Chile | Declaração do MIT frente à rebelião popular: Fora Piñera assassino!

Assembleias populares e operárias que organizem a autodefesa!

Abaixo a Constituição de 1980!

Por um Governo Operário e Popular!

Piñera tem que cair pela força da mobilização e uma Greve Geral. Nenhuma confiança no processo de Acusação Constitucional.

MIT-Chile

São mais de 10 dias de mobilização, com métodos combativos e de autodefesa exigindo uma mudança real e a renúncia de Piñera. Nesse caminho conquistamos vitórias parciais, mas devemos lutar por mais.

Após a marcha de 25 de outubro conseguimos tirar os milicos da rua e fazer Chadwick cair, o que esperávamos desde o assassinato do membro da comunidade mapuche Camilo Catrillanca, e o governo também viu-se obrigado a mudar uma parte do gabinete. Piñera fez um chamado para voltar à “normalidade”, mas sabemos que não podemos voltar à “normalidade” quando as propostas do governo continuam nos mantendo no endividamento, com crise na saúde e salários insuficientes. Pior ainda, quando vimos 20 assassinatos, mais de 50 processos por torturas, denúncias por violência sexual cometidas pelas FFEE (Forças Especiais), uma vintena de desaparecidos e mais de 3.500 detidos no marco dos protestos, entre eles David Veloso Codocedo, um soldado que se negou a reprimir o povo trabalhador. Além disso,  o governo pediu a renúncia da chefe do laboratório do Serviço Médico Legal, no marco da investigação dos assassinados durante o Estado de Emergência. Aqui se demonstra novamente que esta “democracia” e instituições são servis só aos empresários e a seus interesses.

Por tudo isto, Piñera tem que cair pela via do protesto e nossa força, tal como os argentinos fizeram com de La Rúa em 2001. Após nossa valente e incansável luta, não podemos delegar essa tarefa a um parlamento corrupto e às instituições dos empresários com a Acusação Constitucional que o Partido Comunista (PC) e a Frente Ampla propõem, uma acusação que é feita seguindo o caminho dos mesmos artigos da Constituição de 80, imposta à custa de sangue pela ditadura. Se entregarmos essa tarefa e esperarmos que estas instituições façam esse trabalho, voltaremos ao beco sem saída de sempre: promessas que são levadas ao parlamento e ficam descansando eternamente.

Mas ainda assim, se o parlamento com deputados e senadores aprovasse a destituição de Piñera, viria a assumir o novo Ministro do Interior: Blumel, como vice-presidente da República, com o objetivo de convocar novas eleições com um prazo máximo de 120 dias. Eleições com as mesmas regras das instituições empresariais, aonde vimos que depois de 30 anos de eleições “democráticas” após a ditadura, nossa situação continua piorando, porque há um problema mais profundo, que é o sistema econômico e social capitalista.

Assim, o que o PC e Frente Ampla (FA) fazem com essa proposta, é buscar validar um conjunto de instituições que sabemos que estão putrefatas e financiadas por empresários até à medula. Para começar a mudar as coisas de fundo, Piñera deve cair por nossa pressão nas ruas.

Abaixo a Constituição da ditadura!

Nas assembleias e nas ruas devemos levantar esta reivindicação junto com a de Fora Piñera. Devemos derrotar o legado de Pinochet que nos impõe: um Código Trabalhista empresarial repressivo, que fomenta o subcontrato e impede a organização dos trabalhadores; um sistema de Administradoras de Fundos de Pensões (AFPs) que tem sido diretamente um roubo dos nossos salários e miséria quando aposentamos; uma educação totalmente privatizada que endivida os estudantes; leis repressivas como a Lei de Segurança Interior do Estado ou a Lei Antiterrorista; leis que favorecem as empresas florestais e usurpam as terras do povo mapuche como o decreto 701; a privatização da água e esgoto, entre outros aspectos.

