Crise não tem data marcada para acabar

Uma das mentiras muito ditas pelo governo e pela imprensa é que esta crise econômica será curta. Lula já não pode dizer que os reflexos no Brasil serão imperceptíveis, que será uma marolinha. Mas segue afirmando que o país crescerá 4% em 2009 e que a reatO Brasil é completamente dependente da evolução da economia mundial. E a crise internacional já é a mais grave desde 1929. Os dados indicam que a situação é qualitativamente mais grave que nas crises recentes e pode evoluir a uma depressão.

Nos EUA, a queda da produção de bens duráveis foi de 16,2% – o principal setor da economia. Esse é um índice semelhante ao de uma depressão, cinco vezes maior do que o da crise passada (quarto trimestre de 2001), com 2,9%. No Japão, a queda da produção industrial no quarto trimestre foi de 9,6%, também indicativo de depressão.

A quase falência do principal setor industrial (indústria automobilística) e dos bancos do país mais importante do imperialismo (EUA) indica que se trata de algo bem mais grave que crises recentes como a de 2000-2001. A depressão está se tornando a hipótese mais provável.

Isso significa uma crise grave e longa, que atingirá todo o planeta, já que os países imperialistas, o centro do capitalismo, estão fortemente afetados. Uma depressão implica em queda de 15%-20% na produção dos principais países. Pode ser que o imperialismo consiga impedir o caminho para uma depressão, mas não conseguirá evitar períodos com baixo crescimento e longas crises. Não existe uma reativação global no horizonte imediato, como no início da globalização nos anos 1980.

O Brasil em recessão
Ao contrário de toda a propaganda oficial, o país já deve estar em recessão. A queda do PIB no último trimestre de 2008 está estimada em 1% a 2%. As montadoras de automóveis tiveram uma queda de 47,1% em dezembro. A indústria como um todo caiu em torno de 7%.

A suposta recuperação na produção de automóveis em janeiro (com todos os feirões, promoções e redução do IPI) foi pequena, apesar da propaganda oficial. Ainda representa uma queda de 27,1% em relação a dezembro de 2008.

A tendência é outra queda no PIB neste primeiro trimestre, configurando o quadro de uma recessão, mesmo para os critérios da economia burguesa. Isso não é admitido pelo governo nem discutido pela imprensa burguesa, mas é um fato que vai acabar se impondo, desmontando o discurso oficial.

Ao contrário da propaganda, a crise vai se agravar
Com a piora da situação internacional, o país será fortemente arrastado para baixo. O saldo comercial de janeiro já foi negativo em US$ 518 milhões, revertendo oito anos de superávits. Pode ser que se consiga evitar um déficit comercial global no ano, mas nada parecido aos grandes superávits dos últimos anos. O fluxo anterior de capitais parou de entrar no país para se concentrar nas matrizes das multinacionais. Essas grandes empresas têm seus planos de investimentos determinados pelas matrizes, que congelaram grande parte deles.

A tendência, ao contrário da propaganda, é que a crise se agrave. As demissões de dezembro passado (mais de 1,5 milhão) devem se ampliar, se depender do governo e das empresas.

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