Brasil é peça chave para Bush

A visita de Bush serviu para mostrar a solidez e a importância das relações do governo Lula com o imperialismo norte-americano.

Mais uma vez, o governo brasileiro estendeu o tapete vermelho para recepcioná-lo. Como se isso não bastasse, garantiu todo um aparato (jamais visto na história) para reprimir as manifestações contra o imperialismo.

A visita do senhor da guerra ocorre num cenário de crises e incertezas do imperialismo norte-americano. No campo da economia, os EUA atravessam um período delicado, como demonstraram os recentes solavancos das bolsas. Por outro lado, a situação dos EUA é muito pior quando se olha para o Iraque. As tropas ocupantes estão num verdadeiro pântano e a crescente ação da resistência iraquiana contra a ocupação coloca no horizonte a possibilidade de uma derrota militar do imperialismo.

A crise do imperialismo está diretamente relacionada ao crescimento das lutas dos povos da América Latina. O imperialismo ianque viu sua influência diminuir na região, marcada por grandes greves, mobilizações de rua e insurreições que derrubaram governos no início deste século.

Bush começou a turnê pelo Brasil para obter de Lula a colaboração necessária para restabelecer a influência dos EUA na América Latina. O fato de ser o presidente do mais importante país do continente faz com que Lula cumpra um papel decisivo no controle das lutas antiimperialistas. Pesa também o prestígio de Lula perante os trabalhadores latino-americanos. Diante do enfraquecimento do governo Bush, a serventia de Lula é inestimável para agir como interlocutor do imperialismo nas crises políticas do continente.

O governo brasileiro já deu inúmeras provas de que vai servir de parceiro na defesa dos interesses norte-americanos, como demonstra a atual ocupação militar do Haiti.

Antes mesmo do avião de Bush aterrissar em São Paulo, Lula já demonstrava que pretendia ampliar a sua colaboração com o imperialismo, ao proclamar aos quatro ventos que “nunca a relação entre Brasil e EUA foi tão boa”.

A visita foi um marco na ampliação desta “parceria”. Se no seu primeiro mandato, Lula tentava manter uma aparência “ambígua” em relação ao imperialismo, comparecendo, por exemplo, no Fórum Econômico de Davos e no Fórum Social Mundial, hoje isso não existe mais. No último Fórum Social, Lula não deu as caras. Foi só a Davos.

Houve um salto nas relações entre Lula e o imperialismo. Bush pretende fazer de Lula o seu principal interlocutor latino-americano. No final deste mês, Lula viaja aos EUA e será recebido por Bush na casa de campo oficial dos presidentes norte-americanos, em Maryland, no dia 31. Para se entender o nível das relações, basta dizer que Bush nunca tinha recebido nenhum representante de outro governo nesta residência “íntima”.

De acordo com o site da Casa Branca, o objetivo dessa hospedagem será “explorar caminhos” para “aprofundar o relacionamento entre Brasil e Estados Unidos, trabalhando juntos para fortificar a democracia e a cooperação econômica internacional”.
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