A Câmara de Deputados calculou em 2,223 bilhões de dólares a perda patrimonial do Estado pelo último pacote de privatizações da ditadura entre 1985 e 1989, privatizações validadas por esta Constituição ditatorial. Um dos casos mais graves foi a CAP, pois foi entregue por 105 milhões de dólares um patrimônio que era de 811 milhões.

Tudo está ordenado e escrito nesta Constituição de 80, por isso devemos derrubá-la completamente.

A Assembleia Constituinte, sob governo e instituições empresariais e imperialistas,  é uma armadilha!
No calor das marchas surgiu a demanda por uma Assembleia Constituinte, é que estamos fartos da atual Constituição, e a partir  desse clamor, vários partidos políticos tradicionais se aferraram, para tratar de maquilar algumas coisas enquanto o fundamental siga a seu favor:

  • Alguns setores empresariais propõe uma Assembleia Constituinte (AC) como saída final para a crise do país. Os empresários tiveram um Conclave na SOFOFA (Sociedade de Fomento Fabril) e um setor mencionou esta alternativa como uma saída para a crise, para depois ir para um “governo de ultraesquerda” (referindo-se à FA-PC), obviamente eles aceitariam isto como plano “z” enquanto todas suas instituições e o coração do capitalismo se mantiverem em pé, ou seja cortariam o dedo para não perder a mão.
  • Desde a ex concertação também se escutam propostas a respeito de uma nova constituição: o plebiscito constituinte, que é quase seguir com o processo de mudança da Constituição iniciado sob o governo anterior de Bachelet, que não era em si uma AC.
  • Outros partidos como a FA e o PC, exigem uma Assembleia Constituinte que instale demandas através de conselhos, mas apelando ao diálogo com o governo e empresários, sem tocar em suas instituições como o parlamento – entre outras – . Isto é, também uma espécie de híbrido entre os interesses do povo nas ruas e os dos empresários, interesses que são contrapostos.
  • E em outra ala, estão organizações mais de esquerda como o Partido de Trabalhadores Revolucionário (PTR) ou Anticapitalistas en Red. Propõem a Assembleia Constituinte livre e soberana baseada em poder popular, como uma “saída de emergência” ante a crise (PTR), assumindo que não se resolve com isso o problema de fundo, já que o problema de fundo é o sistema capitalista.

Em que pese as diferentes variantes das propostas da Assembleia Constituinte, o que tem em comum é que nenhuma deixa claro sob as condições reais atuais: como garantimos que a AC votada seja cumprida se os empresários continuam no poder? Se após esta rebelião ainda não podemos acabar com as AFPs, como sob este mesmo método de luta ou com pacifismo como a FA e o PC pedem, conseguiremos uma AC que derrube não somente as AFPs como, além disso, renacionalize os recursos naturais? Como garantimos que se cumpram estas exigências por cima do papel da lei se não enfrentarmos com tudo não somente o empresariado e instituições nacionais, mas também os internacionais donos das minas e das AFPs?

Com todos estes dias de rebelião conseguimos só migalhas do governo, e pior, os gastos com as medidas econômicas que propõem serão sem tocar nos interesses de empresários e sim com dinheiro do Estado, isto é dos mesmos impostos que pagamos: assim foi com o subsídio para aumentar o salário mínimo, com a proposta de subsídio para grandes cadeias de farmácias para baixar preços de medicamentos e com o aumento do piso solidário para as aposentadorias. Pela situação atual, houve um novo aumento de 600 milhões de dólares no gasto público para 2020, porém desses, a grande maioria (440 milhões de dólares) era um reajuste dentro do próprio dinheiro do Estado (nosso dinheiro) e os outros 160 milhões viriam do imposto de pessoas com rendas mais altas. A partir disso, economistas já alertam que este aumento traria um déficit fiscal efetivo de mais de 2% do PIB, e esse déficit  vão querer cobrir a partir de mais cortes ou endividamentos com grandes empresas. Assim, os interesses dos poderosos não serão tocados. Isso, com toda a rebelião, saques, barricadas, bloqueios de estradas etc…então, como propõem que sob estas condições se conquiste e seja respeitada pelo empresariado uma AC que ponha todas nossas demandas sobre a mesa?

