Acordo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC enfraquece categoria

Sindicato usa crise econômica como desculpa para fechar acordo rebaixadoOs metalúrgicos de todo o país viram, neste ano, uma grande chance de fazer uma campanha salarial vitoriosa. Com o crescimento econômico e os altos lucros das empresas, além do exemplo da greve de 37 dias dos trabalhadores da Volkswagen do Paraná, os metalúrgicos se animaram para pegar sua parte deste “bolo”. Mas, para que a luta fosse vitoriosa, seria necessário unir os metalúrgicos de todo o país. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, porém, se recusou a unificar a campanha com o restante da categoria e com as autopeças da própria região. E, ainda, fechou um acordo com as montadoras antes mesmo da data base, enfraquecendo a categoria nacionalmente e afirmando sua parceria com os patrões.

Estabilidade para prevenir contra a crise
O discurso das empresas e do sindicato, de que uma forte crise irá atingir as montadoras no Brasil, orientou os trabalhadores a votarem num acordo para os próximos dois anos. Mas será que será que essas empresas então em crise?
Seus investimentos não revelam nenhuma crise. Pelo contrário. Em 2011, ao todo, serão investidos R$ 8 bilhões, e, até 2017, estão programados R$ 26 bilhões. Os investimentos são altos porque seus lucros têm sido gigantescos. A crise na Europa e Estados Unidos fez com que as grandes multinacionais tentassem recuperar seus lucros por meio da exploração nos países ditos emergentes, como Brasil, China e outros. Mas, quando lhes convém, eles falam em crise, para não aumentar os salários.
O Brasil poderá ser atingido pela crise. Afinal, é muito dependente dos EUA e da Europa. Mas, um acordo salarial de dois anos não previne os trabalhadores contra seus efeitos. Sequer prevê estabilidade de emprego e efetivação dos trabalhadores temporários.

Armadilha
Mas será que os 5% de aumento real mais os R$ 5 mil de abono salarial (dividido em dois anos) representam um bom acordo?
O abono salarial não é renda, o patrão dá, mas tira quando quer. O reajuste, por outro lado, é uma conquista permanente. Já os 5% de aumento real em dois anos é muito inferior ao crescimento que o país e as grandes empresas tiveram. Os lucros das grandes empresas aumentaram 31% em relação a 2009. Por isso é necessário que os metalúrgicos do resto do país sigam unidos e em luta para reivindicar um reajuste superior, de 17,45%.

Unidade dos metalúrgicos em campanha salarial
Mas o que o governo tem a ver com isso? A presidente Dilma concedeu R$25 bilhões em isenção de impostos às montadoras, sem exigir em troca estabilidade de emprego, contratações ou sequer redução do valor dos veículos. Para os trabalhadores o governo impõe um imposto de renda altíssimo, que vai comer boa parte dos reajustes conquistados.

Por isso as campanhas salariais devem ser unificadas e os trabalhadores devem saber que a luta não é só contra os patrões, mas também contra a política econômica do governo.
Post author Carla Nascimento, de São Bernardo do Campo (SP)
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