Presídios: depósitos de pobres

Nos últimos dias, as cenas do Centro de Detenção Provisória de Araraquara (SP) ilustram a barbárie que vigora nas penitenciárias brasileiras. Após uma rebelião que destruiu as celas da prisão (que deveria abrigar, no máximo, 150 pessoas), mais de 1.400 detentos foram confinados em uma área de 600 metros quadrados a céu aberto.

Para manter os presos encarcerados, o portão de acesso ao pátio foi lacrado com uma chapa de aço soldada. Os agentes penitenciários abandonaram a cadeia e a comida é lançada de helicóptero.

Os presídios brasileiros não têm projeto de resocialização e recuperação dos detentos. São “universidades do crime”, verdadeiros depósitos de pobres, onde o castigo e a punição são rotina. A superlotação carcerária, o desrespeito aos direitos humanos e as torturas provam a decadência das prisões brasileiras.

Nos últimos anos, houve um aumento da população carcerária no país, o que tem relação direta com as políticas adotadas pelos governos neoliberais. O Brasil teve, entre 1995 e 2003, um crescimento de 93% dos presos. O perfil é o mesmo de sempre: negros, pobres, jovens, homens, moradores da periferia ou de favelas, com baixa escolaridade.

No início da década de 90, havia em São Paulo cerca de 23 mil pessoas presas. Passados quinze anos de neoliberalismo, hoje são mais de 170 mil, ou seja, cerca de 40% dos presos do país.
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