Leia também:  O trabalho no capitalismo chileno

A realidade demonstra que a única garantia de derrubar a constituição de 80, e de garantir que as demandas sejam cumpridas como o fim das AFPs ou a renacionalização dos recursos naturais, é se os trabalhadores e setores populares tomarem o poder mediante uma revolução socialista. Para isso devemos dar passos importantes, como trazer para nossa luta um setor das Forças Armadas (os filhos da classe trabalhadora), e assim debilitar o aparato repressivo dos empresários.

Falar de uma AC, antes dos operários e o povo pobre tomarem o poder, enquanto continuamos sob um governo e instituições empresariais ou pactuando com eles, como propõem a FA e o PC, não é mais que ilusão, uma armadilha. É possível se conseguir chegar ao acordo de uma Constituição muito linda no papel, podemos nos desgastar em escrevê-la, mas daí a ser respeitada se os empresários continuam no comando, é algo muito diferente.

Por isso a partir do MIT nos negamos a uma AC sob este sistema capitalista, porque para renacionalizar o cobre sem indenização às transnacionais, os operários teriam que expropriar as minas tirando os patrões, não há espaço para pactos porque os empresários não vão querer perder seus privilégios. A única maneira de garantir uma Assembleia Constituinte ou medidas que sejam plenas ao benefício das e dos trabalhadores, é se tomarmos o poder e conquistarmos um Governo Operário e Popular.  Porém este poder operário e popular deve avançar em nível internacional, ou os empresários transnacionais para afogar-nos, avançarão em medidas de bloqueio ou inclusive intervenção militar. Por isso precisamos de uma revolução socialista no Chile e no mundo.

Pelo direito à autodefesa do povo trabalhador, o chamado ao “pacifismo” da FA e do  PC é criminoso

A imprensa empresarial discute muito sobre os métodos violentos dos protestos, mas para eles não é conveniente dizer que a verdadeira violência vem dos milicos que estiveram nas ruas, ou a contínua repressão das FFEE, as torturas, as detenções focalizadas de dirigentes em suas casas, próprias de tempos de ditadura. Os cartazes nas marchas deixam claro que violência é que pessoas morram esperando em listas de espera pela crise na saúde, que idosos se suicidem por causa de aposentadorias miseráveis, e outros males que são consequência do sistema capitalista. Nesse marco, de repressão e de respostas nulas, os trabalhadores, populações dos bairros e a juventude, temos direito a nos defender.

Os partidos políticos tradicionais, desde a ultradireita de Kast até o PC com Camila Vallejo ou a Frente Ampla – com declarações de Boric, Jackson e Beatriz Sánchez-, condenam que a raiva continue nos protestos, que as massas continuem combatendo mediante barricadas, bloqueios de ruas, saques a grandes empresas, entre outros atos de violência. Este chamado ao pacifismo enquanto o governo reprime, só desarma os manifestantes e nos coloca à deriva de um governo assassino, uma política que por melhores intenções que tenha, termina sendo criminosa. É que já nos estamos cheios de que não nos escutem com centenas de marchas pacíficas, por isso frente à violência e repressão do Governo não nos resta outra forma que responder com nossos métodos de autodefesa, os que devemos organizar coletivamente.

Por mais operários na luta! Assembleias Populares e operárias para preparar a Greve Geral e a autodefesa!

A mobilização começou com a aguerrida juventude à frente, depois se somou o conjunto da população, setores populares e trabalhadores. Depois, o movimento operário começou a entrar em cena: os mineiros de La Escondida e os portuários anunciaram que retomarão a Paralisação, haverá uma assembleia de pescadores industriais no Sul, e também foi tomada uma salmoneira no contexto da luta nacional.

