Chuvas na Grande BH: Força da Natureza ou falta de prioridade dos governos?

PSTU-CONTAGEM

Começa o verão e a temporada de chuvas. Ano após ano, governo após governo, as tragédias se repetem. Um verdadeiro pesadelo para quem vive perto de córregos abertos ou canalizados, nas encostas ou mesmo em vias em que há até pouco tempo não ocorria esses problemas. O que assistimos são mortes e sofrimento de pessoas que perdem tudo nas enchentes. E a desculpa é sempre a mesma: o aumento das chuvas. Será?

No último domingo, 19 de janeiro, em diversos pontos de Belo Horizonte e Contagem as fortes chuvas provocaram alagamentos, enxurradas e o Ribeirão Arrudas mais uma vez transbordou na Avenida Tereza Cristina. Na Vila Barraginha, Cidade Industrial, em Contagem, dezenas de famílias perderam tudo, e cerca de 200 famílias estão desabrigadas. Na feira do Bairro Amazonas a enxurrada arrastou feirantes, barracas e a população que aproveitava mais um domingo de feira. Trabalhadores perderam seu sustento com a perda de produtos das barracas. A estação do metrô Eldorado ficou alagada, assim como a trincheira da João César mais uma vez sob as águas.

É muito importante a solidariedade ativa da classe trabalhadora da Grande BH para com os atingidos. É muito importante fazer doação de alimentos, móveis, roupas e remédios. Neste sentido, pedimos que se procurem os postos de coletas de doações espalhados por toda cidade, nas igrejas, escolas e associações de moradores.

Na região da Barraginha procure o posto de apoio: Rua Padre Bartolomeu de Gusmão, 278, Jardim Industrial, Contagem.

Força das chuvas ou força da especulação imobiliária?

As obras que governos anteriores fizeram prometendo resolver de uma vez por todas o problema das enchentes na verdade agravaram os problemas. O aumento da verticalização das cidades, novos loteamentos e ruas são aprovados em torno a bacia dos rios e ribeirões, sem o devido planejamento e investimentos necessários. Por outro lado, os governos tampam os córregos, impermeabilizam o solo com asfalto, e sem rede de escoamento eficientes.

O resultado é que as construtoras ganham muito dinheiro alimentando a insaciável sede de lucro dos grandes especuladores imobiliários. Os moradores, principalmente a população mais pobre, continuam reféns não somente das chuvas, mas dos governos e da ganância das construtoras.

É necessário discutir e planejar as cidades para resolver os problemas. Mas para isso é necessário enfrentar a especulação imobiliária. Debater soluções junto com as pessoas que moram em regiões de risco que, diga-se de passagem, estão todas amplamente mapeadas pelas prefeituras.

Criar um programa de casas próprias, utilizando redes de esgoto, estações de tratamento e recuperação dos córregos e ribeirões. Assim como parques e praças nas cidades que seriam opção de lazer e solução contra a impermeabilização do solo e destruição do meio ambiente urbano.

É um absurdo que, ainda na segunda década do século XXI, a grande BH conviva com problemas como assistimos nos últimos dias. Todos os prefeitos, do presente e do passado, são responsáveis. Todos eles defenderam e governaram para os ricos, para as construtoras e especuladores imobiliários.

É muito importante que as comunidades se organizem neste momento para exigir que as prefeituras e o governo do estado cumpram com suas obrigações em garantir moradias, aluguel social, e um plano de obras públicas para construir moradias em locais seguros, recuperar as bacias hidrográficas na região, saneamento básico para toda região e de fato impedir a ganância do lucro das empreiteiras que só pensam em ganhar dinheiro com o sonho da casa própria, sem se preocupar com a vida das pessoas.

Todo apoio aos atingidos pelas enchentes!

PSTU-Contagem