A serviço da Volks, Sindicato dos Metalúrgicos do ABC impõe aumento da jornada e volta do banco de horas

Era sabido que a derrota imposta à Volkswagen de São Bernardo do Campo (SP) e à direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC pelos trabalhadores, na assembléia do dia 11 de julho, não ia ficar por isso mesmo. A resposta da empresa veio, primeiro, em forma de agressões e intimidações, como os ocorridos nas plenárias no sindicato nos dias 1º e 16 de agosto.

Agora, na última terça feira, 26 de agosto, a fábrica impôs um plebiscito. O resultado foi exatamente o que a empresa queria. O banco de horas voltou e a jornada de trabalho aumentou, atropelando uma decisão que havia sido tomada democraticamente em assembléia, em julho.

Além de ser completamente controlado pela fábrica, votou no processo toda a chefia: os mensalistas, que não serão atingidos pelo aumento da jornada, e outros setores, como os trabalhadores em regime de 6×1 e 6×2. Totalizando, estes setores chegam a mais de 3 mil votos. Por mais que não tenham sua jornada aumentada ou que não sejam atingidos pelo banco de horas e dias adicionais, votaram apenas por causa da PLR.

Nas linhas de produção, revolta
Nas linhas de produção, na montagem final, na pintura, na armação e na carroceria, a revolta foi explosiva. A maioria dos que votaram “sim” não serão atingidos pelo aumento da jornada para 42h e pela volta do banco de horas, além de 30 dias adicionais para 2009.

As 6h do dia 28 de agosto, a linha de montagem não rodou. Em assembléia, os trabalhadores da área decidiram paralisar a produção por duas horas em protesto contra a forma como o sindicato encaminhou a discussão, por plebiscito. No Tribuna Metalúrgica, jornal do sindicato, o coordenador do Comitê Sindical de Empresa(CSE), o Frangão, aparece rindo e comemorando o resultado.

À tarde, o protesto se repetiu. O segundo turno também paralisou a linha de montagem por duas horas.

Isso mostra, mais uma vez, a que ponto chegou a Artsindical/CUT no ABC. Para atender a sanha da multinacional alemã por mais lucros, sacrifica a democracia operária e a organização sindical independente conquistada pelos metalúrgicos do ABC nos seus 30 anos de luta pela organização dentro da fábrica.

A cédula do plebiscito trazia até a marca da empresa

Cédula apresentada pelo sindicato trazia até a marca da empresa

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