A corrupção do Estado

A segunda causa fundamental do aumento da violência é a corrupção da polícia e da Justiça. A nova onda de ataques comprova isto. Mais uma vez, a ordem para as ações partiu dos presídios. Novamente, a polícia soube antecipadamente das ações por meio de escutas telefônicas. Como é possível que tais ordens saiam dos presídios sem a colaboração e a conivência de funcionários ou que Estado saiba antecipadamente dos ataques e não consiga impedi-los?

Isso só é possível em função do alto grau de decomposição do Estado burguês e de seus órgãos de segurança. Em todos os níveis do Estado (polícia, Justiça, políticos, partidos, etc.) existem ramificações do crime organizado.

O aumento de efetivos policiais é completamente ineficaz no combate à violência. A polícia de São Paulo tem 130 mil homens (mais da metade do efetivo do Exército Brasileiro) e é uma das que mais mata no país. No entanto, foi incapaz de impedir os ataques da semana passada.

Os policiais são mal remunerados e vivem sob tensão permanente. Muitos deles já foram ganhos para o crime organizado. Quanto maior o número de policiais, maior a corrupção. Os escândalos recentes na Justiça revelaram uma grande quantidade de juízes financiados por bandidos ou atuando como principais protagonistas de crimes, como é o caso do juiz Nicolau (“Lalau”) dos Santos Neto.

Essa relação de promiscuidade está na base da impunidade e da impotência do Estado diante das quadrilhas. Recentemente, descobriu-se que o piloto do ex-governador Garotinho era ligado às máfias que controlam os morros do Rio.

O Estado comunga interesses com a cúpula do crime, negocia privilégios com seus líderes e já não consegue se sobrepor ao crime organizado em nenhum lugar. O crime organizado, por sua vez, sobrevive de extorsões, corrupção, roubos e do tráfico de drogas. Faz parte dos negócios lucrativos do capitalismo. Sua cúpula é parte de uma burguesia degenerada, cada vez mais associada e infiltrada nos setores “legais” da burguesia, lavando dinheiro em empresas comerciais e bancos, financiando campanhas eleitorais, etc.

Por outro lado, a burguesia “legal” é também cada vez mais criminosa, sendo comuns o contrabando e a sonegação de impostos (o caso Daslu, por exemplo). O Estado, por fim, também não pune os crimes de políticos, advogados e jornalistas da burguesia. A grande burguesia corruptora é tão responsável pela situação do país como os políticos corrompidos. Por exemplo, todas as vezes que surgem denúncias de corrupção, aparecem os bancos (como, agora, o BMG e o Rural) que, no entanto, nunca são punidos.

Se por um lado a polícia não consegue deter o crescimento da criminalidade que atinge a população, por outro vem agindo com “maior eficácia” na repressão aos movimentos sociais, em ocupações de terra ou em greves. Exemplo disso foi a prisão dos manifestantes ligados ao Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) pela ocupação da Câmara dos Deputados. Ao todo, 115 militantes foram indiciados por vários crimes. Os acusados podem pegar até 15 anos de prisão.

Enquanto isso, mensaleiros e deputados sanguessugas, que deveriam estar na cadeia, seguem impunes e serão candidatos nas próximas eleições.

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