Colômbia: a mão do imperialismo por trás da provocação

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, recebeu o apoio do seu principal aliado no continente, o presidente George W. Bush. Em pronunciamento oficial, Bush declarou completo apoio: “A mensagem de nosso país ao presidente Uribe e ao povo colombiano é que estamos ao lado de nosso aliado democrático”.

É nítido como água cristalina o envolvimento do imperialismo norte-americano na provocação de Álvaro Uribe, que resultou na morte dos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano. Apurações da imprensa mostram que o governo colombiano teve ajuda direta de agências norte-americanas para localizar o acampamento, por meio de localização de telefone. Algo que não foi negado nem mesmo pelo chefe da polícia do país, Óscar Naranjo, que afirmou, na última segunda-feira, que “não é nenhum segredo” que as forças armadas colombianas têm uma “ligação muito forte com agências federais dos Estados Unidos”.

Altas fontes diplomáticas argentinas também informaram que três negociadores franceses que esperavam um contato com Raúl Reyes – o segundo homem das Farc, morto na ação – foram advertidos por um funcionário do governo Uribe momentos antes do bombardeio para que não se aproximassem da fronteira equatoriana. Isso indica a premeditação da ação criminosa.

Imitando o chefe
Não há nada mais ridículo do que um funcionário bajulador que tenta imitar seu chefe. Pois é dessa forma que o governo de Uribe está reagindo, com mais provocações e se utilizando de mentiras bastante surradas.

No último dia 4, o governo Uribe tentou aplicar o mesmo golpe internacional utilizado pelo imperialismo ianque para invadir o Iraque: as famosas armas de destruição em massa, que nunca existiram. Segundo o lacaio, as Farc estavam interessadas em comprar Urânio e, por isso “estavam dando grandes passos no terrorismo mundial”.

Outra imitação barata foi a tentativa de justificar o ataque ao território com base na resolução da ONU sobre o Afeganistão, se utilizando da velha desculpa de “ataque preventivo”.

Divisão
A ação do imperialismo e do lacaio Uribe também colocou em evidência a divisão entre o imperialismo para “solucionar” o problema das Farc. De um lado, encontram-se os que defendem uma solução negociada, apostando numa saída política por um acordo de paz e incorporação dos dirigentes da guerrilha ao regime político. Tal política é defendida pelos ex-presidentes colombianos Pastrana e Samper, além de países como França, Venezuela, Argentina, Brasil, Bolívia e Equador.

De outro, estão os defensores da liquidação militar da guerrilha, Bush e seu cão imperialista, Uribe. O ataque às Farc visava fortalecer essa política, exterminando a principal figura de interlocução entre a guerrilha e os defensores da saída política e a libertação dos reféns, Raúl Reyes.

Mas o ataque também foi uma tentativa de reativar o chamado Plano Colômbia, cujo objetivo é transformar o país num posto militar avançado do imperialismo ianque na América Latina. Algo semelhante ao papel cumprido por Israel no Oriente Médio.

O Plano é financiado e dirigido diretamente por Washington, que injetou US$ 4 bilhões sob o pretexto de combater o narcotráfico e o terrorismo. Trata-se de um plano para dominar as matérias-primas do continente e aprofundar o controle imperialista diante da possibilidade de insurgência popular. Atualmente a Colômbia é um dos países mais bem armados da região e conta com centenas de adidos militares dos EUA em seu território.

Homem dos ‘paras´
Uribe é um testa-de-ferro financiado pela CIA. Acusado de ligações com o narcotráfico, seu governo está envolvido até o pescoço com os paramilitares. No ano passado, oito parlamentares de sua base foram presos por ligação com os “paras”. A ministra das Relações Exteriores da Colômbia, María Consuelo Araújo, foi obrigada a renunciar ao saber que seu pai e seu irmão estavam entre os presos.

Entres os milhares de crimes cometidos pelos “paras” está o assassinato de mais de quatro mil quadros da União Patriótica, partido de oposição criado nos anos 1980. Além disso, os bandos armados – financiados por empresários, latifundiários e traficantes – assassinam sindicalistas e ativistas de movimentos sociais.