Estes passos do movimento operário são muito importantes para o apoio da luta popular e devem se replicar, entretanto sabemos que custa muito, porque há muita perseguição nas fábricas e empresas aos que se organizam, muitos operários vão para os protestos e enfrentam a repressão sem medo, mas temem organizarem-se ou preparar uma Paralisação dentro de seus locais de trabalho por causa das possíveis represálias. Esta perseguição se vê na hipocrisia de Luksic, que por um lado propõe salário básico aos seus trabalhadores de 500 mil pesos, mas por outro os impede que se organizem e tenham o direito democrático à Greve. E para dizer amém a esta perseguição empresarial, há várias direções sindicais que se negam a organizar a mobilização, seja porque tem acordos com a empresa ou por medo de que haja represálias.

Precisamos romper a barreira desse temor, porque nesta luta se põe tudo em questão, a melhor forma de garantir que haja menos represálias é que o conjunto de operários em Assembleia vote greve, e quanto mais forem, melhor  e que se exija que a mobilização não acabe até garantir que não haja demissões ou outra represália. Para organizar isso temos que pressionar os dirigentes sindicais, trocá-los se necessário, ou formar comitês de luta. A única maneira de garantir uma Greve Geral é que os setores operários se somem paralisando a produção, só assim colocaremos em xeque os interesses econômicos  dos empresários e seu governo.

Se o movimento operário entrar em cena e se colocar à frente, os métodos de luta e autodefesa podem melhorar qualitativamente, um exemplo é o que se viu em Antofagasta quando um caminhão com caçamba descarregou pedras gigantescas no caminho para montar uma barricada. Nesse caminho, devemos continuar promovendo assembleias populares e operárias, sem representantes do empresariado, com o objetivo de definir os passos a seguir na mobilização. Estas assembleias também devem organizar métodos de autodefesa como fazer comitês de vigilância nos bairros, comitês de choque ou defesa, comitês que em conjunto com organizações de Direitos Humanos (DDHH) investiguem os casos de torturas e assassinatos porque não confiamos nas instituições empresariais, etc. Já se conhecem formas, por exemplo, de neutralizar bombas de gás lacrimogênio, realizar barricadas efetivas, a tarefa agora é que seja organizado, e que o movimento operário entre também com seus métodos de defesa.

Que estas assembleias desenvolvam mecanismos de auto-organização que enfrentem o poder do governo, que sejam elas quem realmente decidam que tipo de sociedade precisamos, quais medidas, quais tarefas fazer, praticamente o que hoje fazem instituições empresariais como o parlamento, deve ser feito pelos trabalhadores e a população organizada. Essas assembleias devem avançar para ter uma coordenação nacional, e que assim comecemos a demonstrar que os trabalhadores, populações e a juventude, mediante muita organização, podemos nos autogovernar, definir o que se fabrica e o que não, e como se fabrica, definir que salário necessitamos, etc.

Hoje existe a Mesa de Unidade Nacional e estão chamando para formar conselhos, poderíamos pensar que é o mais próximo a esta proposta. Mas esta Mesa de Unidade Nacional tem limitações e contradições que devem ser superadas: principalmente está composta pela CUT, dirigentes do setor público e outras entidades como CONFECh, Coordenadora 8M, entre outras, um elemento importante é que falta incorporar plenamente o movimento operário; segundo, é que não apresentaram uma política de conselhos-assembleias da classe trabalhadora sem representantes das autoridades dos empresários  e suas instituições, por exemplo, em Independência (Santiago) o Conselho foi convocado pelo próprio Prefeito. Então dentro destes espaços convocados pela Mesa de Unidade Social (MUS), devemos disputar seu caráter e conteúdo, no sentido de avançar na auto-organização e ensaio de autogoverno das e dos trabalhadores e setores populares. E onde não houver MUS, chamar a constituição de Assembleias populares e operárias com independência de classe.

O que está em questão nesta rebelião é o sistema capitalista em sua fase imperialista

O que foi posto em questão após essa rebelião chilena não é apenas uma ou outra mudança ou lei, porque nossas demandas são muitas e diversas. Nesse contexto, alguns setores empresariais sugerem que, com algumas medidas, a situação se resolva, outros setores, como a Frente Amplio e o PC, afirmam que o problema é o neoliberalismo, ou seja, apenas a fase capitalista desde a imposição da ditadura de Pinochet. com o modelo econômico trazido pelos Chicago Boys.

