A dívida eterna

Há anos que a dívida externa impõe uma verdadeira camisa de força ao país. O pagamento dos juros é responsável pela falta de verbas sociais.

O FMI foi criado há 61 anos, em 1944. Seu objetivo sempre foi o de assegurar o controle das grandes potências sobre as riquezas dos países pobres. Para isso, o fundo fazia empréstimos a países como o Brasil, a Argentina e o México, que passaram a ter grandes dívidas. Com a crise do capitalismo nos anos 70, os países imperialistas aumentaram suas taxas de juros, convertendo o pagamento das dívidas no principal mecanismo de pilhagem. Com a brutal elevação dos juros, os países passaram a pedir novos empréstimos para pagar dívidas antigas. Assim, a dívida externa nunca pára de crescer, pois a lógica infernal do mecanismo de juros perpetua o seu pagamento.

Como a dívida segue crescendo
Em 1964, a dívida totalizava US$ 2,5 bilhões. Mas, com o mecanismo dos juros, ela foi para US$ 120 bilhões em 1984. Entre 1981 e 1984, a ditadura militar pagou US$ 30,7 bilhões de juros da dívida externa, isto é, cerca de 30% de seu montante. Mesmo assim ela não diminuiu. Já o governo Sarney pagou mais de US$ 67 bilhões de juros (58% do total), entretanto ela aumentou para US$ 115,5 bilhões. No período dos governos Collor e Itamar, a dívida foi para US$ 148 bilhões, mesmo depois de serem pagos um total de US$ 80 bilhões.

Mas, o grande campeão do aumento da dívida foi o governo FHC. Em 1998, em plena crise do Real, a dívida chegou a US$ 241 bilhões. Mais tarde, com a privatização das estatais, a dívida deu uma pequena diminuída e chegou, em 2002, a US$ 227,6 bilhões, apesar de FHC ter pago, em oito anos de governo, mais de US$ 102 bilhões (45% do total da dívida).

Os dados acima mostram que, do governo Sarney até o governo FHC, o Brasil pagou de juros da dívida um total de US$ 250 bilhões. Se somarmos a essa quantia o dinheiro pago em amortizações da dívida realizadas de 1985 a 2002 (US$ 385,7 bilhões), teremos o extraordinário valor de US$ 635,7 bilhões pagos. Assim, nos deparamos com o espetáculo do quanto mais se paga, mais se deve. A dívida já foi paga diversas vezes, continuar pagando é crime contra o povo trabalhador desse país. Crime este cometido por governos que devem ser chamados de, no mínimo, capachos dos especuladores internacionais.
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