Os governos de frente popular na história

Governos como o de Lula são definidos pelo marxismo como de frente popular, por incluir partidos e organizações do movimento de massas e representantes da burguesia.

O primeiro na história foi o Governo Provisório na Rússia, que teve várias formações e Kerenski como sua maior figura. Depois da revolução de fevereiro de 1917, que derrubou o czar, esse governo assumiu, mas não resolveu nenhum dos problemas chaves do país. Não fez a reforma agrária, não retirou o país da Primeira Guerra e não solucionou a fome porque continuava sendo um governo burguês, submisso ao imperialismo. Kerenski acabou derrubado pelos trabalhadores, organizados em soviets (organizações democráticas de luta) dirigidos pelo Partido Bolchevique.

A definição do caráter de classe deste governo como burguês foi chave para o sucesso dos bolcheviques. Não se pode guiar pelos discursos dos líderes desses governos, mas pelo programa aplicado.

Sua grande manobra é ter figuras de peso entre os trabalhadores (como Lula) para comandar um governo burguês. Confundidos com o passado de seus líderes, os trabalhadores aceitam com facilidade medidas contrárias a seus interesses.
Infelizmente, todas as outras revoluções dos séculos XX e XXI terminaram derrotadas, pois os partidos revolucionários aderiram ou capitularam a esses governos. Foi assim com as frentes populares na década de 30 da Europa, como os de Leon Blum na França (1936-37) e na Espanha (1936-1939). Também com o governo de Allende no Chile (1970-73).

Existiram também frentes populares em situações distintas da luta de classes, em que ainda não existiam grandes lutas, com o objetivo de prevenir situações revolucionárias. A Europa foi o berço da maioria deles, como os de Miterrand na França (1982-1995). A essa chamamos de frente popular preventiva, como a do governo Lula.

É importante ter este histórico, porque são os governos de frente popular que preparam o caminho para as vitórias da direita, seja por meio de golpes (Pinochet era ministro de Allende) ou das eleições.
O grande desafio para os revolucionários é conseguir, perante um governo dessse tipo, articular uma alternativa de esquerda política e sindical. Esta é a grande tarefa também perante o governo Lula. < Post author
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