A violência, a impotência do Estado e as eleições

Pela segunda vez este ano, a população de São Paulo viveu dias de horror, devido a uma nova onda de ataques atribuída ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Em dois dias, foram registrados 121 atentados, atingindo bases da polícia, prédios públicos, bancos, ônibus e supermercados. Oito mortes foram registradas.

Somente nos dias 12 e 13 de julho, houve 29 ataques a ônibus na capital, o que fez com que a cidade amanhecesse sem coletivos, pois as empresas mandaram recolher seus carros, o que provocou caos em toda a cidade. Sem transporte, dois milhões de trabalhadores indignados penaram para chegar ao trabalho ou voltar para casa.

A segunda onda de ataques foi realizada menos de dois meses depois das ações que paralisaram São Paulo, em maio. Poucos dias antes, o governador do estado, Cláudio Lembo (PFL), havia afirmado: “Acabou a presença do comando do PCC nos presídios (…). Hoje quem domina é a sociedade, com presença dos agentes e secretários de Estado”. Palavras que desmoronaram com a mesma intensidade e rapidez com que dezenas de ônibus arderam em chamas.

Vale lembrar que a maioria dos ataques foi feita nos bairros operários. Conseqüentemente, os trabalhadores e estudantes, que ficaram sem transporte e sob um clima de pânico, foram as maiores vítimas desta história e têm toda razão em repudiar a ação desses grupos criminosos.

A impotência completa dos órgãos estatais perante a criminalidade é a expressão mais acabada da falência do Estado e das políticas de segurança adotadas por sucessivos governos neoliberais.

O capitalismo e suas políticas criam as verdadeiras causas da violência: o desemprego e a miséria. Ao mesmo tempo, o Estado burguês – com suas polícias e a “Justiça” completamente infiltradas e corrompidas pela criminalidade – não consegue reprimir a existência de organizações como o PCC.

Nessas páginas do Opinião Socialista apresentamos um balanço das políticas de repressão adotadas pelos distintos governos do PSDB/PFL e PT, para discutirmos por que a esquerda não pode nem deve ficar na defensiva ao encarar o tema da violência, como vem ocorrendo nos últimos anos.

Ao contrário, só com uma perspectiva verdadeiramente anticapitalista se pode dar uma resposta clara a este tema. A Frente de Esquerda deve assumir esta postura, de forma clara e contundente, indo além de respostas dentro da atual estrutura.

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