Ato em Caçapava exige retirada das tropas brasileiras do Haiti

Manifestação ocorrida nesta sexta deu início à Jornada de Lutas Antiimperialista no Vale do ParaíbaUma manifestação em Caçapava (120km de São Paulo), nesta sexta-feira, dia 10, pela retirada das tropas brasileiras do Haiti e pelo fim da ocupação militar da ONU (Organização das Nações Unidas) naquele país, deu início à Jornada de Lutas Antiimperialista no Vale do Paraíba.

O protesto foi realizado pela Conlutas, Intersindical, MST, Via Campesina, CMP, MUST, PSTU, PSOL e vários sindicatos da região, como dos metalúrgicos, químicos, da alimentação, petroleiros, Correios, dos trabalhadores em saúde e previdência, servidores municipais de Jacareí, entre outros, além de representantes de oposições sindicais.

Caçapava foi escolhida por abrigar uma das principais unidades do Exército brasileiro que enviaram soldados para a missão no Haiti.

Realizada na Praça da Bandeira, no centro da cidade, das 10h às 12h, a manifestação chamou a atenção da população local. Trabalhadores, aposentados, mulheres e jovens pegaram com interesse o jornal especial sobre a Semana de Luta, bem como o DVD com relatos sobre a real situação no Haiti.

Várias pessoas pararam para ouvir as falas dos dirigentes sindicais e ativistas sociais presentes e muitas se disseram surpresas com as informações.

“Passam pra gente que a missão da ONU é para ajudar, mas as informações são muito poucas e não sabemos o que, de fato, ocorre naquele país”, disse uma professora.

Representantes das entidades denunciaram o real objetivo da chamada Missão de Paz da ONU liderada pelo Brasil que, na verdade, tem servido aos interesses de países como os Estados Unidos e França.

“Ao contrário do papel humanitário que o governo Lula alega, as tropas da ONU estão violando os direitos humanos no Haiti e reprimindo os trabalhadores daquele país”, disse o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Edmir da Silva.

“A paz que eles querem é para beneficiar as multinacionais e a elite do país. Mas para o povo haitiano, negro e pobre, é só violência”, completou.

Para um dos representantes da CONLUTAS no Vale do Paraíba, José Donizete de Almeida, outros atos como este virão. “A intenção do governo Lula é renovar mais uma vez a permanência das tropas invasoras no Haiti. É preciso haver luta e pressão popular pelo fim desta missão da ONU e para por fim à carnificina e repressão que estão sendo patrocinadas contra o povo haitiano”, disse.

Jornada de Lutas
A Jornada de Lutas Antiimperialista acontecerá de 10 a 18 de outubro. Esta semana de lutas foi definida no 1º Congresso da Conlutas e no 1º Encontro Latino-Americano dos Trabalhadores (Elac), realizados em julho.

O objetivo é realizar mobilizações coordenadas em toda a América Latina contra a exploração imperialista, combinando com lutas específicas em cada país.

As manifestações acontecerão simultaneamente em várias cidades do Brasil e em outros países latino-americanos e caribenhos, como Argentina, Bolívia, Paraguai e Haiti.