As perspectivas para o próximo governo

Lula deve ter, no início, um peso maior nas instituições. Diferente de 2002, ele conseguiu a adesão das alas principais do PMDB, dando a esta coalizão um peso maior que no primeiro mandato, tanto no parlamento como entre os governadores.
Deve-se agregar também a trégua estabelecida com José Serra e Aécio Neves, os dois governadores mais importantes do PSDB e as mais importantes figuras da oposição burguesa no momento.

Contando, com esse apoio e com a continuidade do crescimento econômico, ao menos em boa parte de 2007, é possível que o governo queira passar à ofensiva com suas reformas neoliberais já no ano que vem. Com isso, as migalhas “sociais” dadas no primeiro mandato estão ameaçadas, e pior, podem ser retirados direitos básicos dos trabalhadores, como férias, décimo-terceiro salário, direito de greve e uma parte das aposentadorias.

Como vem divulgando a campanha da Conlutas, o governo Lula prepara a reforma da Previdência, que visa ampliar a idade mínima da aposentadoria para 65 anos. A reforma sindical pretende deixar as cúpulas da CUT e da Força Sindical com o direito de negociar direitos dos trabalhadores, sem precisar consultar os sindicatos de base, e restringir o direito de greve, criminalizando os piquetes e os sindicatos combativos. A reforma trabalhista destruirá os direitos para “facilitar a competição internacional”.

Aliás, a reforma trabalhista já começou com a aprovação do Supersimples no Congresso. O projeto limita a fiscalização das micro empresas (que empregam uma boa parte dos trabalhadores) em relação ao cumprimento das leis trabalhistas. Ou seja, os patrões que não derem férias ou décimo-terceiro salário aos seus empregados nada sofrerão.

A combinação dessas reformas com uma crise econômica limitará as “concessões sociais” do governo, resultando em um cenário catastrófico para os trabalhadores.
Lula vai conseguir impor essas derrotas? Dependerá da luta dos trabalhadores. E nisso pode haver grandes surpresas. Até agora, a frente popular foi vitoriosa em evitar um grande ascenso de massas. Mas não se pode garantir isso para o segundo mandato.

Ao contrário da reforma da Previdência, em 2003 (que atingiu apenas o funcionalismo público), dessa vez, as reformas pretendidas por Lula atacam o conjunto dos trabalhadores. Em 2005, ocorreu uma crise política muito profunda, mas os trabalhadores estiveram ausentes. As mobilizações contra o governo se restringiram à vanguarda. Desta vez, caso Lula realize os ataque com as reformas, poderá enfrentar mobilizações com peso de massas.
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