Mas o que estamos questionando aqui são centenas de milhares, não é uma ou outra lei ou problema: é a crise da saúde, as aposentadorias de miséria, enquanto os AFPs roubam nosso dinheiro para fazer negócios no exterior, o aumento constante dos serviços básicos, salários insuficientes, a ridícula proposta do governo sobre as creches, a Constituição da ditadura, o acordo transpacífico da TPP que retirará mais soberania do Chile, permitindo que empresas transnacionais processem o Estado, caso vejam que seus negócios não cumprem suas expectativas aqui (por exemplo, se quiséssemos eliminar as AFPs, elas poderiam processar o Estado chileno por comprometer seus negócios) e, finalmente, o próprio presidente e todos aqueles que nos governam estão em questão. Em outras palavras, o sistema capitalista imperialista como um todo é questionado no Chile, a fase neoliberal do capitalismo chileno imposta pela ditadura fracassou. Mas o capitalismo humanizado anterior à ditadura de Pinochet, por exemplo, sob o governo da UP também demonstrou ter seus limites (voltaremos a esse tema mais abaixo), hoje os chilenos questionam abertamente as instituições empresariais por mais que possuam caras democráticas (como o parlamento).

É por isso que o problema não é apenas a fase neoliberal pós-ditatorial, como afirmam a FA e o PC, de modo que a situação não será resolvida com simples migalhas que oferece o governo e propõem os partidos tradicionais. Portanto, é o funcionamento do sistema capitalista e a discussão sobre quem está no poder que hoje, centenas de milhares de chilenos, estamos questionando.

Essa profundidade de nossas demandas é exemplificada pela demanda pelo fim das AFPs, onde não estão apenas as aposentadorias de miséria, mas também o mecanismo pelo qual essas baixas aposentadorias nos são impostas: dos 10% que contribuímos, as AFPs não apenas administram, mas roubam grande parte de nosso dinheiro para investir em negócios no Chile e no exterior. Além disso, os AFPs repassam nosso dinheiro aos bancos a uma taxa anual com a qual obtêm um retorno de 4%, e então esses mesmos bancos “nos emprestam” nosso próprio dinheiro! Para os trabalhadores com taxas de juros mais caras. Um verdadeiro assalto do qual, nós trabalhadores, somos prisioneiros. Além disso, das 6 AFPs que concentram todo o negócio, 3 têm proprietários norte-americanos, outro do Brasil, outro da Colômbia e a último de proprietário chileno (AFP modelo). Isso demonstra a magnitude de nossa luta para eliminar as AFPs: não é apenas uma luta contra Piñera, não é apenas contra empresários chilenos, mas enfrentamos interesses comerciais de diferentes países, especialmente dos Estados Unidos. Esses empresários, estrangeiros e chilenos, nos últimos 25 anos, receberam 90 bilhões de dólares de contribuições e, no mesmo período, só devolveram 30 bilhões de dólares em aposentadorias, ou seja, 2/3 de nossas contribuições foram roubadas por esses magnatas.

Também é exemplificado na raiva pelos salários que não chegam ao final do mês: do baixo salário que as famílias trabalhadoras ganham, cerca de 40% desse orçamento familiar é destinado a mercados dos quais os são donos os 5 maiores grupos econômicos do Chile (Luksic; Paulmann; hermanos Matte Larraín; Angelini; Sebastián Piñera.). Esses mesmos 5 grupos que concentram monopólios são aqueles que roubam nosso trabalho pagando salários insuficientes em suas empresas, para que mais tarde esse mesmo salário tenhamos que gastar em seus mesmos negócios em redes de varejo ou cadeias de supermercados. Outro círculo vicioso que mantém uma concentração da riqueza em poucas mãos, enquanto estamos amarrados, vemos como saqueiam nossas riquezas.

