Assembléia da Volks derrota manobra e mantém greve

Cartaz da Conlutas em apoio à greve
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Direção do sindicato propõe “greve por setores”, com retomada da produção, mas assembléia na tarde de hoje derrota propostaFoi realizada nesta quinta-feira, 31, uma assembléia dos metalúrgicos da Volkswagen de São Bernardo do Campo (SP). A assembléia, que terminou por volta das 15h, aprovou a continuidade da greve. Desta forma, os trabalhadores derrotaram a direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que apresentou uma proposta de retomar a produção da empresa por área. Isso significaria, na prática, o fim da greve. A direção do sindicato alegava que era necessário “mudar a tática”.

Já na noite anterior, a direção do sindicato divulgou para todos os órgãos de imprensa que os metalúrgicos do ABC “mudariam de tática”. A greve seria transformada em paralisações por setores da fábrica e a realização de algumas manifestações públicas contra as demissões.

A proposta dos pelegos mostra que a direção do sindicato está preocupada em evitar que a continuidade da greve possa atrapalhar os planos eleitorais de Lula. As unidades da Volks em Taubaté (SP) e em São José dos Pinhais (PR) já começam a enfrentar problemas de fornecimento. De acordo com a imprensa, a fábrica de Taubaté dará dois dias de licença remunerada e o mesmo acontecerá no Paraná, uma vez que várias peças fabricadas nestas fábricas são estampadas na de São Bernardo.

No entanto, o metalúrgicos não aceitaram a manobra da direção. E, mais uma vez, demonstraram sua capacidade de luta votando a continuidade da greve e a paralisação total da empresa. Pelo menos 60% dos metalúrgicos votaram pela continuidade da greve.

Durante a assembléia, os militantes da oposição distribuíram o boletim “Ferramenta” defendendo a necessidade da continuidade da greve. Também denunciaram a tentativa de manobra feita pela direção do sindicato. De acordo com os integrantes da oposição, a única forma de reverter as 1.800 demissões anunciadas pela empresa no último dia 28, é a continuidade da greve ampliando a mobilização para o conjunto da categoria e para a sociedade.

Uma nova assembléia foi marcada para a próxima segunda-feira, dia 4 de setembro, na portaria da fábrica. A direção do sindicato vai tentar uma nova manobra nessa assembléia, mas terá dificudades, pois os trabalhadores estão revoltados com a empresa e com o governo e sabem que essa é uma das lutas mais importantes de suas vidas.

Saia justa
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que foi trabalhador da Volks do ABC, declarou à imprensa que o “governo não tem muito o que fazer” para impedir as demissões na empresa, lavando as mãos diante da ameaça de demissão de milhares de trabalhadores. Mais uma vez, fica claro a falta de comprometimento político do governo Lula na defesa dos empregos dos metalúrgicos.

Numa entrevista ao Jornal da Globo na noite do dia 29, Lula foi colocado numa saia justa quando perguntado se não choraria caso os funcionários da Volks fossem demitidos. O presidente simplesmente não respondeu.

Para o PSTU, caso a Volks insista nas demissões, o governo deve estatizar a empresa e colocá-la sob o controle dos trabalhadores. Já há exemplos do sucesso dessa medida no próprio ABC, no caso da Conforja, em Diadema. Esta empresa encontrava-se falida quando os trabalhadores montaram uma cooperativa e garantiram a produção.

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