Chapa da CUT assalta urna e troca tiro com a polícia em eleição dos metalúrgicos de Pindamonhangaba

O que está ocorrendo na eleição sindical de metalúrgico de Pindamonhangaba (SP) é muito grave e tem de ser repudiado por todo o movimento sindical do BrasilComo publicamos na edição 353 do Opinião Socialista, aconteceu uma fraude no segundo turno da eleição dos metalúrgicos de Pindamonhangaba. A comissão eleitoral anulou uma urna contendo quase 600 votos num momento em que já haviam sido apurados quase 70% dos votos. A chapa 2, uma ruptura da própria CUT, tinha 1.200 votos contra 987 da chapa 1, também ligada à CUT, e 347 da chapa 3, da Conlutas.

A urna impugnada era da empresa Villares, onde a chapa 2 tem a ampla maioria dos votos, como ficou demonstrado no primeiro turno. Diante desse fato, os membros da chapa 3, Oposição Conlutas, declararam que a chapa 2 havia ganho a eleição. A comissão eleitoral alegou que não houve quorum e chamou um terceiro turno.

No terceiro turno, a chapa 3 distribuiu um boletim para toda a categoria e comunicou à comissão eleitoral que estava fora da eleição. O boletim foi saudado pelos trabalhadores nas portas das fábricas, pois reconhecia que a chapa 2 ganhara a eleição.

A comissão eleitoral não aceitou a renúncia e, à revelia da chapa 3, manteve-a na cédula de votação. Também nomeou mesários da chapa 3, tudo isso para ter maioria nas mesas coletoras de voto.

O resultado, no entanto, não mudou. No terceiro dia da eleição, quando as urnas das empresas da Villares e Confab Tubos estavam sendo transportadas, foram interceptadas por um bando armado que tomou as urnas e correram para um mato. Após alguns minutos, os mesários da chapa 1 voltaram com as urnas trocadas. As urnas estavam sendo escoltadas pela policia civil. Houve até troca de tiro.

A chapa 2 ingressou na Justiça exigindo a anulação da eleição, mas a juíza substituta, Débora Wust de Proença, prorrogou o mandato por 60 dias e determinou uma perícia nas urnas trocadas pela policia técnica. Ela também mandou formar uma junta governativa eleita em assembléia para acompanhar os peritos.

A chapa 3, da Conlutas, vendo as irregularidade na sentença da Juíza, propôs, de comum acordo com a chapa 2, declarar vago o poder no sindicato, formar uma junta composta pelas três chapas, anular a eleição e fazer um quarto turno.

O objetivo da chapa 1, fraudadora da eleição, é se manter no sindicato mesmo com a categoria contra.

Não é hora de se desfiliar do sindicato
Diante do fatos lamentáveis que estão ocorrendo, muitos trabalhadores falam em se desfilar do sindicato. Acreditamos que, neste momento, essa não é a melhor saída, pois os fraudadores permanecerão na entidade.

Os metalúrgicos da categoria devem repudiar a atitude da CUT, virando as costas para essa central nas fábricas, não aceitando seu boletim mentiroso. Já existe um repúdio muito grande contra a CUT em toda a categoria. É necessário dizer fora a CUT fraudadora de eleição de sindicato.