidos da usina, o equivalente a 25% da População Economicamente Ativa da cidade. A Escola Técnica Pandiá Calógeras foi privatizada, os metalúrgicos da CSN perderam a gratuidade no atendimento do Hospital da CSN (também vendido), extinguiram o Adicional por Tempo de Serviço (ATS), o adicional de insalubridade, o prêmio qüinqüenal, a bonificação de 91% para as férias e os 100% nas horas extras.

Enquanto isso, a CSN registrava lucros recordes garantidos com a superexploração dos trabalhadores. Segundo dados da própria empresa, divulgados no Jornal do Comercio, a produtividade média da companhia saltou de 701 toneladas de aço bruto por homem/ano em 2000, para 1.012 toneladas de aço bruto por homem/ano em 2004, mantendo essa média até 2007.

Além disso, a CSN registra altos índices de doenças de trabalho. A contaminação por benzeno é uma ameaça para os trabalhadores da CSN. Nos últimos anos, mais de 600 trabalhadores da companhia foram contaminados pelo benzeno e esse número pode ser ainda maior. A exposição ao benzeno pode provocar a leucopenia que se caracteriza pela diminuição dos glóbulos brancos, causando anemia plástica e a leucemia.

Em 2007 a CSN registrou um lucro líquido de R$ 2,9 bilhões, um crescimento de 150% a mais em relação a 2006. Se este lucro líquido fosse dividido entre seus aproximados 15 mil operários de Volta Redonda, incluindo os terceirizados, cada um receberia um salário aproximado de R$ 193 mil. Sendo que o salário médio do empregado da CSN, hoje é de R$ 1.000. Uma superexploração absurda.

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