Operário da Embraer morre no trabalho

Segundo o Ministério da Previdência Social, no Brasil, a cada três horas, morre um trabalhador. A cada hora trabalhada, em média, ocorrem 83 acidentes de trabalho. Na última quinta-feira, dia 1º de setembro, uma tragédia, na Embraer, se somou a estes índices. O operário Vinícius Machado Mendes, de 29 anos, morreu esmagado entre dois portões do hangar F220 na fábrica de São José dos Campos (SP).

Os portões do hangar da montagem final de aeronaves são acionados por sistema elétrico. O acidente aconteceu por volta das 8h45, quando Vinícius acionou um botão para que a porta do hangar se abrisse. Simultaneamente, um outro funcionário, que estava do lado oposto, também acionou o portão. Com isso, a cabeça de Vinícius foi prensada.

O Sindicato dos Metalúrgicos considera que houve negligência por parte da Embraer no acidente que resultou na morte do monitor de montagem elétrica. No local, não há qualquer dispositivo de segurança que impedisse o acidente, o que é responsabilidade da empresa. O risco dessa situação já havia sido apontado anteriormente por trabalhadores do setor à Embraer.

Na reunião extraordinária da CIPA, que aconteceu no dia seguinte à tragédia, foi apontado pelos cipeiros que outros acidentes com esse tipo de portão já tinham acontecido na fábrica, em outros hangares. Num destes, inclusive, um operário teve o dedo quebrado.

Tragédia anunciada
O companheiro morreu justamente na mesma semana em que a Embraer comemorava os quatro anos de implantação do seu programa de reestruturação produtiva, o Lean Manufacture. Esse programa de reestruturação produtiva tem sido o principal responsável pelas constantes demissões e aumento significativo das doenças ocupacionais.

O programa tem como filosofia “fazer mais com menos”, ou seja, produzir mais com menos funcionários. O resultado disso é que os trabalhadores estão cada vez mais sobrecarregados, pois têm de produzir a mesma quantidade de aviões, porém com menos funcionários. Sem contar as mais de 4.270 demissões ocorridas em 2009.
Na própria área onde o companheiro Vinícius faleceu, antes das demissões de 2009, havia 380 pessoas trabalhando em três turnos. Hoje, são 120 operários em dois turnos. Porém, se produz a mesma quantidade e até mais aviões.

Não será esquecido
No dia após a morte de Vinícius, depois do enterro, o Sindicato realizou, junto com os trabalhadores, uma passeata pela avenida que dá acesso à Embraer. Os trabalhadores, ao descerem dos ônibus, recebiam uma fita preta para amarrar no braço, simbolizando o luto.

Acionada pelo Sindicato, a Delegacia Regional do Trabalho (DRT) e a Polícia estiveram no local para apurar as condições em que o acidente ocorreu, mas ainda não há data para divulgação de laudo técnico.

O Sindicato vai intensificar a mobilização na fábrica para exigir medidas imediatas e permanentes que garantam a saúde e segurança de todos os trabalhadores. A entidade também acompanhará as investigações do caso para que tudo seja apurado e os culpados sejam responsabilizados. Assim como foi dito à família de Vinícius, a morte dele nunca será esquecida.

* vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos
Post author Herbert Claros*, de São José dos Campos
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