A luta não tem fronteiras

congresso deve avançar no internacionalismoDesde o seu surgimento, a luta contra a exploração nas fábricas foi uma luta internacional, com ações coordenadas e manifestações em todo o mundo pela redução da jornada de trabalho para oito horas, ainda no século dezenove.

Para manter sua dominação sobre os povos do mundo, o imperialismo sempre jogou os trabalhadores de um país contra o outro, separando-os artificialmente, por fronteiras. Essa divisão enfraquece a luta contra a exploração, assim como a divisão dos trabalhadores nos locais de trabalho enfraquece a luta contra os patrões.

Assim como a exploração é mundial e as empresas operam em escala mundial, nossa luta também é uma só em todo o mundo. O recente exemplo da luta dos metalúrgicos da General Motors contra a redução de direitos mostrou que a luta internacional contra as multinacionais é uma necessidade. Após a decisão de não aceitar a proposta da empresa de redução de salários, os metalúrgicos de São José dos Campos (SP) enviaram representantes a outros países, como Argentina e Estados Unidos, para unificar a luta. Na medida em que a ofensiva da empresa também atinge os trabalhadores de outros países.

Se, no passado, a economia já possuía um caráter mundial, hoje isso é ainda mais intenso, com o fenômeno da globalização. A redução das distâncias faz com que as empresas atuem em qualquer parte. Na China, em Cingapura ou nas maquiladoras do México e do Haiti ou no Brasil. O capital vai onde a mão-de-obra for mais barata. Mais do que nunca, é necessária uma luta mundial.

Resgatar o internacionalismo
As burocracias sindicais, sejam de origem stalinista ou social-democrata, fizeram de tudo para acabar com o internacionalismo proletário. Assim, as organizações internacionais de luta dos trabalhadores, quando não foram destruídas, se converteram em organismos de colaboração com os patrões e as multinacionais.

Um exemplo é a central norte-americana, a AFL-CIO, que apoiou diferentes governos norte-americanos na guerra do Vietnã e as agressões dos Estados Unidos à Nicarágua. São com essas centrais que a CUT mantém relações, através da Confederação Sindical Internacional (CSI), fundada recentemente.

A Conlutas nasce retomando a tradição internacionalista dos trabalhadores. A caravana ao Haiti e a campanha pela retirada das tropas que ocupam este país são exemplos e apenas o início do resgate da luta internacional de nossa classe.
A construção do Encontro Latino-Americano e Caribenho de Trabalhadores (ELAC) é um passo importante para avançar na unidade dos trabalhadores contra o seu inimigo comum: o imperialismo.

Através de campanhas, de ações comuns e da solidariedade contra os ataques a trabalhadores em qualquer parte do mundo, como a demissão de do sindicalista Orlando Chirino, na Venezuela, a Conlutas vai dando passos fundamentais para resgatar a tradição do internacionalismo proletário.

ELAC: unindo lutas no continente
Encontro latino-americano e caribenho será em Betim

A América Latina foi sacudida há alguns anos por insurreições e revoluções, em países como Equador, Bolívia e Venezuela. Milhares saíram às ruas, contra o saque dos recursos naturais e os ataques dos governos. Das barricadas dos mineiros em La Paz, dos bloqueios de estradas, das greves e marchas nacionais nasce um encontro continental. O Encontro Latino-Americano e Caribenho de Trabalhadores (ELAC), convocado pela COB (Central Operária Boliviana); pela Conlutas; pela Batay Ouvriye (Batalha Operária), do Haiti e pela Tendência Classista e Combativa (TCC), do Uruguai.

Em Betim (MG), logo após o congresso da Conlutas, nos dias 7 e 8 de julho, lutadores de diversos países irão estreitar relações, procurando estabelecer uma plataforma de ação e definir um plano de lutas comum. Como afirma a convocatória do encontro: “Está em nossas mãos dar passos concretos no sentido de unir a classe operária e a todos os que queiram lutar, em uma perspectiva clara de independência de classe, contra o imperialismo, a burguesia de cada país e seus governos lacaios”.

O encontro reunirá inúmeras correntes combativas, que se deparam com o fato de que muitas das organizações tradicionais dos trabalhadores da região abandonaram o classismo e a luta contra os patrões e governos. Todas vêm para Betim com bandeiras de luta em comum, como o combate às privatizações, às reformas e à ocupação militar no Haiti. O debate sobre a luta contra os ataques e os governos pode permitir avançar na constituição de uma coordenação comum latino-americana e caribenha.

– Pela nacionalização sem indenização, sob controle dos trabalhadores, dos recursos naturais na América Latina e Caribe (hidrocarbonetos, metais preciosos, ferro, água, biodiversidade e outros).

– Contra as reformas neoliberais;Contra as privatizações dos serviços públicos, educação, saúde, previdência social, empresas estatais, etc.

– Não pagamento das dívidas externas e internas;Contra os TLCs (tratados de livre-comércio) na América Latina e Caribe;Por emprego e salário digno para todos;
Contra a criminalização dos movimentos sociais; Abaixo a repressão das
lutas e organizações dos trabalhadores;

– Fora as tropas estrangeiras do Haiti;Fora o imperialismo da América Latina e Caribe. Por uma verdadeira independência dos povos de nossa região;

– Abaixo todas as formas de exploração e opressão do capitalismo contra os
trabalhadores;

– Viva o internacionalismo proletário!

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