Outro exemplo é a raiva pelo endividamento para estudar, que está totalmente relacionado ao modo de funcionamento capitalista a serviço dos banqueiros: por causa do crédito com garantia estatal (CAE), entre 2006 e 2011, os bancos emprestaram aos estudantes 443,7 bilhões de pesos, e depois venderam parte desses créditos ao Estado com preço mais elevado, e o Estado com nosso dinheiro ( de impostos, entre outros) pagou 591,9 bilhões de pesos. Em outras palavras, eles roubaram nosso dinheiro para entregá-lo aos banqueiros, isso esconde o CAE. Os bancos analisam o histórico dos alunos, mantêm com eles os que tem antecedentes de bons  pagadores e revendem ao Tesouro, com um preço superior, a dívida dos mais insolventes. Teria sido mais barato para o Estado pagar a taxa de referência aos estudantes, em vez de endividá-los por 20 anos nos bancos.

O Chile é um país rico em minerais e recursos naturais; poderíamos financiar importantes necessidades sociais (saúde, educação ou moradia); no entanto, os empresários estrangeiros das transnacionais levam todas as riquezas que os trabalhadores produzem para seus bolsos. Um exemplo são as transnacionais de cobre, como a BHP Billiton ou a Anglo American. O cobre é a riqueza do Chile, embora pouco disso permaneça em nossos bolsos para nossas necessidades. Da mesma forma como nas AFPs, a luta pela recuperação dos recursos naturais se transforma em uma luta não apenas contra empresários chilenos, mas contra grandes empresários estrangeiros e suas instituições internacionais, como o Fundo Monetário Internacional, especialmente os EUA e a Europa.

Portanto, embora nossas demandas possam parecer muito simples, o que de fundo se questiona é todo esse relacionamento, entre as empresas como as AFPs, os bancos, as fábricas e  os capitalistas de países mais ricos, elas estão sendo questionadas de conjunto. É a maneira pela qual a sociedade como um todo funciona, que não mudará profundamente com uma reforminha ou outra.

A única garantia de mudar as coisas pela raiz é com uma revolução socialista. Construir um governo operário e popular

A única maneira de garantir que todas as medidas da Constituição dos anos 80 sejam derrubadas é se os operários e os setores populares tomarem o poder através de uma revolução socialista. Não existe um caminho pacífico para esta tarefa. Como está claro, apenas para acabar as AFPs, tem custado dezenas de marchas pacíficas mais essa rebelião e ainda não conseguimos, porque há interesses empresariais que os governos e instituições defendem até a medula: sabe-se que mais de 40 ministros e autoridades de Governos tanto da ex-Concertación como de direita estiveram envolvidos nos negócios das AFPs, fazendo parte de seus diretórios. Podemos acreditar, por acaso, que eles mesmos vão acabar com elas?

Precisamos tirar os empresários do poder, e isso significa destruir todas as suas instituições corruptas e substituí-las por uma a serviço dos trabalhadores e dos setores populares. Hoje, os empresários estão no poder através de diferentes canais: financiamento legal (lei de contribuições reservadas) e ilegal de campanhas eleitorais e políticas em geral; porta giratória para homens de confiança entre o setor público (têm cargos no governo) e privado (fazendo parte da direção de empresas); influência óbvia sobre partidos políticos e centros de estudo, mídia etc. Tudo para escrever as regras que os favorecem.

