Conlutas discute luta internacionalista e a ocupação do Haiti

Na manhã deste domingo, 26 de julho, Dirceu Travesso, da coordenação da Conlutas, abriu o debate sobre o tema internacional. Ele abordou os temas centrais da conjuntura internacional e apontou as primeiras tarefas da entidade, que tem se caracterizado pela solidariedade ativa às lutas dos trabalhadores e da juventude ao redor do mundo. O informe refletiu as experiências e discussões que vêm sendo acumuladas pela entidade, como a campanha pelo Haiti e a construção do Elac. O debate foi iniciado na sexta-feira, dia 24, no Grupo de Trabalho (GT) Internacional.

Ataques e resistência
Didi abriu seu informe dando um exemplo de como, para garantir seus lucros e jogar os efeitos da crise sobre as costas dos trabalhadores, a burguesia tem se utilizados de mecanismos cada vez mais “globalizados”: “Diferentemente do que víamos em momentos anteriores, hoje vemos uma greve sendo realizada no Canadá, contra uma patronal, á princípio, localizada num país de Terceiro Mundo. É isto que está acontecendo em um país no hemisfério norte, onde os trabalhadores de uma mina recentemente comprada pela Vale do Rio Doce estão parados contra a política da empresa, que se recusa a acatar acordos anteriores e está tentando cassar os direitos duramente conquistados”. Os trabalhadores da mineração aqui do Brasil já enviaram sua solidariedade e estão sendo dados passos para um protesto internacionalista, em abril de 2010, quando acontecerá um reunião mundial de acionistas da Vale do Rio Doce, aqui no Brasil.

Dirceu ainda mencionou uma série de outros processos e formas de resistência dos trabalhadores diante da crise, como a rebelião camponesa e popular no Peru e greves radicalizadas em diversas partes do mundo.

Haiti: uma campanha com a cara da Conlutas
Depois de realizar duas caravanas de solidariedade ativa, com sindicalistas e ativistas dos movimentos sociais, e de receber a visita de dirigentes haitianos que, na sua última passagem pelo Brasil (há um mês) falaram para cerca de 3 mil pessoas, em vários estados do país, a Conlutas que dar seqüência à campanha contra a ocupação do Haiti, através de uma série de atividades.

Em sua apresentação, Dirceu destacou o papel decisivo que a Conlutas tem exercido, principalmente diante da paralisia da enorme maioria do movimento sindical, estudantil e popular que, alinhados com o governo, minimizam ou ignoram por completo a campanha.

Reproduzindo a discussão feita no GT Internacional, Dirceu destacou algumas das propostas que serão consolidadas na resolução sobre o tema. Segundo o dirigente essa campanha “tem a cara da Conlutas, ao combinar, num único processo, a luta contra a opressão racista, pelo fim da exploração capitalista e os planos imperialistas de dominação, além de deixar evidente o verdadeiro caráter do governo Lula”.

Para intensificar a campanha, o GT Internacional está finalizando uma cartilha que será utilizada como forma de propaganda sobre o tema. Além de levar o debate para o interior das campanhas salariais, para as mobilizações do dia 14 de agosto, a Conlutas pretende intensificar o trabalho em alguns setores em particular, a começar pelas entidades do movimento negro e dos estudantes, em particular das entidades vinculadas à Assembléia Nacional dos Estudantes – Livre (ANEL), recém criada.

Além disso, uma atenção especial será dada para categorias que, por suas especificidades, podem potencializar a campanha, como o caso de petroleiros e trabalhadores da educação.

O resgate e o aprofundamento do internacionalismo
Neste momento, apesar de ainda ter o Haiti como foco de suas atividades internacionais, a Conlutas continuará a campanha contra o golpe em Honduras. Dirceu lembrou que, lamentavelmente, “há uma certa paralisia do movimento em relação ao golpe, em grande medida em função das ilusões que as direções traidoras depositam numa solução através de Obama, o que é um tremendo erro. Se é verdade que, neste momento, o novo presidente norte-americano não vê a ascensão de uma ditadura na América Latina com muita simpatia, também é fato que não interessa a Obama (ou qualquer de seus parceiros) a luta por um regime que garanta, minimamente, os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras hondurenhos” .

Além disso, foi apresentada uma série de propostas pontuais que têm a ver com a busca do resgate do internacionalismo operário. Nos próximos meses, a Conlutas ou entidades a ela filiadas irão participar, por exemplo, de várias atividades internacionais. Metalúrgicos da Conlutas e do Sindicato de São José dos Campos devem participar de uma reunião de metalúrgicos do setor automomotivo na Alemanha, no segundo semestre. No ano que vem, o Encontro Internacional de Educação pretende reunir os trabalhadores dos países do Cone Sul e a proposta é que diversas entidades estejam presentes, como o Sepe do Rio de Janeiro, o Andes Nacional, a Oposição Alternativa da Apeoesp, entre outras.