Brasília- DF. 11-07-2019- Jornalista glenn greenwald durante depoimento na CCJ do senado. Foto Lula Marques

Denúncia contra o fundador do Intercept Brasil é ataque à liberdade de imprensa

O Ministério Público Federal (MPF) de Brasília denunciou nesta terça-feira, 21, o jornalista e fundador do site Intercept Brasil, Glenn Greenwald, pela invasão dos celulares de autoridades ligadas à Lava Jato. Trata-se de uma evidente perseguição contra o jornalista e um atentado à liberdade de imprensa.

Glenn sequer foi investigado ou indiciado pela Polícia Federal no caso dos hackers. Pelo contrário, a PF já havia descartado qualquer crime por parte do jornalista. O procurador da República que denunciou o jornalista, Wellington Divino Marques de Oliveira, foi o mesmo que denunciou o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, por calúnia contra o ministro Sérgio Moro.

Na ocasião, Santa Cruz havia dito que Moro “usa o cargo, aniquila a independência da Polícia Federal e ainda banca o chefe de quadrilha ao dizer que sabe das conversas de autoridades que não são investigadas“. A frase foi proferida após Moro ter telefonado para as autoridades que apareciam nas conversas vazadas pela Vaza Jato, e ter dito que os diálogos seriam destruídos. De uma só vez, Moro revelou que tinha acesso ao conteúdo de um inquérito da Polícia Federal, o que não poderia, e que decidiria o que fazer com as provas desse inquérito, o que, evidentemente, também não poderia.

A denúncia do MPF de Brasília é uma tentativa de intimidar a imprensa e criminalizar o jornalismo. Atitude autoritária incentivada por Bolsonaro, que diariamente ataca a liberdade de imprensa, xinga jornalistas e tenta calar qualquer órgão de comunicação que publique algo contra seu governo.

Enquanto isso, as denúncias divulgadas pelo Intercept que mostram a total parcialidade do então juiz Sérgio Moro e da força-tarefa da Lava Jato, continuam sem investigação e muito menos punição. Os diálogos vazados mostram não só como Sérgio Moro agiu de forma parcial, mas como ele agiu diretamente para impedir investigação contra o ex-presidente FHC. Ou como o procurador Deltan Dallagnol enriqueceu através de negócios com empresas privadas, utilizando as investigações para encher os bolsos. Ou seja, a cara de honesto com a qual se projetaram é uma farsa. Moro, Dallagnol e seus amigos, protegem corruptos e enchem os bolsos com negócios escusos.

Para além disso, Moro encobre os crimes do governo Bolsonaro. Deixa correr as denúncias contra Flávio Bolsonaro, que respingam no próprio pai, e se cala diante das ligações da família com milicianos e do envolvimento cada vez mais tenebroso que vai aparecendo em relação à execução de Marielle Franco.

No governo Bolsonaro, os crimes ligados à família do presidente são encobertos, enquanto a liberdade de imprensa é atacada e jornalistas denunciados pela Justiça.

É preciso prestar toda solidariedade a Glenn Greenwald e denunciar fortemente mais esse ataque à liberdade de imprensa.