“Berzoini, seu pelegão, esta reforma é coisa de patrão!”

[13h] Ao parar em frente do Ministério do Trabalho, por volta das 12h45, todos os carros de som e a voz dos mais de 10 mil participantes da Marcha Contra as Reforma fizeram soar em uníssono a palavra-de-ordem acima.

Indignados com a possibilidade de ver direitos históricos e durante conquistados — como a licença maternidade, o 13º salário e até mesmo as férias — serem confiscados pela reforma Trabalhista que Lula quer implementar, a mando do FMI, e como preparativo para a implementação da famigerada Área de Livre Comércio das Américas (Alca), os milhares de participantes não pouparam a voz não só para denunciar o ex-sindicalista que ocupa o Ministério do Trabalho, mas também para repetir o recado que foi dado já no início do protesto, há mais de uma hora: “Um, dois, três, quatro, cinco mil, ou pára esta Reforma, ou paramos o Brasil!”.

Caminhos contraditórios

Apesar de estar acompanhando os demais manifestantes no coro, a deputada Luciana Genro, do P-Sol do Rio Grande do Sul logo depois, em sua fala, apontou numa direção no mínimo contraditória: as eleições de 2006.

De cima do carro de som, a dirigente do P-Sol afirmou: ‘Em 2006, nós não vamos deixar que a polarização fique entre os irmãos siameses (o PT e o PSDB). Vamos estar lá, em 2006, e vamos apresentar uma alternativa dos trabalhadores’.

Apesar de não termos nada contra apresentar alternativas dos trabalhadores nos processos eleitorais, mais uma vez somos obrigados a chamar a atenção para o fato de que, novamente, os companheiros do P-Sol procuram conduzir a luta dos trabalhadores para um campo que não é o nosso: o jogo de cartas marcadas das eleições.

Além de distante no tempo, 2006 não é uma alternativa de direção para os trabalhadores. A única solução possível é aquela que está se construindo em atos como o de Brasília. Não só porque apontam para a luta como também porque são em processos como esse que os trabalhadores e estudantes estão construindo novos instrumentos para suas lutas, como a Coordenação Nacional de Lutas (Conluta) e a Coordenação Nacional de Lutas dos Estudantes (Conlute).