‘O acordo não foi uma felicidade não’, diz operário

Em São Paulo, metalúrgica aprova a redução de 17,5% nos salários sob aplausos de sindicalistas da Força SindicalA MWM pertence a um grupo norte-americano e tem sedes em São Paulo, Canoas (RS) e Córdoba, na Argentina. Produz motores para montadoras como GM, Ford e Nissan, exportando para mais de 30 países e fazendo a alegria de proprietários de pickups, como a S-10, da GM.

Com 2.280 funcionários, a empresa bateu recordes de produção em 2008 e chegou a ser eleita a empresa do ano. “O faturamento em 2008 atingirá valor recorde de US$ 1 bilhão, 27% superior a 2007”, calculava o presidente da empresa, Waldey Sanchez, em julho.

Na semana passada, o mesmo Sanchez tentava convencer seus funcionários, reunidos no pátio da empresa em São Paulo, a aprovar o acordo de redução de salários e jornada. Lamentava a redução na produção de novembro para cá e apresentava o acordo como o melhor caminho possível. O executivo ofereceu a ilusão de que as vendas iriam melhorar num prazo curto.

Depois de Sanchez, foi a vez de o acordo ser defendido por diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Ligados à Força Sindical, condicionaram o acordo a situações em que “a empresa esteja realmente passando por dificuldades”. Mas não exibiram as contas da empresa e esqueceram dos lucros de 2008, enviados aos EUA.

Nas rodas de trabalhadores, o tom era outro. Segundo um trabalhador da produção, que conversou com o Opinião, muitos estavam revoltados, principalmente na linha de produção. “Por que não usar o dinheiro do caixa da empresa, o que ganharam nestes anos?”, perguntava um trabalhador, lembrando o recorde de 13 mil motores em outubro. Outros praguejavam contra o sindicato por não ter enfrentado a empresa.

A reunião durou pouco mais de uma hora, o bastante para aprovar a proposta. O salário bruto inicial na MWM está em torno de R$ 1.500, podendo chegar a R$ 1.800 com o tempo. Com o acordo, 17,5% deste valor será perdido, cerca de R$ 250, e a jornada será reduzida em 20%.
“O pessoal está bastante angustiado. Todos já temem demissões”, afirma um operário. Apesar de o acordo garantir a estabilidade até 30 de junho, a lembrança dos 300 demitidos em dezembro está presente. O contrato da maioria terminaria em janeiro, mas todos foram dispensados em 12 de dezembro. Na véspera da festa de fim de ano da empresa.

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