O melhor exemplo é o caso da Unidade Popular – UP
Mudar tudo isso e tirar seus privilégios é algo que eles não permitirão fácil ou pacificamente. No Chile, temos o melhor exemplo: a Unidade Popular, sob o governo de Allende, defendeu um caminho pacífico para o socialismo, uma via confiando na institucionalidade, ou seja, no parlamento, em suas Forças Armadas, em seus Ministérios, etc. Os trabalhadores vinham de fortes lutas e greves desde antes da UP, essa mobilização foi o precedente para o governo da UP avançar em muitos direitos e conquistas sociais para a grande maioria, mas esse avanço questionou interesses empresariais e, portanto, esses setores responderam com um mercado negro, fechando cadeias de negócios para gerar caos e escassez e, finalmente, com um golpe de Estado que estabeleceu uma ditadura militar que matou e torturou milhares de trabalhadores/as. A experiência da UP nos deixa como aprendizagem que não podemos confiar em mudanças em nosso benefício pelas instituições dos empresários ou apelando ao diálogo com eles. Pelo contrário, se queremos garantir que nossas demandas sejam atendidas, precisamos expropriar as empresas à força, como fizeram os cordões industriais; precisamos dividir ou dissolver as forças armadas e apelar para os setores de base que se se juntem à nossa luta; organizar autodefesa armada; e acima de tudo, precisamos tomar o poder através de uma revolução socialista. Não podemos delegar a outros intelectuais ou acadêmicos a tarefa de nos substituir nessas instituições atuais; eles podem ser bons aliados, mas nós trabalhadores precisamos estabelecer nossas próprias formas de democracia e autogoverno operário e popular.

PRECISAMOS DE UM PARTIDO PARA ORGANIZAR A REVOLUÇÃO SOCIALISTA! CONSTRUAMOS O MIT!

Manifestação de 25 de outubro

Para que os trabalhadores, povo pobre e juventude tenham um projeto claro da sociedade e como conquistá-la, precisamos nos organizar, tomar as experiências anteriores de luta e disputar contra todos os outros partidos que nos dizem que dentro desse sistema capitalista podemos melhorar as coisas, que dentro dessas instituições empresariais, podemos obter mudanças profundas. Os empresários estão organizados em seus partidos (direita ou ex-concertación) e instituições: Fundo Monetário Internacional, SOFOFA no Chile, etc., nós trabalhadores precisamos de nossa própria organização internacionalista, preparada para enfrentar os empresários. A partir do MIT, estamos construindo essa alternativa como parte da Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional LIT-QI, e convidamos você a construir esse projeto de luta revolucionária internacionalista conosco!

Construamos um partido que propõe as seguintes tarefas em face da situação chilena:

  • GREVE GERAL ATÉ QUEDA DE PIÑERA
  • JULGAMENTO E PUNIÇÃO POR ASSASSINATOS, TORTURAS E VIOLAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS
  • POR COMISSÕES INDEPENDENTES DA CLASSE TRABALHADORA E DE DIREITOS HUMANOS QUE INVESTIGUEM OS CASOS, NÃO CONFIAMOS NAS INSTITUIÇÕES EMPRESARIAIS!
  • LIBERDADE IMEDIATA A TODOS OS PRESOS POR LUTAR, LIBERDADE PARA DAVID VELOSO, SOLDADO PRESO POR RECUSAR REPRIMIR SEU POVO
  • LIBERDADE DE ORGANIZAÇÃO E LUTA NO LOCAL DE TRABALHO
  • ABAIXO DA CONSTITUIÇÃO DE 80
  • FIM DAS AFPs AGORA
  • RENACIONALIZAÇÃO DO COBRE E RECURSOS NATURAIS SOB CONTROLE OPERÁRIO
  • NÃO AO TPP
  • DESMILITARIZAÇÃO DE WALLMAPU, AUTO-DETERMINAÇÃO DO POVO MAPUCHE
  • FORA ESTE PARLAMENTO EMPRESARIAL.
  • POR ORGANIZAÇÕES DE TRABALHADORES COM DEMOCRACIA OPERÁRIA EM SUBSTITUIÇÃO DA DEMOCRACIA EMPRESARIAL
  • ASSEMBLEIAS POPULARES E OPERÁRIAS PARA AUTO-ORGANIZAÇÃO E PREPARAÇÃO DA AUTO-DEFESA.
  • DISSOLUÇÃO DA FFAA, SOLDADOS BASE, JUNTE-SE À LUTA NA DEFESA DA SUA CLASSE!
  • POR UM GOVERNO OPERÁRIO E POPULAR

Tradução:  Lilian Enck