bancários:apesar da repressão, greve se expande

Categoria deve agora superar a direção do movimento e tomar o controle da greveBancários de todo o país cruzaram os braços no dia 6 de outubro. Enfrentando a intransigência dos banqueiros e do governo, os bancários sofreram também uma forte repressão logo no primeiro dia de greve. A Polícia Militar empreendeu um verdadeiro esquema de guerra contra a greve, agredindo e prendendo os bancários que faziam piquetes.

Repressão
Dirceu Travesso, da Oposição Bancária e militante do PSTU, foi violentamente agredido pela polícia em frente à agência da Nossa Caixa, no Centro da capital paulista, sendo levado para a delegacia, onde ficou algemado por mais de quatro horas. Em várias cidades, a polícia também agiu com violência para impedir a paralisação.

A repressão, no entanto, não foi suficiente para impedir o avanço do movimento de greve, que se estendeu para outros lugares, como o Distrito Federal. No dia 10, a greve expandiu-se, atingindo principalmente a Caixa Econômica Federal (CEF) e o Banco do Brasil. No entanto, a direção sindical dos bancários pode levar a greve à derrota.

Superar a direção
A greve em São Paulo é um exemplo de como a política da direção pode acabar com o movimento. Apesar de seguir forte nacionalmente, a greve sofre com o descaso do sindicato, que não coloca a estrutura da entidade a serviço da mobilização. Por isso, o sindicato sofre um tremendo desgaste na categoria. Da mesma forma, a CUT, que prometeu auxiliar a greve, nada faz em favor da mobilização.

A Oposição Bancária, por sua vez, luta para transferir o controle da greve para a categoria, por meio da eleição de representantes de base para o Comando de Greve. Em São Paulo, a Oposição provou que, havendo disposição política, a greve pode crescer muito mais.

“Nós da Oposição, com a juventude do PSTU, fizemos um grande piquete e paramos a matriz do Safra, um importante banco aqui da capital, demonstrando que é possível realizar uma grande mobilização”, afirma Wilson Ribeiro, do Movimento Nacional de Oposição Bancária. Quando fechávamos esta edição, dirigentes da Federação Nacional dos Bancos e de bancos estatais estavam reunidos com representantes da categoria. É bem possível que um novo acordo rebaixado esteja sendo articulado para pôr fim à greve.

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