29 de agosto: Dia da Visibilidade Lésbica

Infelizmente, até hoje as lésbicas não conseguiram consolidar suas reivindicações específicas como bandeiras a serem defendidas nem pelo movimento feminista, nem pelo movimento homossexual. Essa invisibilidade torna a realidade das mulheres que se relacionam com outras mulheres um verdadeiro mistério.

O dia 29 de agosto foi escolhido como o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica porque foi neste dia, em 1995, que ocorreu o 1° Senale (Seminário Nacional de Lésbicas). Durante este evento, no Rio de Janeiro (RJ), lésbicas de vários estados reuniram-se para discutir suas questões específicas. A necessidade de incorporar este dia ao calendário das lutas é produto do isolamento histórico ao qual as lésbicas foram submetidas em relação ao movimento feminista e ao homossexual. No primeiro, devido a incompreensão da necessidade que as mulheres tenham controle sobre as questões relativas a sua sexualidade, decidindo livremente sobre tal, sem sofrer coerção, discriminação ou violência e no segundo pela forte presença do machismo.

Combater a invisibilidade lésbica significa mais do que trazer a público questões privadas ou fazer abordagens sobre a sexualidade. Significa expor a necessidade de ampliar a luta por direitos. Fazer da relação entre mulheres um mito é produto do descaso do sistema educacional, que aborda a sexualidade apenas nas aulas de educação sexual limitando o assunto a reprodução humana, de maneira carregada de machismo e incapaz de preparar os indivíduos para o livre exercício da sua sexualidade de maneira segura.

O machismo e a homofobia são reproduzidos e muitas vezes além de não serem combatidos são estimulados pelos próprios professores, através de piadas e brincadeiras. A saúde pública não tem política mínima para assistir à mulher lésbica ou bissexual, pois os profissionais não apresentam preparo para lidar com tais especificidades e nem há estrutura para tal.

Em pesquisa recente, 23% das lésbicas já fizeram ao menos um aborto e 60% das que vão ao ginecologista sequer dizem que se relacionam com mulheres. Fora isso, as políticas públicas de prevenção de DSTs/AIDS jamais são elaboradas levando em consideração relações homossexuais femininas. O descaso é tal que a informação sobre os riscos que correm e o acesso a métodos de prevenção dessas doenças não chega às lésbicas das periferias. Nem mesmo o mercado oferece produtos de proteção específicos para lésbicas.

Assim, ainda que existam métodos artesanais de improvisar tais produtos a partir de outros, como camisinhas e luvas de látex, este tipo de informação não é socializado, tampouco está ao alcance da maioria. A escassez de dados referentes a estes casos também reflete uma falsa inexistência de riscos. As formas de preconceito e discriminação ainda passam pela mídia, que veicula estereótipos que estigmatizam as lésbicas, associando-as a elementos considerados negativos pela sociedade, como a violência, a agressividade e outros, nunca mostrando um referencial positivo.

Ainda que para atingir um público maior apresente lésbicas com outro perfil, este surge alimentando o machismo, desrespeito masculino em relação ao relacionamento lésbico, tratando-o como fetiche. A ridicularização da figura lésbica é condenável, ainda que se dê através das piadas. Incentivar de qualquer forma esse preconceito leva a conseqüências gravíssimas, como é o fato do número de estupros contra as lésbicas e agressão física contra as lésbicas serem superiores aos que ocorrem com as demais mulheres.

Essa Luta é Classista
As mais ricas podem comprar sua liberdade e viver sua sexualidade sem sofrer os mesmos problemas que as lésbicas da classe trabalhadora. Estas estão no campo, nas fábricas, na periferia, nas escolas públicas, muitas vezes são mães, negras e sofrem com o machismo e a homofobia. Quando negras, essas três formas de opressão se somam. Além disso, os mais ricos se beneficiam da lesbofobia para melhor explorar os pobres, vítima de assédio moral e sexual nos locais de trabalho e estudo. Estima-se que 10% das mulheres são lésbicas e que nem 2% delas assumam publicamente sua orientação sexual; 32% são mães e estas muitas solteiras e chefes de família. Sofrem, por isso, ainda mais com as reformas do governo Lula que retira direitos históricos conquistados pelos trabalhadores.

Este governo diminuiu as verbas para o combate a violência contra a mulher, ataca a licença maternidade, aumenta o tempo de trabalho para a aposentadoria e despreza a dupla jornada. Este ano, realizou a I Conferencia Nacional GLBT para debater políticas públicas para o setor, gerando ilusões entre muitos ativistas honestos. Cooptando-os, jogando sua responsabilidade para as ONGs e desarticulando o movimento que estava prestes a realizar um encontro nacional de base, como um fórum legítimo do movimento, independente de governo.

O Programa Brasil sem Homofobia é também outra política do governo a ser criticada, consistindo num calhamaço de propostas que jamais saíram do papel e para o qual muito pouco dinheiro foi destinado. A real opressão que as lésbicas da classe trabalhadora enfrentam cotidianamente em todas as esferas de suas vidas é o resultado concreto das políticas encaminhadas pelos governos.

A opressão serve para dividir a classe trabalhadora e fazer com que, em momentos de ofensiva imperialista como vivemos hoje, os trabalhadores não vejam como inimigos a burguesia e os governos que defendem seus interesses, mas sim uns aos outros. A classe trabalhadora precisa estar unida para resistir aos ataques contra todos os seus direitos.

No I Congresso da Conlutas, no Encontro de Negros e no Encontro Nacional de Mulheres, a classe trabalhadora demonstrou sua necessidade de defender suas diferenças e unir-se nas lutas, trazendo perspectivas de transformação, através da reorganização de setores oprimidos e explorados, de maneira independente e combativa. Utilizando-se de pensamentos hipócritas e conservadores o imperialismo solidifica e intensifica a exploração.

Por outro lado, setores oportunistas que nunca estiveram nas lutas oferecem-se como alternativa para o problema da opressão durante as eleições, mas são incapazes de garantir qualquer vitória para os trabalhadores porque atrelados a burguesia não podem comprometer a exploração da maioria. Para que nossa luta alcance vitórias é preciso assumir o lado dos trabalhadores e disputar a consciência destes para que empunhem as bandeiras contra a opressão. Nossas candidaturas devem estar a favor de fortalecer este programa e esta organização, aproveitando a oportunidade de dialogar com as massas sem iludi-las. A luta contra a lesbofobia é a luta pelo socialismo.

  • União civil já!
  • Direito de adoção por casais homossexuais!
  • Que a educação e a saúde pública trate a sexualidade de maneira livre de preconceito e respeitando as especificidades das lésbicas, permitindo o exercício livre e seguro da sexualidade!
  • Contra qualquer forma de discriminação, opressão e assédio moral nos locais de trabalho, estudo e moradia!
  • Direitos iguais aos casais homo e heterossexuais!
  • Descriminalização e legalização do aborto!